A TRIBO LISARB!

Este texto é um breve relato antropológico sobre a peculiar tribo Lisarb, que ainda existe na América do Sul. É o resultado de uma pesquisa de campo que realizei dos anos setenta até agora. Conheçam a cultura Lisarb, uma sociedade onde tudo é proibido, mas nada é punido.


Quando conheci a tribo Lisarb, nos anos setenta, fiquei bastante impressionado negativamente com a singular cultura deste povo, pois eram completamente diferentes de qualquer outra tribo conhecida.


Na época que tive o primeiro contato com os Lisarb, eles viviam no que chamavam de a ditadura da casta dos guerreiros. Pelo que me contaram uma, década antes, o cacique havia renunciado e o vice cacique não foi aceito pela casta dos guerreiros, que deram "um golpe" e impuseram Caciques exclusivos de seu grupo e escolhidos apenas entre eles.


A casta guerreira do Lisarb era singular. Pelo que contaram a casta dos anciões, a tribo teve sua última guerras em 1864, com uma pequena tribo vizinha, os Iaugarap. Mesmo assim, precisaram seis anos para vencer e ainda uma tríplice aliança com três tribos grandes (também maiores que os Iaugarap), os Anitnegra e os Iauguru. Depois disso só houveram algumas pequenas revoluções internas na aldeia, com no máximo meia dúzia de índios malucos, nas quais a casta dos guerreiros pouco trabalhou.


Mesmo sem guerras e inimigos reais, a casta dos guerreiros sempre viveu com privilégios em relação ao resto da tribo. Só precisavam treinar e receber tudo o que precisavam, sem trabalhar, que era produzido pelo restante da tribo. Mas sempre infligiam o medo nos demais índios a respeito de inimigos e conspirações imaginárias. Claramente para manter as suas mordomias.


Nos anos oitenta, por influência das tribos vizinhas, sem necessidade de guerra, como sempre, a casta dos guerreiros resolveu deixar o poder e a tribo voltou ao sistema de caciques escolhidos diretamente pelos índios, sempre durante cerimônias de ayahuasca. Claro que a casta dos guerreiros fez as mudanças sem abrir mão de seus privilégios e com uma anistia ampla, geral e irrestrita para os abusos que, por ventura, pudessem tem cometido quando caciques.


As eleições diretas dos caciques, sempre feitas sob efeito de ayahuasca, parece que não resolveram os problemas da tribo Lisarb. Os caciques eleitos ou faziam governos péssimos e acabavam depostos ou trabalhavam subordinados aos interesses de distantes tribos gigantes, hora para os Aue e hora para os Anihc.


É interessante ressaltar que mesmo possuindo vastas terras, tão grandes quanto as dos Aue e Anihc, até com mais recursos naturais que as deles, os Lisarb começaram a progredir nos anos sessenta e setenta, porém com as confusões políticas habituais, corrupção generalizada e preferência dos índios por festas ao invés do trabalho, principalmente o de pajé, que exigia muitos estudos e dedicação, acabaram voltando a ser coletores e agricultores apenas. A produção de utensílios, como pás, machadinhas, ocas e até arco e flecha basicamente era feita toda na tribo Anihc, que inclusive passou a vender utensílios também para os Aue e todas as demais tribos existentes.


Na tribo Lisarb, os poucos pajés acabavam indo trabalhar em outras tribos, ao passo que só sobravam caciques (e seus séquitos dos poderes políticos), a casta dos guerreiros (com suas mordomias), a casta dos índios que comandavam a agricultura e a coleta, a casta dos xamãs (religiosos) que comandavam o ayahuasca e uma grande maioria de índios que trabalhavam e votavam para manter as castas no comando.


Uma característica da tribo Lisarb, é que os índios sabiam da corrupção e das mordomias das castas, porém se conformavam com as festas, ayahuasca e cometendo pequenos delitos, como roubar um grão de milho, para se sentirem vingados.


Um estudo antropológico profundo precisa ser feito para entender a cultura da tribo Lisarb, os índios que andam para trás.




Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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