BUZINARO?

Atualizado: Abr 9

A estratégia "olavobolsonarista" faz parte da pandemia retrograda, decorrente dos insucessos econômicos da social democracia e neo liberalismo.


A social democracia e neo liberalismo foram os executores da globalização, viabilizada pela tecnologia de informação. O capital passou a circular pelo mundo atrás das melhores possibilidades de retorno. Com isso investimentos massivos foram feitos em países emergentes, com custos humanos, materiais e fiscais menores que os países já desenvolvidos. Isso redefiniu toda a cadeia produtiva global, propiciando a redução de custos dos bens manufaturados com um amplo aumento de escala e do mercado consumidor. Atualmente já estamos na fase seguinte deste processo, o fim da supremacia tecnológica dos países desenvolvidos.


Com isso houve uma redistribuição de trabalho e renda na população global, a qual afetou fortemente os países mais desenvolvidos em suas classes mais baixas. A massa populacional afetada, que está concentrada nas classes mais baixas foi substituída, na cadeia produtiva, pelos seus equivalentes nos países menos desenvolvidos, gerando um grande contingente de pessoas desocupadas, os marginais econômicos. Tempo livre, mente livre e temos a perfeita "oficina do diabo". Fanatismo religioso, radicalismo político, xenofobia, preconceitos, saudosismo idílico, zelotipia, recalcamento, baixa cultura, ufanismo, baixa autoestima e muito rancor começaram a ser cooptados por "lideranças" distópicas, oportunistas e carismáticas.


Estas lideranças ardilosas usam o método escolástico de falácias, sofismas e silogismos, que funciona muito bem com as classes mais baixas. Temos então os gurus, mitos e heróis apedeutas, gananciosos e sórdidos, ironicamente sendo os "defensores do bem". Os seus liderados funcionam como milícias religiosas do passado, similares a Santa Inquisição, Templários e outros, usando as imposturas e o terror como ferramentas divinas. Basicamente não passam de caudilhos, com seus acaudilhados, querendo conquistar o poder e o pecúlio, nenhuma magnanimidade.


Deste modo todos os "infiéis" são inimigos e denominados por eles como esquerda, enquanto se denominam como direita.


É a política da Pós-Verdade, quando os apelos a emoção, a crenças e a ideologias tem mais influência em moldar a opinião pública que os fatos objetivos. Uma onda em que a arte da mentira está abalando as próprias fundações da democracia e do mundo como o conhecemos.


Tudo o que era muito improvável ocorreu: as eleições de Trump, Bolsonaro, o cetismo em relação ao aquecimento global, o terraplanismo, as campanhas contra vacinação, o Brexit, levar o Olavo de Carvalho a sério e a perseguição aos grupos que pensam o contrário. Foram acontecimentos que se basearam no poder de evocar os sentimentos das pessoas e desprezar o que é real. É uma época de mentiras, os chamados fatos alternativos.


A Pós-Verdade é diferenciada de uma longa tradição de mentiras políticas, pois usam o poder das novas tecnologias e das mídias sociais para manipularem, polarizarem e enraizarem opiniões. A resignação a isso não é uma opção, podemos e devemos nos defender e contra-atacar.


Porém não podemos deixar de compreender como este fenômeno está inserido dentro das táticas comandadas pelo establishment político. Ditadas por sociedades secretas, confrarias, religiões e organizações à sombra do Estado. Estas entidades não se tratam de algo secreto ou discreto, mas de uma guerra aberta, declarada e constante que nos distrai com sua tática de colocar socialistas contra liberais, esquerda contra direita, capitalismo vs comunismo etc. Formos divididos em torcidas de uma falsa disputa, e os que realmente vencem nem precisam entrar em campo, sempre estiveram juntos em um terceiro lado, que não está disputando nada, apenas nos ocupando enquanto mantém o poder.


São os grandes banqueiros e elites globais que dirigem o mundo. Não é a toa que eles se vendem como benevolentes e altruístas, há método nisso tudo: decidem as opções que você tem para votar, em que causas acredita em todos os aspectos. Deste modo temos que ter em mente que este fenômeno ocorreu com anuência deles.


Temos que demonstrar para estes grupos que este caminho será prejudicial a eles mesmos. E as redes sociais são o problema mas também a solução.


As elites têm que compreender que as redes sociais deram alcance a voz e as idéias de todos os tipos de líderes regressivos e embusteiros, que antes se limitavam a coisas pequenas como praças, igrejas, associações, festas, clubes etc. Também têm que compreender que os néscios são a maioria nas mesmas redes sociais. Desta forma é melhor contar com gente mais ética e civilizada, do que estes embusteiros regressivos, para liderar as legiões de ínscios, pois todos estarão nas redes sociais.


Em nossa realidade regional temos o caudilho "Jair Milícias Buzinaro" quase, que diariamente, é notícia por alguma sandice que fez ou falou: "Falem mal, mas falem de mim", Nicolau Maquiavel (1469-1527). A estratégia "olavobolsonarista" é atacar e desacreditar a imprensa séria e independente, porém "agradar" a imprensa "dependente". Enquanto se mantém em evidência na imprensa séria, que dá espaço amplo as suas "bernardices", as suas milícias virtuais seguem com a Pós-Verdade, na guerra contra os fatos com as Fake News. É uma "democracia ciborgue", ou seja: “Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim”, Millôr Fernandes (1923-2012).


Este é o "Jair Milícias Buzinaro" e sua estratégia de buzinar sempre para "estourar" a manada e pisotear quem estiver no caminho.

















Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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