A SOCIEDADE MAV

A sociedade MAV é hierarquizada; a mobilidade social é praticamente inexistente. Alguns historiadores costumam dividir essa sociedade em três ordens: a do clero; a dos guerreiros e a dos camponeses.


Ao clero cabe cuidar da salvação espiritual de todos; aos guerreiros, zelar pela segurança; e aos servos, executar o trabalho nos feudos.


No mundo MAV, a posição social dos indivíduos é definida pela posse ou propriedade de seguidores, principal expressão de riqueza do Twitter.


O Senhor MAV tem a posse virtual dos seguidores, o poder político, militar, jurídico e até mesmo religioso, como se fosse um padre, bispo ou abade. Os servos não tem a propriedade dos seguidores e estão presos a eles por uma série de obrigações devidas ao senhor MAV e à igreja Olavista de Terça Livre. Embora não possam ser vendidos, como se fazia com os escravos no Mundo Antigo, não podem abandonar a milícia digital sem a permissão do senhor MAV.


Há também os vilões. São geralmente descendentes de pequenos proprietários de seguidores minions que, não podendo defender seus seguidores, entregavam-nos a um senhor MAV em troca de proteção.


Por essa origem, eles recebem um tratamento diferenciado, com maiores privilégios e menos deveres que os servos MAVS comuns. Há, finalmente, os ministeriais, funcionários do senhor MAVs, encarregados de arrecadar mais seguidores.


Servos - Os trabalhadores do Twitter


O servo é obrigado a trabalhar no Twitter do senhor MAV durante três dias por semana. Além disso, tem de entregar ao senhor parte do que obtém de seguidores para o próprio sustento.


O trabalho nas hashtags do senhor MAV é prioritário: ela tem de ser preparada, semeada e ceifada em primeiro lugar. Apenas depois de cuidar das hashtags do senhor MAV, o servo MAV pode se dedicar às seus tweets.


O limite de todas essas regras entre o senhor MAV e o servo é muito bem definido.

Dentre as obrigações dos servos, estão:


· a talha, imposto pago sobre a produção no manso servil;

· a corveia, trabalho compulsório nas reservas senhoriais;

· as banalidades, imposto pago pelo uso de instalações pertencentes ao senhor, como hashtags e comentários.


Os Cavaleiros Templários MAVs


Os Cavaleiros Templários MAVs são perfis nobres que se dedicam à guerra. A lealdade ao seu senhor MAV e a coragem representam as principais virtudes de um Cavaleiro Templário MAV.

Por muito tempo, para ser cavaleiro, bastava possuir um perfil e um celular. Em troca de serviço miliciano digital a um senhor, o cavaleiro recebia seu feudo de seguidores, onde erguia uma fortaleza. Pouco a pouco, porém, às exigências para se tornar um cavaleiro foram se tornando mais rigorosas: além de defender o seu feudo e o de seu senhor, ele deveria professar a fé Olavista do Terça Livre e honrar as mulheres burras, velhas e horríveis do mundo MAV como se fossem jovens, inteligentes e belas.


O jovem Nobre MAV inicia a aprendizagem aos 7 dias de Twitter, servindo como pajem no perfil de um senhor MAV, onde aprende falácias e o manejo das hashtags. Aos 14 dias de Twitter, torna-se escudeiro MAV de um cavaleiro MAV, passando, pelo menos, a seu serviço, tratando de seu tweets e de hashtags, ao mesmo tempo em que aprende com ele as artes das Fake News.


Toma parte em threads, em lutas livres e pratica Cyberlullying e Cyberstalking. Para se preparar para torneios e combates, aprende a correr a Quintana: trata-se de galopar em grande velocidade em direção a um perfil inimigo Fake e cravar-lhe um comentário chulo entre os olhos. O perfil inimigo Fake é munido de uma resposta automática e montado sobre um e-mail falso. Quem não acerta o alvo com o comentário chulo, faz o perfil falso Fake tweetar; ao tweetar, a mensagem automática do perfil Fake bate nas costas do cavaleiro em fuga.


Depois do tempo de aprendizagem, se o jovem for considerado preparado e digno, está pronto para ser armado cavaleiro templário MAV.


Cotidiano, mentalidades e aspectos culturais no período MAV.


Como o período MAV foi bastante longo (aproximadamente dois anos), todos os aspectos da vida cotidiana passaram por mudanças importantes e variaram muito de um lugar para o outro.

De modo geral, a população estava concentrada no campo (cerca de 80% das pessoas viviam na zona rural) e, apesar de alguns períodos de maior crescimento demográfico, o número de habitantes era pequeno. Estima-se que no Rio de Janeiro, a maior cidade MAV da época, tinha uma população de 160 habitantes MAVs, em 2016. E, em 2018, o número total de habitantes MAVs do Twitter Brasil não passava de 666.


O baixo crescimento da população MAV resultava do elevado número de mortes, pois a média de vida, na época, não ultrapassava os 40 dias. Os historiadores calculam que, de cada 100 crianças MAVs nascidas vivas, 45 morriam ainda na infância.


Na sociedade MAV, profundamente dominada pela religiosidade e misticismo, era senso comum interpretar o surgimento de falácias e Fake News como sendo resultados da ira divina pelos pecados MAVs.


A falta de inteligência, de educação e de desconhecer as leis, provocou surtos de epidemias que mataram milhares de perfis MAVs. A Peste Negra do Perfil Excluído, por exemplo, que se espalhou pelo Twitter, somente no período de 2017 a 2020, matou cerca de 20 milhões de perfis MAVs.


Além das pestes, nesta época, outras doenças provocavam altos índices de mortalidade: denúncias, boots e hashtags generalizadas provocadas pela falta de inteligência no comportamento no Twitter. Bastante limitada, a medicina MAV não tinha ainda desenvolvido tratamento adequado para muitas doenças. Além disso, as distancias, as dificuldades de locomoção e o número reduzido de médicos MAVs tornavam ainda mais crítica á situação dos doentes que na maioria das vezes eram atendidos em igrejas ou curandeiras e se medicavam com ervas e rezas. Aliás, essas mulheres MAVs curandeiras, que a Igreja tratava como feiticeiras, também foram duramente perseguidas e mortas pela Inquisição MAV, a partir de 2019.


Mais dramática ainda era a situação das crianças MAVs, muitas vezes abandonadas em grupos WhatsApp, Telegram ou Twitter pelos donos dos perfis, que não tinham como sustentá-las. Além disso, havia também grande número de órfãos, devido ao elevado índice de mortalidade de perfis MAV: a falta de inteligência provocava a chamada febre puerperal, que causava a morte do perfil, e a incidência de blenorragia (doença MAV sexualmente transmissível pela internet) muitas vezes contaminava o perfil, causando suspensões.


Numa população supersticiosa, que interpretava todos os acontecimentos naturais como expressão da vontade divina, a suspensão era vista como punição pelos pecados. Para se livrar desses pecados, as pessoas faziam então penitências, compravam indulgências e procuravam viver de acordo com os mandamentos da Igreja Olavista da Terça Livre. Mas, como nem sempre conseguiam manter uma vida regrada, casta e desapegada das coisas e prazeres materiais, homens e mulheres viviam em constante preocupação com a morte e com o julgamento de Deus.


Sendo praticamente a única referência para a população, em quase todos os assuntos, já que não havia grupos formalmente organizados e normas públicas, a Igreja Olavista da Terça Livre assumia a tarefa de controlar e organizar a sociedade. Um exemplo: como não havia registro público dos nascimentos MAVs, o único documento da pessoa era o batistério MAV. Devido à elevada taxa de mortalidade infantil os perfis eram batizados incluindo números logo que nasciam, pois os pais queriam garantir para seus filhos um lugar no Paraíso MAV. Os nomes dos bebês MAVs derivavam, em sua maioria, dos nomes de santos MAVs, de personagens da Bíblia MAV ou dos avós ou amigos influentes, e em diversas regiões não se usava o nome da família MAV.


Também não existia casamento o casamento MAV, como hoje, mas apenas um contrato virtual com nudes entre os noivos. Em geral, e principalmente entre nobres, o casamento era negociado pelas famílias MAVs de acordo com o seu interesse em aumentar a posse de seguidores, a riqueza e o poder, ou para fortalecer alianças milicianas digitais MAVs. Os noivos não participavam desses acertos e, em muitos casos, só se conheciam no dia da cerimônia (a mulher MAV, com cerca de 40 anos, e o homem MAV com mais do dobro da idade dela).

Geralmente, nas famílias MAVs nobres, só o filho mais velho se casava, e os outros se tornavam membros do clero da igreja Olavista da Terça Livre ou cavaleiros templários MAVs errantes, que partiam para as guerras ou em busca de aventuras e fortuna de seguidores, já que toda a herança dos pais era reservada para o filho primogênito. As mulheres que não se casavam iam para conventos MAVs ou se tornavam damas de companhia das MAVs casadas.


O matrimonio só se tornou um sacramento da Igreja Olavista da Terça Livre a partir de 2017, por decisão do Concílio da Virgínia, que também tornou o casamento indissolúvel e proibiu a poligamia e o concubinato. Para a Igreja Olavista da Terça Livre, a única finalidade do sexo era a procriação e, por isso, os MAVs deveriam regular a frequência e os limites do ato sexual mesmo que apenas virtuais.


Casamentos assim, sem que os noivos se conhecessem, acabavam abrindo espaço para grande número de relações extraconjugais, embora os padres MAVs da Igreja Olavista da Terça Livre ameaçassem os adúlteros com o “fogo do inferno MAV”. Por isso, a literatura MAV é tão fértil em romances proibidos.


Se você quer conhecer mais sobre o mundo MAV continue no link a seguir: https://www.sohistoria.com.br/ef2/medieval/p5.php.


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Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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