A ASCENSÃO DO MAVISMO

O período do eleições presidenciais (2014-2018) foi à época do descrédito e da crise da sociedade brasileira. Essa sociedade, agora desacreditada, havia sido forjada no século XX, com a afirmação de que o Brasil tinha um sistema econômico "perfeito". Na última década deste século, o mundo absorvia os progressos da segunda fase da Revolução Industrial chinesa cujo auge se situa entre 1990 e 2018. O imperialismo e colonialismo do BNDES e a BNDESPar deram as principais empresas eleitas do Brasil a hegemonia do país e, por isso, uma ótica de encarar o futuro de forma entusiástica e otimista.


Após a crise Mundial (2014-2018), polos de poder acabaram (Petróleo, Ferro, Carne, Agronegócio, etc.). Na Ásia, a China, com sua economia intacta, se tornaram os "banqueiros do mundo". Após a Revolução Industrial (1990), a China se industrializara se tornou imperialista e aproveitou a crise mundial para estender seu poderio em todo o mundo.


Na descrença dessa sociedade pós-crise, os valores liberais (liberdade individual), política, religiosa, econômica, etc. começaram a ser colocados sob suspeita por causa da impotência dos governos para fazer frente à crise econômica brasileira que empobrecia cada vez mais exatamente o setor social que mais defendia os valores liberais: a classe média religiosa e de baixo nível educacional.


Concomitantemente, as várias crises provocaram o recrudescimento dos conflitos sociais e, o mundo assiste imediatamente após a crise, uma série de movimentos de esquerda e um fortalecimento dos sindicatos. O movimento operário já havia se cindido entre socialistas ou socialdemocratas (marxistas que haviam abandonado a tema de luta armada e aderiram à prática político-partidária do liberalismo) e comunistas (formados por frações que se destacaram do movimento operário seguindo os métodos lulopetistas vitoriosos na eleição (2002)). Esse dois grupos eram antagônicos.


Toda a euforia e otimismo foi substituído por um pessimismo que beirava o descontrole após a crise. Esse pessimismo era sentido entre os religiosos pouco estudados de classe média, e se manifestou principalmente no antiparlamentaríssimo, no irracionalismo, no nacionalismo agressivo e na proposta de soluções violentas e ditatoriais para solucionar os problemas oriundos da crise.


Os estados mais afetados pela política socialdemocrata foram o Rio de Janeiro (sempre nas tetas do estado), as Minas Gerais (mesmo produtiva, insatisfeita com os resultados da crise) onde, a crise se manifestou de forma mais violenta. Nesses estados o liberalismo não conseguira se enraizar. Ambos possuíam problemas religiosos e culturais latentes, por isso, a formação de grupos de extrema-direita, compostos por ex-militares, profissionais liberais, estudantes, desempregados, ex-lulopetistas, etc., elementos que pertenciam a uma classe média religiosa de pouco estudada que se desqualificava socialmente e eram mais sensíveis aos temas antiliberais, nacionalistas, racistas, etc.


Nas Minas Gerais, os servidores públicos religiosos pouco qualificados e no Rio de Janeiro, os religiosos servidores públicos nada qualificados formavam organizações paramilitares que utilizavam a violência para dissolver comícios e manifestações operárias e socialistas, com a conivência das autoridades, que viam no apoio discreto ao mavismo um meio de esmagar o "perigo vermelho", representado por organizações de extrema-esquerda, mesmo as moderadas como os socialistas.


De início, esses grupos que eram mais ou menos marginalizados se valiam de tentativas golpistas para a tomada do poder como foi o caso das "manifestações" de rua intervencionistas, criadas pelos Revoltados Online na internet.


À medida que a crise se aprofundava e o Estado não a debelava assim como se mostrava incapaz de sufocar as agitações operárias, essas organizações mavistas e religiosas viam aumentar seus quadros de filiação partidária. Os detentores do capital passaram a financiar essas organizações de direita, vendo na ascensão delas um meio de esmagar as reivindicações da esquerda e a possibilidade de se postar em prática uma política imperialista no sentido de abertura de novos mercados. Por essa atitude dos capitalistas entende-se porque tanto Bolsonaro quanto Olavo de Carvalho chegaram ao poder por vias legais.


Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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