CARPE SECUNDI!

Estou me aprofundando nos estudos e na pesquisa sobre Democracia Ciborgue. Por isso venho incluindo entre minhas leituras uma diversidade cada vez maior sobre temas satélites ao modelo que tem sido utilizado através, principalmente das redes sociais desde a metade desta década. Apesar dos buscadores também fazerem parte, desta metodologia política, as redes sociais é onde estão as pessoas para serem mineradas e moduladas.

Eu sempre acreditei que o astrólogo com primário completo, Olavo de Carvalho e mesmo seu “companheiro de armas” o blogueiro Steve Bannon, tinham algum mestre inspirador além da relação de ventriloquismo entre eles. E de fato cheguei à conclusão que eles são apenas “médiuns” que fazem “psicografias e incorporações” de alguém que já teve a prática, do que eles falam e escrevem, na vida.


E acreditem que pesquisando, cheguei à terra de mina avó paterna, Roma, mas bem antes dela, duzentos anos atrás e na história da Itália, como um todo, em termos sócios políticos, desde o Mussolini até os dias atuais.


O modus operandi da Pós-Verdade nas redes sociais tem suas origens conceituais no Carnaval. Desde a idade média, o Carnaval romano é a ocasião para o “povo” derrubar, de forma simbólica e por um tempo limitado, todas as hierarquias instituídas entre o poder e os “dominados”, entre o nobre e o trivial, entre o sagrado e o profano. Nesta festa os loucos viravam sábios, os reis mendigos e a realidade se confundem com a fantasia. Basicamente era um momento simbólico, inclusive com a eleição de um “rei”, que seria o substituto temporário das autoridades oficiais. O Carnaval, mesmo que Fake têm um espírito subversivo.


Na Itália, alguns anos atrás, um “jardineiro” (e não estou falando do filme Muito Além do Jardim), se tornou o novo presidente do conselho dos ministros. Ele era um quase anônimo, que por uma série de “fatores” favoráveis chegou ao topo do poder. Seu nome Giuseppe Conte.


Felizmente, no dia seguinte a nomeação desse desconhecido, a imprensa revelou a verdade sobre ele o “autodenominado” professor sem a menor experiência política. Jornais da Itália e do mundo inteiro revelaram que o currículo do professor citava formações acadêmicas quase todas falsas.


Porém o isso não desmotivou a ele e seus apoiadores, a maioria com jovens semi qualificados ou pessoas todas as idades, desqualificados, de dois movimentos italianos, o 5 Estrelas e da Liga do Norte, no caminho para o poder usando exatamente as mesmas técnicas que foram usadas também nas eleições de Trump, do Brexit e na eleição de Bolsonaro.


A técnica deles era basicamente promover um eterno carnaval, com utilização massiva da internet e redes sociais, atraindo foliões para o desfile. E como o Carnaval o povo adora isso.


Uma característica desde grupo, o Movimento 5 Estrelas, além dos currículos Fakes, são os quase anônimos sem currículo, como o nomeado Ministro do Trabalho aos 30 anos, sem sequer diploma acadêmico, mas como única experiência de trabalho foi como guia do estádio de futebol San Paolo de Nápoles. Este jovem ministro peculiar, foi o primeiro dos populistas carnavalescos italianos a protagonizar, premeditadamente, uma série de Fake News e gafes em série. Metodologia que se tornou padrão posteriormente.


Do mesmo grupo o político Matteo Salvino, que desde que assumiu a função de Ministro do Interior que tuitava diariamente para espalhar medo e incitar o ódio.


Os principais membros o governo eram do primeiro ao último desconhecidos do povo italiano. O ministro da saúde declarou que “não existiam famílias gays”. Um secretário de estado era adepto da teoria de que os aviões seriam utilizados pelos governos para espalhar na atmosfera, agentes químicos biológicos para envenenar a população.


O subsecretário do interior afirmava que a chegada dos americanos na Lua foi uma farsa. Por fim o secretário de relações Exteriores com a Europa, Luciano Barra Caracciolo começava ataques ao Euro, dizia que a União Europeia era a nova Alemanha nazista e criou a teoria Hazard Circular sobre conspirações de forças financeiras obscuras tinham comando sobre países.


No populismo carnavalesco italiano se espalhou e tomou uma forma de dança frenética que atropela e vira ao avesso todas as regras estabelecidas. Os defeitos e os vícios dos líderes populistas se transformam, aos olhos dos eleitores, em qualidades.


Sua inexperiência é prova de que eles não pertencem ao "circulo corrompido das elites". E sua incompetência é vista como garantia de autenticidade. As contínuas tensões que eles produzem em nível nacional e internacional ilustram sua independência, e as Fake News, que balizam sua propaganda são a marca de sua liberdade de espírito.


No mundo de Donald Trump, de Boris Johnson e de Jair Bolsonaro, cada novo dia nasce uma gafe, uma polêmica, a eclosão de um escândalo. Mal se está comentando um evento e esse eclipsado por outro, numa espiral infinita que catalisa a atenção e satura a cena midiática. Mas por traz deste modo oligofrênico, existe o trabalho de ideólogos e especialistas em Big Data, sem os quais esta turma nunca teria chegado ao poder.


Vamos conhecer como tudo isso começou.


A Democracia Ciborgue e a Pós-Verdade que conhecemos hoje começou em meados de 2006 praticamente junto com o nascimento do próprio Twitter, mas na Itália e não nos EUA.


Foi os italianos quem primeiro começaram a utilizar as bolhas de filtragem, câmeras de eco e marketing one-to-one das redes sociais com maestria para manipulação e modulação digitais. Basicamente com o Carnaval populista digital, voltados para os recalcados, resignados e disponíveis das redes sociais.


No início dos anos 2000 um especialista de marketing italiano (ex Olivetti a empresa das máquinas de escrever) chamado Gianroberto Casaleggio (já falecido) conheceu e contratou um comediante chamado Beppe Grillo, para o primeiro “avatar” de carne e osso de um partido algoritmo, o Movimento 5 Estrelas. O foco do Movimento apesar de usar a ideologia, tem muito pouco dela. São os nacionais-populistas imitando os movimentos dos anos sessenta ao contrário. Eles adotaram um estilo transgressor em sentido oposto: quebrar os códigos das “esquerdas” e do politicamente correto. Essa é a regra número um da estratégia de comunicação.


Para a Democracia Ciborgue, que se intitula também por Democracia Direta, o jogo não consiste em unir as pessoas em torno de denominador comum, mais ao contrário, em inflamar o maior número de grupelhos possíveis para, depois, adicioná-los à mesma modulação. Para conquista-los não vão convergir para o centro e sim para os extremos.


Eles cultivam a cólera de cada um, sem nenhuma preocupação com a coerência do coletivo, o algoritmo dilui as barreiras e rearticula o conflito do “povo” contra as “elites”. Evidentemente que eles alimentam sobre tudo as emoções negativas, pois estas garantem mais engajamento emocional.


Durante este continuo Carnaval das redes sociais não há lugar para expectadores, todos participam juntos da celebração desvairada do mundo ao avesso. Nenhum insulto ou piada é vulgar se contribui para a demolição da “ordem dominante” e sua substituição por um universo alternativo fictício. É um Carnaval com máscaras continuo na internet, no qual o anonimato tem efeito de desinibição. Os Trolls (Fakes / MAVs) são como polichinelos que jogam gasolina no fogo do Carnaval populista da Democracia Ciborgue.


Mesmo por trás do aparente absurdo da Pós-Verdade e suas Fake News, existe uma lógica bastante sólida, Do ponto de vista de seus políticos e investidores, não são um simples instrumento de propaganda. Elas são contrárias às informações verdadeiras e se constituem em um formidável vetor de coesão para mentes anuviadas e submissas. Assim os políticos que lucram com este modus operandi parecem homens de ação que constroem a sua própria realidade para responder os anseios de sua plateia em contínuos delírios carnavalescos.


Engana-se quem pensa que Trump, Bannon e a Alt Right são os originais, são apenas versões dos originais. E Bolsonaro, Olavo e a Bog Right brasileira então... Cópias das cópias.


O Movimento 5 Estrelas, junto com a Liga Norte da Itália, surfando na ondas “justiceiras” da Operação Mãos Limpas, que apesar dos excessos judiciais, conseguiu atingir de fato a corrupção corporativa em alguns pontos, conseguiram chegar ao poder na Itália usando muito antes dos demais, pelo mundo afora, a Democracia Ciborgue e a Pós-Verdade com manipulação e modulação digital algorítmica nas redes sociais.


Também fizeram uso farto de Trolls, perfis Anônimos e automações nas redes sociais propagando Fake News e uma série enorme de crimes virtuais impunemente.


O próprio blogueiro Steve Bannon é fã assumido do Movimento 5 Estrelas e esteve n vezes com eles na Itália.


No Brasil o incidente político da eleição de Bolsonaro, também surfando na onda “justiceira” da operação Lava Jato, com os mesmos excessos jurídicos da “Operação Mãos Limpas”, é muito similar ao que ocorreu na Itália. Sem contar é claro a comoção pelo atentado a vida do então candidato e o forte sentimento contra modus operandi tradicional do lulopetismo.


A característica básica destes grupos é não ter coerência alguma, se preocupar apenas com o momento nas redes sociais, fingir e modular engajamento nas mesmas redes e não se preocupar com as líquidas e certas penalizações judiciais, pelas quais todos terão que responder, no tempo da justiça, pois ou terão falecido pela razão da própria idade avançada ou são pessoas semi qualificadas incapazes de mensurar as consequências judiciais.


Como eles vivem em um estado carnavalesco de delírios constantes, apenas modulados por emoções negativas e informações falsas, não têm e menor noção de realidade dos arquitetos deste caos virtual que os manipulam.


Eles seguem a linha Carpe Secundi.

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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