A NOVA ESQUERDA BRASILEIRA!

Atualizado: 10 de Dez de 2020

Passada uma semana das eleições municipais, algumas conclusões puderam ser tiradas: Perderam a velha esquerda, a nova direita e venceu o “centrão”, nada diferente do que poderíamos esperar em políticos e eleitores bidimensionais.


A nova direita, já vinha dando sinais de esgotamento de seu modus operandi principalmente por causa de Trump e Bolsonaro que, ao contrário da nova direita europeia, insistiram em radicalizar ainda mais seus discursos ufanistas e negacionistas, estressando grande parte base eleitoral circunstancial, que votava não no bolsonarismo, mas contra o lulopetismo.


Como a nova direita bolsonarista deixou de ser opção para a maioria das pessoas, assim como a velha esquerda lulopetista também era, a conversão ao centro foi decorrente da falta de opção.


A questão problemática ao meu ver é que o nosso ‘’centrão” é basicamente fisiologista, tanto é que ele serviu de base de apoio para todos os governos brasileiros desde que eu comecei a votar na época do Collor. Fisiologismo é um tipo de relação de poder político em que ações políticas e decisões são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros benefícios a interesses privados, em detrimento do bem comum. É um fenômeno que ocorre frequentemente em Parlamentos, mas também no Executivo, e está estreitamente associado à corrupção política, uma vez que os partidos políticos fisiologistas apoiam qualquer governo — independentemente da coerência entre as ideologias ou planos programáticos — apenas para conseguir concessões deste em negociações delicadas.


Basicamente a velha esquerda lulopetista e a nova direita bolsonarista governaram / governam e se sustentaram / sustentam no nosso “centrão” fisiologista.


Vejam ao cenário partidário brasileiro:

Figura 1

Figura 2


Não há nada de novo além da nova direita bolsonarista dos velhos políticos (em novas legendas), nem do “centrão” da velha política e da velha esquerda eterna refém do lulopetismo, com vários “puxadinhos”.


Aqui em São Paulo o meu Partido Verde fez errado, compôs com o tucanato e provavelmente vai levar uma secretária do meio ambiente. Agiu fisiologicamente, mas foi a decisão da maioria dos colegiados infelizmente. A Rede sustentabilidade fez o correto, porém, como para o Partido Verde, falta ser mais incisiva em questões além das pautas eco ambientais. Tanto Rede quanto Partido Verde, que na minha opinião deveriam ser um único partido, para compor a nova esquerda, precisam ampliar seu leque de causas e pautas e serem mais agressivos tanto na política quanto no marketing.


O PSOL não cresceu, apenas absorveu o público lulopetista da velha esquerda pontualmente e sem garantias, até porque o PSOL surgiu a partir de uma “costela do lulopetismo”. E as demais legendas da velha esquerda continuam no mesmo trivial do lulopetismo, renegando o liberalismo, desconhecendo que ele pode ser verde e estar subordinado a sociedade e meio ambiente, com regulamentações no mercado de capitais. A agenda ESG já vem continuamente provando isso há muitos anos. O Liberalismo Verde associado com o Socialismo Verde são a resposta para o equilíbrio entre estado e mercado. Aliás o mercado e o estado precisam estar em equilíbrio, pois quando a balança pesa mais para algum dos lados temos capitalismo selvagem ou capitalismo de estado, que já demonstraram na prática que não são soluções.


Eu francamente estou muito decepcionado, com meus colegas progressistas da velha esquerda, no seu comodismo ideológico bidimensional e covardia em expulsar claramente o lulopetismo de sua esfera de aliados, por interesse na base eleitoral residual dele.


A Nova Esquerda é uma nomenclatura que nem gosto muito, eu preferia chamar política 3D, mas por conta dos eleitores 2D tenho que utilizar uma nomenclatura compreensível para eles. A nova esquerda tem que estar em sintonia com o mercado e com o estado. Tem que partir do pressuposto de prioridades:


1. Meio Ambiente;


2. Sociedade;


3. Economia.

Figura 3


Deve atuar no equilíbrio entre o estado fiscalizando e regulamentando e a iniciativa privada inovando e otimizando. A Democracia e a Justiça devem ser os pilares da Nova Esquerda sempre lembrando que o objetivo da economia são meio ambiente e sociedade e não o inverso como ocorre hoje.

Figura 4


A Política 3D deve estar além da Política 2D atual, precisa ter a profundidade para saber escolher entre aspectos positivos e negativos das propostas bidimensionais de esquerda, “centrão” e direita e não seguir a cartilha de nenhuma delas.


Precisamos nos livrar destas ideologias sectárias de alienação, manipulação e controle desta base partidária atual da política e políticos brasileiros e apresentar uma pauta que não seja clichê: Liberal, socialista, comunista, fascista, nacionalista, trabalhista, direita, esquerda, progressista, conservadora e toda esta gama de nomenclaturas políticas e partidárias 2D que temos hoje no Brasil.

Figura 5


Precisamos realmente algumas soluções radicais, como uma forte taxação sobre as grandes fortunas que não estejam aplicadas em causas ambientais e sociais, bem como estabelecer uma renda mínima nacional que não seja um “bolsa-família”, mas um valor digno e adequado a sobrevivência das pessoas e vincular a esta renda a métricas progressistas de inclusão educacional até inclusão econômica do ser humano.


Temos que enfrentar a desigualdade social, sanitária e econômica levando o capital a investir em agenda ESG e não em redes big techs, bancos, petroleiras etc. para que suas grandes fortunas não sofram uma hipertaxação.


Está chegando a hora da Nova Esquerda se organizar e se apresentar como opção política para o Brasil.