CEGUEIRA MENTAL: UMA EPIDEMIA DIGITAL?

Após o Bolsonaro defecar pela boca um monte de asneiras ONU, seguido pelo Trump, fui observas as redes sociais, especificamente o Twitter que pela característica de micro blog e conteúdo raso, o mais adequado para a Democracia Ciborgue e Pós-Verdade, com a facilidade de integração das automações com Inteligências Artificiais, cheguei à conclusão que as vítimas nas bolhas precisam socorro / ajuda profissional psicológica e talvez até psiquiátrica em alguns casos.


Escrevo este texto no intervalo de outro bem mais longo: Neo Medievalismo Digital, no qual explico como chegamos a este estágio tecnológico-econômico-político maligno. Neste pequeno texto vamos falar do grupo de pessoas afetadas por esta epidemia digital.


Neste texto vamos recorrer novamente ao mundo da psicologia e psiquiatria, usando analogia com desordens mentais já conhecidas pela ciência, mas no caso estamos falando de personalidades virtuais, que podem ser humanos ou inteligências artificiais e, sendo humanos, podem apresentar os sintomas apenas no mundo virtual, não necessariamente apresentam os mesmos sintomas no mundo real. Portanto estamos no referindo a uma epidemia virtual.


Inicialmente vamos falar da Cegueira Mental.

Cegueira mental pode ser descrita como uma desordem cognitiva na qual um indivíduo é incapaz de atribuir estados mentais para si mesmo e para os outros. Como resultado dessa desordem, o indivíduo não está ciente do estado mental dos outros, ele também não é capaz de atribuir crenças e desejos aos outros. Esta habilidade de desenvolver uma consciência mental do que está na mente de uma pessoa é conhecida como Teoria da Mente (ToM - Theory of Mind, em inglês). Isto permite que atribuamos nosso comportamento e ações a vários estados mentais tais como emoções e intenções.


A cegueira mental é um estado onde o ToM não foi desenvolvido, ou se perdeu em um indivíduo. De acordo com a teoria, Tom está implícito em indivíduos neurotypical. Isto permite que fazer interpretações automáticas de eventos levando em consideração os estados mentais das pessoas, os seus desejos e crenças. Simon Baron-Cohen descreveu como um indivíduo sem um ToM iria perceber o mundo de uma maneira confusa e assustadora, levando a uma retirada da sociedade.


Uma abordagem alternativa para o prejuízo social observada em cegueira mental centra-se na emoção de assuntos. Com base na evidência empírica, Uta Frith concluiu que o tratamento de complexas emoções cognitivas é prejudicado em comparação com as emoções mais simples. Isto sugere que a emoção é um componente da cognição social que é separável da mentalização.


As reações das pessoas afetadas pela cegueira mental digital, resultante dos estímulos que sofrem por parte as inteligências artificiais, nos sistemas operacionais de seus celulares e redes sociais, pela Pós-Verdade da Democracia Ciborgue, é de acreditar cegamente nos discursos de figuras vis com Bolsonaro, Trump e Olavo de Carvalho. Cegos dentro de suas bolhas e anuviados pelos ecos em suas câmaras de ressonância, as pessoas percebem o mundo de uma maneira confusa e assustadora (pois estão sendo manipulados e modulados assim por algoritmos), teorias de conspirações, não acredite em ninguém, a verdade esta lá fora, fumante do sindicato das sombras etc. Deste modo esta cegueira mental leva estas pessoas a um estado de paranoia virtual, de modo que entram no modo fantasia virtual (psicológica) e acreditam fazer parte de “ligas da justiça” virtuais, compostas por super-heróis (muitos com identidades secretas), que se reuniram para defender o planeta das ameaças dos vilões com seus superpoderes virtuais.


Fantasia em psicologia é um mecanismo de defesa que consiste na criação de um sistema de vida paralelo, que existe apenas na imaginação de quem o cria, com o objetivo de proporcionar uma satisfação ilusória, que não é ou não pode ser obtida na vida real. Não pode ser confundida com a idealização, que cria um sistema em que se deseja viver, mas ao mesmo tempo, leva ao planejamento e a movimentação para que aquela idealização se torne realidade no futuro, o que acaba por implicar na tomada de decisões e mudanças realizadas no presente.


Estas pessoas, sofrendo com a cegueira mental virtual, acabam vivendo sonhos virtuais, similares aos sonhos diurnos freudianos, num mecanismo bastante semelhante ao que ocorre no mundo gamer e religioso. Avançando para Melanie Klein, em seu pensamento, esse tipo de "atividade lúdica dentro da pessoa é conhecida como 'fantasia inconsciente'. E essas fantasias são frequentemente muito violentas e agressivas. Elas são diferentes dos sonhos diurnos comuns ou 'fantasias'”. Ou seja: as fantasias inconscientes digitais são realmente violentas e agressivas, coisa que pode ser facilmente averiguada nas redes sociais, nos perfis bolsonaristas fanáticos, que vem seu político como seu “Fântaso” pessoal e vivem seus sonhos digitais com “Morfeu”, agora não um deus, mas como Inteligência Artificial, que toma a forma humana e é capaz de imitar mesmo as peculiaridades mais sutis de cada pessoa. Deste modo as pessoas com cegueira mental virtual acabam chegando num estágio “Afantasia”, conhecida também como imaginação cega. Isso tudo no mundo digital no qual estão vivendo.


Estas pessoas precisam ser tratadas com os mesmos recursos que foram utilizados para afetá-las mentalmente, a Inteligência Artificial.


Precisamos e profissionais em empresas, inclusive no sistema de saúde pública, já que a maioria da população não tem saúde complementar e recursos para pagar, atuando na área psicológica com utilização de Inteligências Artificiais supervisionadas em tratamentos psicológicos.


As novas doenças digitais não podem ser tratadas quantitativamente pela psicologia não digital, já que não haveria profissionais suficientes no planeta para tantas pessoas afetadas pela tríade sombria da IA: Big Data, Machine Learning e Deep Learning, que foram utilizadas pela tríade maligna digital-política-econômica da Democracia Ciborgue, com apoio das Big Techs com Google, Twitter, Facebook etc. As mídias de aluguel como Fox News, CNN Brasil, SBT, RedeTV, Record, Bandeirantes Jornal da Cidade Online, Terça Livre, Pleno News, redes evangélicas de rádio e televisão entre outras, são responsáveis por essa transferência destas Pós-Verdades para grupos ainda fora da internet. E também não podemos esquecer os influencers “gargantas de aluguel”, alguns até com passado de sucesso, mas a maioria bufões profissionais a serviço da disseminação destas epidemias digitais, os “Dementadores” da Democracia Ciborgue e Pós-Verdade.

Apps de ajuda psicológica a pessoas vitimadas que foram abduzidas pelas inteligências artificiais a serviço de investidores inescrupulosos, são urgentes. Precisamos de métodos científicos psicológicos para desintoxicar as mentes destas pessoas e aplicar terapias ocupacionais digitais, com Inteligências Artificiais psicólogas, para assistir estas pessoas completamente vulneráveis à alienação, já que não há vacina para isso.

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