BIPOLARIDADE DIGITAL!

As redes sociais são uma internet dentro da própria internet. São empresas de tecnologia que foram startups de millennials, sem limites, muito bem preparados pelas melhores universidades, para superarem seus antecessores da Geração X, como Bill Gates e Steve Jobs, que tornaram a tecnologia de informação acessível para as grandes massas.


Porém, enquanto os antecessores, vinham de movimentos hippies dos anos sessenta / setenta, seus sucessores eram gamers individualistas dispostos a tudo para ganhar o jogo. É ai que reside a diferença fundamental entre meios e fins.


Paralelamente a isto, os proprietários institucionais (acionistas do mercado de capitais) suplantaram quantitativamente os acionistas individuais, de modo que as empresas passaram a responder para conselhos de administração e resultados continuamente melhores, sem objetivos de médio e longo prazos, tudo a curtíssimo prazo ou instantâneo, como os controles remotos e joy stickies que os millennials faziam uso na infância e adolescência.


Enquanto isso o Big Data, Machine Learning e Deep Learning evoluíram na mesma proporção que as capacidades de processamento e memória, guardando tudo sobre você, entendendo e prevendo seu comportamento e por fim induzindo você a fazer exatamente tudo que lhe for ordenado.


A partir dai você foi classificado, rotulado e colocado dentro de várias bolhas, sempre modulado a partir de seu comportamento, com pessoas parecidas com você e sua linha de tempo nada mais é do que uma câmara de eco onde pessoas e algoritmos lhe trazem sempre massivamente mais do mesmo, com a concordância das demais pessoas da bolha, de modo que aquilo pareça sempre a verdade. Todos seus dados, opiniões, comportamentos e ações são administrados individualmente de modo que você seja programado para ver sempre "o que quer" pelo "maior tempo possível" dentro da rede social. Mas de fato você apenas está sendo comandado a fazer o que a Inteligência Artificial manda e a produzir dopamina para ficar o maior tempo possível conectado da rede acreditando estar feliz e sendo parte de um grupo que trabalha pela verdade e pelo bem.


O jogo econômico por trás destas redes sociais é sombrio. Você tem investidores globais, tanto de países democráticos, quanto de falsas democracias e de ditaduras, preocupados com o retorno dos investimentos medidos em dias e horas, sem qualquer compromisso humanitário ou ambiental, apenas em ganhar mais no menor tempo, não importam o médio e longo prazo.


Em relação as pseudo democracias, como a Rússia e de ditaduras como a China, que são comandadas por oligarquias estatais, militares e capitalistas selvagens, representadas nos países democráticos pelos seus correspondentes como a Alt Right e Evangélicos, nos EUA, a situação é ainda mais sombria, pois envolve um futuro distópico para a democracia e para o tecido social democrático.


É por esta razão que a tal "democracia direta" propagada nas redes sociais, nada mais é que um capitalismo de vigilância e manipulação, de populistas autocráticos, baseado nos maiores defeitos, fragilidades e limitações das pessoas. Basicamente é uma modulação social emocional e não racional, bastante similar as religiões e por esta razão que encontram tanta ressonância dentro delas.


É a conhecida Democracia Ciborgue, com suas legiões (de maiorias anônimas) digitais da Pós-Verdade que trabalham com Fake News e Teorias Conspiratórias irracionais mas emocionais. E como as antigas fofocas absurdas de compadres e de comadres, em bares e igrejas, se espalham com muito mais facilidade e velocidade que a sempre chata verdade.


É por isso que estamos novamente em um mundo bipolar, só que agora digital e não analógico, no qual mesmo não existindo no mundo real, esquerda e direita estão na guerra fria digital, sem terem dialogo racional e nem afinidades comportamentais pois estão isolados em suas bolhas prontos para a guerra.


O problema destes países virtuais, que se tornaram as rede sociais, é que elas unificam os defeitos da democracia com as bestialidades das ditaduras. São terroristas anônimos virtuais impunes clamando por liberdade de expressão, por mais paradoxal que seja.


As técnicas da manipulação e modulação psicológicas, utilizadas pela inteligência artificial, praticamente sem participação humana, utilizadas sobre os usuários das redes sociais, subvertem até pessoas com nível de qualificação e inteligência acima da média, porém a maioria destas por interesses políticos e / ou econômicos. Mas o fato é que a maior parte das pessoas não tem a menor consciência disso e também não tem a menor chance de resistir.


Para piorar ainda mais, todas estas tecnologias das redes sociais estão prontas para serem integradas com outros sistemas externos e serem utilizadas por que pague por elas (inclusive os bots). Não é a toa que organizações pseudo jornalísticas quase criminosas estejam no topo das buscas, hashtags e Trending Topics absurdos estejam nos primeiros lugares. Dai é um passo, talvez já dado, para o crime organizado também se tornar investidor ou cliente para eleger seus próprios representantes políticos. Os seus equivalentes evangélicos já o fizeram.


Eu sou realmente a favor de que estas redes sociais sejam regulamentadas, auditadas e sejam inclusive obrigadas a ter em seus conselhos, representantes da sociedade civil com direito a voto e veto. E que a certificação digital obrigatória passe a ser universal. Não pode haver interesses privados únicos comandando a humanidade e não há democracia no anonimato impune. Ou as rede sociais são democratizadas ou vão destruir a democracia.







Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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