CONSPIRAÇÕES?

Atualizado: Abr 14

Os tweets passados e repassados no Twitter pelos bolsonaristas são muito similares aos modelos utilizados em sites orates como: https://www.breitbart.com/, https://www.4chan.org/ e https://www.infowars.com/ dos EUA.


O mecanismo utilizado é bem similar ao que as religiões já utilizam á milênios: crendices, sensacionalismo e conspirações.


Para entender o tipo de conteúdo destas mídias temos que voltar ao descontinuado Jornal dos meus queridos vizinhos de condomínio, a família Frias: o “Noticias Populares” ou simplesmente NP, que desapareceu no início da internet. Foi um jornal que circulou em São Paulo entre 15 de outubro de 1963 e 20 de janeiro de 2001 e era conhecido por suas manchetes estrambólicas, violentas e sexuais. É considerado até hoje "sinônimo de heteróclito, crime, sexo e violência”. Seu slogan era "Nada mais que a verdade". O jornal era publicado pelo Grupo Folha, mesma empresa que publica os jornais Folha de São Paulo e Agora São Paulo e publicava o jornal Folha da Tarde. Foi criado por Jean Melle, imigrante da Romênia. Esse foi o pioneiro Brasileiro das Fake News, Pós-Verdade e Teorias das conspirações.


Este jornal conseguia atrair, como as religiões, a grande maioria das pessoas, que Nelson Rodrigues, citou no passado. Porém ele foi substituído pela internet, com sites como os citados no início do texto. Agora na internet estes conteúdos direcionados, como citou Umberto Eco, propicia aos seus seguidores ter alcance em suas dejeções orais para todos os outros idiotas de Nelson Rodrigues.


Por exemplo, Alex Jones, o apresentador texano dono do site https://www.infowars.com/, tem alcance de 100 milhões de pessoas pela internet, foi e é um dos principais apoiadores de Trump. Em menor proporção temos estorvos brasileiros como Olavo de Carvalho, Ratinho, Datena, Sikêra Junior, Russomano entre outros que se prestam ao mesmo papel de boquirrotos das parvoíces, conspirações, Fake News e Pós-Verdades. Sem falar os empresários religiosos com suas igrejas, pastores, emissoras de rádio, canais de TV, periódicos impressos e portais na internet. Toda essa gente, desde um Trump até um entregador de santinhos nas calçadas, vive do fato da grande maioria das pessoas terem capacidades de 65 para baixo na escala Wechsler. No Brasil até a CNN se tornou braço evangélico e de uma construtora responsável por obras públicas.


É esta gente, que a gente não vê são o que fazem este bolsonarismo que a gente vê!


Deste modo toda a tropa midiática bolsonarista, incluindo as redes sociais, está focada nestes tipos de mensagens para este tipo de público. A prioridade é para a emoção e não para à evidência, no mundo da Pós-Verdade Bolsonarismo. Essa inclinação se apoia na “assimilação tendenciosa”: avaliam a ambiguidade à luz das convicções já existentes. Estão inclinados a pensar que governos estão envolvidos em teorias da conspiração, com sigilo patológico, frequentemente com sigilo patológico. A série de TV Arquivos X exemplifica este sucesso de pensamento por um grande número de pessoas. As pessoas têm pré-disposição para estas teorias conspiratórias. A mais profunda destas predisposições é a crença religiosa. Assim quando a religião entra em conflito com a ciência, frequentemente a fé prevalece. É um mecanismo psicológico com milênios de assimilação cultural.


Em pouco ou nada adiantam textos como os meus, do Luciano Ayan, dos Jornalistas profissionais, tão pouco as lives dos influencers “do bem” e até programas de televisão de jornalismo sério. Pois estamos lidando com fanáticos, evangelizados pela igreja e / ou pelos velhacos da direita alternativa, por milênios usando mecanismos fixando teorias de conspirações que começaram com a figura do diabo, presente em todas as religiões sobre diversas formas. Talvez nem o diabo, seja o maior problema, mas o Bolsonaro ser o Deus e / ou Salvador para eles o seja.


Vamos agora conhecer uma das maiores armas da direita alternativa no uso da Pós-Verdade.


Teoria da conspiração


Teoria da conspiração, também chamada de teoria conspiratória ou conspiracionismo, é uma hipótese explicativa ou especulativa que sugere que há duas ou mais pessoas ou até mesmo uma organização que tem “tramado” para causar ou acobertar, por meio de planejamento secreto e de ação deliberada, uma situação ou evento tipicamente considerado ilegal ou prejudicial.


Desde meados dos anos 1960, o termo se refere a explicações que mencionam conspirações sem fundamento, muitas vezes produzindo suposições que contrariam a compreensão predominante dos eventos históricos ou de simples fatos.


Uma característica comum das teorias conspiratórias é que elas evoluem para incluir provas contra si próprias, de modo que se tornem não falseáveis e, como afirma Michael Barkun, "uma questão de fé em vez de prova". O termo "teoria da conspiração" adquiriu, portanto, um significado depreciativo e é muitas vezes usado para rejeitar ou ridicularizar crenças impopulares.


Os indivíduos formulam teorias conspiratórias para explicar, por exemplo, as relações de poder em grupos sociais e a existência percebida de forças malignas. Teorias da conspiração têm origens principalmente psicológicas ou sócio-políticas. As origens psicológicas propostas incluem projeção; a necessidade pessoal de tentar explicar "um evento significante com uma causa significante"; e o resultado de vários tipos e estágios de transtornos de pensamento (disposição paranoica, por exemplo), que vão desde as doenças mentais graves até as diagnosticáveis. Algumas pessoas preferem explicações sócio-políticas para não se sentirem inseguras ao se depararem com situações aleatórias, imprevisíveis ou, de outra forma, inexplicáveis. A crença em teorias da conspiração pode ser racional, de acordo com alguns filósofos.


De acordo com a obra Twentieth century words ("Palavras do Século 20"), de John Ayto, o termo "teoria da conspiração" era originalmente neutro e somente adquiriu uma conotação pejorativa em meados dos anos 1960, insinuando que o defensor da teoria possuísse uma tendência paranoica de achar que os eventos são influenciados por alguma agência secreta, maliciosa e poderosa. Em seu livro Teoria da Conspiração na América, publicado em 2013, o professor da Universidade do Estado da Flórida, Lance DeHaven-Smith, afirma que a expressão foi inventada na década de 1960, pela CIA, para desacreditar as teorias conspiratórias sobre o assassinato do ex-presidente norte-americano John F. Kennedy. No entanto, segundo Robert Blaskiewicz, professor assistente de pensamento crítico da Universidade de Stockton e ativista cético, tais informações já existiam "desde pelo menos 1997", mas por terem sido recentemente promovidas por DeHaven Smith, "os teóricos conspiracionistas passaram a citar seu trabalho como uma autoridade." Blaskiewicz pesquisou o uso do termo "teoria da conspiração" e descobriu que ele sempre teve um significado depreciativo, que era usado para descrever "hipóteses extremas" e especulações implausíveis, já desde os anos 1870.


Em resposta à reação acalorada sobre seu uso da expressão "teorias da conspiração" ao descrever especulações extremas a respeito do massacre de Jonestown — como as alegações de que a CIA estaria conduzindo "experimentos de controle mental" —, a professora da Universidade Estadual de San Diego, Rebecca Moore, disse: "Eles estavam com raiva porque eu havia chamado sua versão da verdade de teoria conspiratória... Em muitos aspectos, eles têm o direito de estar com raiva. O termo "teoria da conspiração" não é neutro. Ele é carregado de valores, levando consigo a condenação, a uma ridicularização e a rejeição. É bastante parecido com a palavra "culto" que utilizamos para descrever as religiões das quais não gostamos." Alternativamente, Moore descreve teorias da conspiração como "conhecimento estigmatizado" ou "conhecimento suprimido", que é baseado em uma "forte crença de que indivíduos poderosos estão limitando ou controlando o livre fluxo de informações para fins terríveis”.


Clare Birchall, do King's College de Londres, descreve teoria da conspiração como sendo uma "forma de interpretação ou conhecimento popular." Ao adquirir o título de "conhecimento", ela passa a ficar junto de outros meios "legítimos" de conhecimento. A relação entre conhecimento legítimo e ilegítimo, afirma Birchall, está muito mais próxima do que as rejeições comuns das teorias conspiratórias querem nos fazer acreditar. Outros conhecimentos populares incluem contos de abdução alienígena, fofocas, algumas filosofias da nova era, crenças religiosas e astrologia.


Escreveu Harry G. West: "Na Internet, os teóricos de conspirações são frequentemente desprezados como um grupo 'marginal', apesar de existirem indícios de que uma grande parcela dos norte-americanos atualmente — que costumam discutir sobre etnia, gênero, educação, ocupação e outras diferenças — dão credibilidade a certas teorias conspiratórias." West analisa essas teorias como uma parte da cultura popular americana, comparando-as com o ultranacionalismo e o fundamentalismo religioso.


Existem várias teorias conspiratórias não comprovadas de diferentes graus de popularidade que estão frequentemente relacionadas à, mas não se limitando a, planos governamentais clandestinos, elaborados tramas de assassinato, supressão de tecnologia e de conhecimentos secretos e outros supostos esquemas por trás de certos acontecimentos políticos, culturais ou históricos. Algumas têm sido tratadas com censura e com severas críticas por parte da lei, tal como a negação do Holocausto (ver: Críticas ao negacionismo do Holocausto). Elas costumam ir contra um consenso, ou não podem ser comprovadas pelo método histórico e, tipicamente, não são consideradas semelhantes às conspirações autênticas, como a pretensão da Alemanha de invadir a Polônia na Segunda Guerra Mundial.

Atualmente, as teorias da conspiração estão bastantes presentes na Web sob a forma de blogs e vídeos de YouTube, bem como nas mídias sociais. Se a Web aumentou ou não a prevalência dessas teorias, esta é uma questão que ainda precisa ser pesquisada. Estudou-se a presença e representação de teorias conspiratórias nos resultados de sistemas de busca, mostrando uma variação significativa em diferentes tópicos e uma ausência geral de links bem conceituados e de alta qualidade nos resultados.


Algumas Teorias da Conspiração Famosas


Marxismo cultural


O marxismo cultural, que teria sido difundido pela Escola de Frankfurt, seria uma estratégia usada pela esquerda mundial para destruir o cristianismo e a civilização ocidental. O pensamento do húngaro György Lukács e do italiano Antonio Gramsci é apontado como estando na origem do marxismo cultural.


Nova Ordem Mundial


A Nova Ordem Mundial é uma teoria da conspiração que afirma a existência de um suposto plano projetado para impor um governo único: coletivista, burocrático e controlado por setores elitistas e plutocráticos, etc. - em nível mundial. A teoria defende que tanto os eventos que são percebidos como significativos como os grupos que os provocam estariam sobre controle de um grupo poderoso, - um grupo pequeno, sigiloso e com grande poder - com objetivos maléficos para a maioria da população (ver: Pedras Guias da Geórgia).


Essa teoria conspiratória afirma que um pequeno grupo internacional de elites controla e manipula os governos, a indústria e os meios de comunicação em todo o mundo. A principal ferramenta que eles usam para dominar as nações são as sociedades secretas e o sistema de banco central.


Diferenças entre Conspiração Real e Teoria da Conspiração


Katherine K. Young escreve que "toda conspiração verdadeira teve pelo menos quatro elementos característicos: grupos — não indivíduos isolados; objetivos ilegais ou sinistros — não aqueles que poderiam beneficiar a sociedade como um todo; atos orquestrados — não uma série de ações espontâneas e casuais; e planejamento secreto — não uma discussão pública”.


As teorias envolvendo vários conspiradores que se comprovaram verdadeiras, como aquela que envolveu o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon e seus assessores, a qual visava acobertar o escândalo de Watergate, são geralmente referidas como "jornalismo investigativo" ou "análise histórica" em vez de teoria conspiratória.


Contraste com conspiração criminosa


Em direito penal, uma conspiração é um acordo entre duas ou mais pessoas que visa cometer um crime em algum momento no futuro. Conforme define um texto básico da academia de polícia dos Estados Unidos, "Quando um crime requer um grande número de pessoas, está formada uma conspiração." O professor de ciência política e sociologia, John George, da Universidade Central de Oklahoma, observa que, ao contrário das teorias conspiratórias propagadas por extremistas, as conspirações executadas dentro do sistema jurídico criminal exigem um alto nível de evidência, são geralmente de pequena escala e envolvem "um único evento ou questão".


Distinção da análise institucional


Noam Chomsky trata a teoria da conspiração como sendo mais ou menos o oposto da análise institucional, a qual se concentra principalmente no público, no comportamento de longo prazo das instituições de conhecimento público, como registrado, por exemplo, em documentos acadêmicos ou relatórios da grande mídia. A teoria conspiratória examina as ações de alianças secretas envolvendo indivíduos.


Psicologia da Teoria da Conspiração


A crença generalizada em teorias da conspiração se tornou um tema de interesse para sociólogos, psicólogos e especialistas em folclore desde pelo menos a década de 1960: quando séries de teorias conspiratórias surgiram ao redor do assassinato do presidente dos EUA, John F. Kennedy. O sociólogo Türkay Salim Nefes destaca a natureza política dessas teorias. Ele sugere que uma das características mais importantes destas explicações é sua tentativa de desvendar as relações de poder "reais, porém ocultas," em grupos sociais.


Para explicar forças malignas


O cientista político Michael Barkun, ao discutir o uso de "teoria da conspiração" na cultura norte-americana contemporânea, sustenta que este termo é usado para uma crença que explica um evento como sendo o resultado de um plano secreto de conspiradores excepcionalmente poderosos e astutos que visam atingir um fim malévolo. De acordo com Barkun, o apelo do conspiracionismo se dá em três formas:


Em primeiro lugar, as teorias da conspiração alegam explicar o que a análise institucional não pode. Elas parecem fazer sentido fora de um mundo que são (de outras maneiras) confusos.


Segundo, elas fazem isso de uma forma atrativamente simples, dividindo categoricamente o mundo entre as forças do bem e as forças do mal. Elas descobrem a origem de todo o mal através de uma única fonte, os conspiradores e seus agentes.


Terceiro, as teorias conspiratórias são frequentemente apresentadas como especiais, de conhecimento secreto desconhecido ou não apreciado por outras pessoas. Para seus teóricos, as massas não passam de rebanho que sofreu lavagem cerebral, enquanto que eles, possuidores do saber, podem se parabenizar por terem descoberto as enganações dos conspiradores.


Tipos de Teorias da Conspiração


As cinco formas de Walker


Em 2013, o editor da revista Reason, Jesse Walker, desenvolveu uma tipologia histórica de cinco tipos básicos de teorias conspiratórias:

O "Inimigo Externo" baseia-se em figuras diabólicas e se mobiliza fora da comunidade tramando contra ela.


O "Inimigo Interno" compreende os conspiradores escondidos dentro do país, indistinguíveis dos cidadãos comuns.


O "Inimigo de Cima" envolve pessoas poderosas que manipulam o sistema para seus próprios benefícios.


O "Inimigo de Baixo" apresenta as classes mais baixas preparadas para romperem as suas limitações e subverter a ordem social.


As "Conspirações Benevolentes" são forças angelicais que trabalham nos bastidores para melhorar o mundo e ajudar as pessoas.


Os três tipos de Barkun


Desenho conspiracionista antissemita e antimaçom, representando a França católica sendo conduzida por judeus e maçons.


Barkun (discutido acima) classificou, em ordem crescente de largura, os tipos de teorias da conspiração, como se segue:


Teorias conspiratórias de eventos. A conspiração é considerada responsável por um ou um conjunto de eventos limitados discretos. Alega-se que as forças conspiratórias têm focado suas energias em um objetivo limitado e bem definido. O exemplo mais conhecido no passado recente são as teorias sobre uma conspiração que supostamente causou o assassinato de Kennedy, como refletidas em sua literatura. Materiais semelhantes têm sido desenvolvidos discutindo as conspirações como sendo a causa para os ataques de 11 de setembro, a queda do voo 800 da TWA e a disseminação de Aids na comunidade negra (ver: Operação INFEKTION).


Teorias conspiratórias sistemáticas. Acredita-se que a conspiração possua grandes objetivos, normalmente concebidos para garantir o controle de um país, uma região ou até mesmo do mundo. Enquanto os objetivos se movem, a máquina conspiratória é geralmente simples: uma única organização do mal programa um plano para se infiltrar e subverter as instituições existentes. Este é um cenário comum em teorias da conspiração que se focam nos supostos tramas envolvendo maçons, a Igreja Católica, ou judeus-maçons-comunistas assim como as teorias centradas no comunismo (perigo vermelho) ou no capitalismo internacional.


Super teorias conspiratórias. São as construções conspiratórias nas quais se acredita que múltiplas conspirações estejam interligadas de forma hierárquica. As sistemáticas e as de eventos estão unidas de maneiras complexas, de modo que as conspirações estejam encaixadas uma na outra. No topo da hierarquia situa-se uma força distante, porém poderosa, que manipula fatores conspiratórios menores. As super teorias da conspiração tiveram um particular crescimento desde os anos 1980, o que se reflete no trabalho de autores como David Icke e Milton William Cooper.


Rothbard: superficial versus profundo


Caracterizado por Robert W. Welch, Jr. como "um dos poucos grandes estudiosos que endossa abertamente a teoria da conspiração", o economista Murray Rothbard fez uma defesa das teorias conspiratórias "profundas" versus as "superficiais". Segundo Rothbard, um teórico "superficial" observa um evento questionável ou potencialmente obscuro e pergunta cui bono? ("Quem se beneficia?"), chegando à conclusão de que um evidente beneficiário é de fato responsável por eventos secretamente influenciáveis. Por outro lado, o teórico conspiracionista "profundo" começa com um palpite suspeito, mas vai mais longe à busca de evidências respeitáveis e verificáveis. Rothbard descreveu a sabedoria de um teórico profundo como se estivesse "essencialmente confirmando sua paranoia precoce através de uma análise factual mais profunda".


Conspiracionismo como visão de mundo


O trabalho acadêmico sobre teorias da conspiração e conspiracionismo (a visão de mundo que coloca as teorias conspiratórias no centro do desenrolar da história) apresenta uma série de hipóteses como base para o estudo do gênero. De acordo com Berlet e Lyons, "Conspiracionismo é uma forma de narrativa particular de culpabilização que enquadra inimigos demonizados como sendo parte de uma vasta conspiração traiçoeira contra o bem comum, ao mesmo tempo em que valoriza o bode expiatório como um herói por ter soado o alarme.”.


O historiador Richard Hofstadter abordou o papel da paranoia e do conspiracionismo ao longo da história americana em seu ensaio O Estilo Paranoico na Política Americana, publicado em 1964. O clássico As Origens Ideológicas da Revolução Americana (1967), de Bernard Bailyn, observa que um fenômeno semelhante pode ser encontrado nos EUA, durante o tempo que antecede a Revolução Americana. O conspiracionismo classifica as atitudes das pessoas, bem como o tipo de teorias conspiratórias que são mais gerais e históricas em proporção.


O termo "conspiracionismo" foi ainda mais popularizado pelo acadêmico Frank P. Mintz na década de 1980. Segundo Mintz, o conspiracionismo designa "a crença na primazia de conspirações no decorrer da história":


“O conspiracionismo atende às necessidades de diversos grupos políticos e sociais nos Estados Unidos e em outros lugares. Ele identifica elites, culpa-as por catástrofes econômicas e sociais, e assume que as coisas serão melhores depois que uma ação popular puder removê-las das posições de poder. Como tal, teorias da conspiração não tipificam uma época ou ideologia particular.”


Ao longo da história humana, líderes políticos e econômicos tem sido verdadeiramente a causa de enormes quantidades de morte e miséria e, algumas vezes, se envolviam em conspirações, ao mesmo tempo em que promoviam teorias conspiratórias sobre seus alvos. Hitler e Stalin são os exemplos mais proeminentes do século XX ao alegarem que suas vítimas conspiravam contra o Estado; existiram inúmeros outros. Em alguns casos, houve alegações descartadas como se fossem teorias da conspiração e que, mais tarde, se provaram ser verdadeiras. A ideia de que a própria história seja controlada por grandes conspirações de longa data é rejeitada pelo historiador Bruce Cumings:


“Contudo, se existirem conspirações, elas raramente movimentam a história; elas fazem uma diferença nas margens, de tempos em tempos, mas com as consequências imprevisíveis de uma lógica que está fora do controle de seus autores: e é isso que está errado com 'teoria da conspiração'. A História é movida pelas amplas forças e grandes estruturas de coletividades humanas.”


Justin Fox, da Revista Time, dá uma justificativa pragmática de conspiracionismo. Ele diz que os comerciantes de Wall Street estão entre o grupo de pessoas que mais possui espírito conspiracionista e atribui isso à realidade de algumas conspirações do mercado financeiro e à capacidade que as teorias da conspiração possuem de fornecer a orientação necessária nos movimentos do dia-a-dia do mercado. A maioria dos bons repórteres investigativos é também teórica da conspiração, segundo Fox; e algumas das teorias deles se provaram ser ao menos parcialmente verdadeiras.


Países “conspiracionistas”


Estados Unidos


Uma das teorias da conspiração mais divulgadas afirma que os ataques de 11 de setembro de 2001 foram facilitados pela administração de George W. Bush, com a finalidade de dar aos Estados Unidos um pretexto para iniciar as guerras contra Afeganistão e Iraque, promover restrições aos direitos civis no país (Ato Patriota) e, iniciar ações de espionagem em larga escala (ver: Teorias conspiratórias sobre os ataques de 11 de setembro de 2001 e 9/11 Truth Movement).


"Alguns historiadores lançaram a ideia de que, mais recentemente, os Estados Unidos se tornou o lar das teorias conspiratórias, porque muitas conspirações proeminentes de alto nível têm sido empreendidas e descobertas desde a década de 1960." A existência de tais conspirações verdadeiras ajuda a alimentar a crença em teorias da conspiração.


Oriente Médio


As teorias da conspiração são uma característica marcante da cultura e política árabe. Prof. Matthew Gray escreve que elas "são um fenômeno comum e popular." "O conspiracionismo é um fenômeno importante para a compreensão da política do Oriente Médio árabe..." Variantes incluem conspirações que envolvem colonialismo, sionismo, superpotências, petróleo e a Guerra ao Terrorismo, a qual pode ser referida como uma guerra contra o Islã. Roger Cohen teoriza que a popularidade das teorias conspiratórias no mundo árabe é "o último refúgio dos mais fracos", e Al-Mumin Disse observou o perigo que tais teorias "não apenas nos impede de chegar à verdade, como também de confrontar nossos erros e problemas...".


Prevalência Atual


Alguns estudiosos argumentam que as teorias da conspiração, que eram limitadas a públicos marginais, se tornaram comuns nos meios de comunicação de massa, contribuindo para que o conspiracionismo emergisse como um fenômeno cultural nos Estados Unidos, entre o final do século XX e início do XXI. Segundo os antropólogos Todd Sanders e Harry G. West, evidências sugerem que um amplo setor dos estadunidenses hoje dá credibilidade a algumas teorias conspiratórias. A crença nessas teorias tornou-se, assim, um tema de interesse para sociólogos, psicólogos e especialistas em folclore.


Origens psicológicas


De acordo com alguns psicólogos, uma pessoa que crê em uma teoria da conspiração tende a acreditar em outras.


Outros psicólogos acreditam que a busca pelo sentido da vida é comum no conspiracionismo e para o desenvolvimento de teorias conspiratórias e pode ser por si só, poderoso o suficiente para levar à primeira formulação da ideia. Uma vez conhecidos, o viés de confirmação e a fuga de dissonância cognitiva podem reforçar a crença. Em um contexto onde uma teoria da conspiração se tornou popular dentro de um grupo social, o reforço comunal pode igualmente desempenhar um papel. Algumas investigações feitas na Universidade de Kent (Reino Unido) sugerem que as pessoas podem ser influenciadas por teorias da conspiração sem estarem cientes de que suas atitudes mudaram. Após lerem teorias conspiratórias populares a respeito da morte de Diana, Princesa de Gales, os participantes deste estudo estimaram corretamente o quanto as atitudes de seus pares se alteraram, porém, subestimou significativamente o quanto suas próprias atitudes haviam mudado para ficarem mais a favor das teorias.


Os autores concluem que as teorias conspiratórias podem, assim, possuir um "poder oculto" para influenciar as crenças das pessoas.


Um estudo publicado em 2012 também constatou que teóricos de conspiração acreditam frequentemente em múltiplas conspirações, mesmo quando uma contradiz a outra. Por exemplo, pessoas que acreditam que Osama Bin Laden foi capturado vivo pelos americanos também estão propensas a acreditar que, na realidade, Bin Laden havia sido morto antes da invasão de 2011 a sua casa em Abbottabad, Paquistão, apontou o estudo.


Em um artigo científico de 2013 publicado na revista Scientific American Mind, o psicólogo Sander van der Linden argumenta que existem evidências científicas convergentes de que (1) as pessoas que acreditam numa conspiração são susceptíveis a aderirem a outras (mesmo quando contraditórias entre si); (2) em alguns casos, a ideação conspiratória tem sido associada com a paranoia e esquizotipia; (3) as visões de mundo conspiracionistas tendem a provocar a desconfiança de princípios científicos bem estabelecidos, como a associação entre tabagismo e câncer ou entre o aquecimento global e as emissões de CO2; e (4) a ideação conspiratória geralmente leva as pessoas a verem padrões onde não existem. Van der Linden também cunhou o termo O Efeito Conspiratório (em inglês: The Conspiracy-Effect).


Psicólogos humanistas sustentam que, apesar do conluio por trás da conspiração ser quase sempre percebido como hostil, frequentemente a ideia da teoria conspiratória apresenta um elemento de tranquilidade aos seus crentes. Isso se deve, em parte, ao fato de que é mais consolador pensar que as complicações e transtornos em assuntos humanos são criados pelos próprios seres humanos, em vez de por fatores que fogem do controle humano. A crença em uma conspiração é um dispositivo mental que seu crente utiliza para se assegurar de que certos feitos e circunstâncias não são resultado do acaso, mas originados por uma inteligência humana. Isso torna tais ocorrências compreensíveis e potencialmente controláveis. Se uma associação secreta está envolvida numa sequência de acontecimentos, sempre existe a esperança, ainda que fraca, de ser capaz de interferir nas ações do grupo conspirador, ou para se juntar a ele e exercer um pouco desse mesmo poder. Por último, a crença no poder de uma conspiração é uma afirmação implícita da dignidade humana — uma confirmação, muitas vezes inconsciente, porém necessária, de que o homem não é um ser totalmente indefeso e sim responsável, ao menos em certa medida, pelo seu próprio destino.


Projeção


Alguns historiadores defendem que existe um elemento de projeção psicológica no conspiracionismo. Esta projeção, de acordo com o argumento, se manifesta sob a forma de atribuição de características indesejáveis do ser aos conspiradores. O historiador Richard Hofstadter, em seu ensaio "O Estilo Paranoico na Política Americana", afirma que:


“É difícil resistir à conclusão de que este inimigo seja, em muitos aspectos, a projeção do ser; tanto o ideal quanto os aspectos inaceitáveis do ser são atribuídos a ele. O inimigo pode ser o intelectual cosmopolita, mas a paranoia o excederá no aparato do conhecimento... a Ku Klux Klan imitou o catolicismo a ponto de vestir trajes sacerdotais, desenvolvendo um elaborado ritual e uma hierarquia igualmente elaborada. A John Birch Society simula células comunistas e operação quase secreta através de grupos "de frente" e realiza uma perseguição sem piedade de guerra ideológica seguindo linhas muito parecidas com as que encontram no inimigo comunista. Porta-vozes de várias cruzadas anticomunistas fundamentalistas expressam abertamente sua admiração pela dedicação e disciplina que a causa comunista suscita".


Hofstadter também notou que a "liberdade sexual" é um vício frequentemente atribuído ao grupo alvo do conspiracionista, observando que "muitas vezes as fantasias de verdadeiros crentes revelam fortes fugas sadomasoquistas, vivamente expressadas, por exemplo, no prazer que os antimaçônicos sentem com a crueldade de castigos maçônicos".


Um estudo de 2011 descobriu que pessoas altamente maquiavélicas são mais propensas a acreditar em teorias da conspiração, uma vez que elas próprias estariam mais dispostas a se envolverem numa conspiração quando colocadas na mesma situação que os supostos conspiradores.


Viés epistêmico


De acordo com a Sociedade Britânica de Psicologia, é possível que certos vieses epistêmicos humanos básicos se projetem no material em análise. Um estudo citado pelo grupo descobriu que as pessoas aplicam uma regra geral por meio da qual esperam que um acontecimento significante tenha uma causa significante. O estudo ofereceu aos sujeitos quatro versões de acontecimentos nos quais um presidente estrangeiro (a) foi assassinado com sucesso, (b) foi ferido, mas sobreviveu, (c) sobreviveu com ferimentos, mas morreu de um ataque cardíaco em uma data posterior, e (d) saiu ileso. Os sujeitos tenderam em maior medida a suspeitar de conspiração nos casos dos "acontecimentos importantes" (aqueles em que o presidente morre) do que nos outros casos, apesar de que todas as outras evidências disponíveis a eles fossem às mesmas. Ligado à apofenia, tendência genética que os seres humanos têm de encontrar padrões de coincidência, isso permite a descoberta de conspiração em qualquer evento significativo.


Outra regra epistêmica geral que pode ser aplicada a um mistério envolvendo outras pessoas é a cui bono? (quem se beneficia?). Esta sensibilidade a motivos ocultos de outras pessoas pode ser uma característica evolutiva e universal da consciência humana.


Psicologia clínica


Para alguns indivíduos, uma compulsão obsessiva em acreditar, provar ou repetir uma teoria conspiratória pode indicar uma ou uma combinação de condições psicológicas bem compreendidas e outras hipotéticas, como: paranoia, negação, esquizofrenia, síndrome do mundo vil.


Origens sócio-políticas


Christopher Hitchens representa as teorias da conspiração como "fumos exaustos da democracia", o resultado inevitável de uma grande quantidade de informações que circulam entre um alto número de pessoas.


Descrições conspiracionistas podem ser emocionalmente satisfatórias quando elas colocam eventos em um contexto moral facilmente compreensível. O adepto da teoria é capaz de atribuir responsabilidade moral por um acontecimento ou situação emocionalmente perturbadora a um grupo de indivíduos claramente concebido.


Crucialmente, tal grupo não inclui o crente. O crente pode então se sentir desculpado de qualquer responsabilidade moral ou política, já que corrigir qualquer falha institucional ou social poderia ser a fonte efetiva da dissonância. Da mesma forma, Roger Cohen, em um op-ed para o New York Times, propôs que "mentes cativas... recorrem à teoria da conspiração, porque é o último refúgio do fracassado. Se você não pode mudar sua própria vida, deve ser porque alguma força maior controla o mundo".


Onde o comportamento responsável é impedido pelas condições sociais ou está simplesmente além das capacidades de um indivíduo, a teoria da conspiração facilita a descarga emocional ou a clausura que tais desafios emocionais requerem (segundo Erving Goffman). Assim como os pânicos morais, as teorias conspiratórias ocorrem com mais frequência dentro de comunidades que estão enfrentando o isolamento social ou a perda de poder político.


Ao estudar explicações alemãs para as origens da Primeira Guerra Mundial, o historiador sociológico Holger Herwig descobriu que "Esses eventos considerados mais importantes são mais difíceis de compreender, pois eles atraem maior atenção por parte dos criadores de mitos e charlatães".


Esse processo normal pode ser desviado por certo número de influências. A nível individual, forçar necessidades psicológicas pode influenciar o processo, e algumas de nossas ferramentas mentais universais podem impor "pontos cegos" epistêmicos. A nível sociológico ou de grupo, fatores históricos podem tornar o processo de atribuir significados satisfatórios mais ou menos problemático.


Alternativamente, as teorias da conspiração podem surgir quando as evidências disponíveis no registro público não correspondem com a versão comum ou oficial de eventos. Neste sentido, as teorias conspiratórias podem, às vezes, servirem para destacar os "pontos cegos" nas interpretações comuns ou oficiais dos eventos.

Influência da teoria crítica


O sociólogo francês Bruno Latour sugere que a grande popularidade de teorias da conspiração na cultura de massa pode ser devida, em parte, à presença da teoria crítica de inspiração marxista e de ideias semelhantes na academia, desde os anos 1970.


Latour observa que cerca de 90% da crítica social contemporânea na academia exibe uma de duas abordagens que ele chama de "a posição de fato e a posição de contos." A posição de fato é antifetichista e sustenta que "objetos de crença" (por exemplo, religião, artes) são apenas conceitos sobre os quais o poder é projetado; Latour afirma que aqueles que usam esta abordagem exibem tendências no sentido de confirmar as suas próprias dúvidas dogmáticas como sendo em sua maioria "apoiadas cientificamente".

Embora os fatos completos da situação e metodologia correta sejam ostensivamente importantes para eles, Latour propõe que o processo científico é, em vez disso, oferecido como uma patina as teorias preferidas de alguém, a fim de dar um ar de reputação elevada. A "posição de contos" defende que os indivíduos são dominados, muitas vezes secretamente e sem o seu conhecimento, por forças externas (por exemplo, economia, gênero). Latour conclui que cada uma dessas abordagens na Academia conduziu a um ambiente polarizado e ineficiente, destacado (em ambas) pela sua mordacidade. "Você vê agora por que é tão bom ter uma mente crítica?", pergunta Latour: não importa que posição você escolha, "Você está sempre certo!".


Latour assinala que este tipo de crítica social tem sido apropriado por aqueles que ele descreve como sendo teóricos de conspiração, incluindo os negacionistas das mudanças climáticas e o Movimento pela Verdade sobre 11 de setembro: Talvez eu esteja levando as teorias da conspiração a sério demais, mas é que estou preocupado em detectar, nessas misturas loucas de descrença sem reflexão séria, exigências meticulosas por provas e o uso livre de explicações poderosas tiradas da "Terra do Nunca", muitas das armas.


Tropos dos meios de comunicação


Paul Joseph Watson e Alex Jones, dois conhecidos teóricos da conspiração.

Comentaristas dos meios de comunicação notam regularmente uma tendência nas mídias de notícias e de cultura popular para compreender acontecimentos através do prisma de agentes individuais, em oposição a notícias estruturais ou institucionais mais complexas. Caso se trate de uma observação correta, pode-se esperar que a audiência que demanda e consome esta ênfase seja mais receptiva a informações personalizadas e dramáticas de fenômenos sociais.


Um segundo tropo da mídia, talvez relacionado, é o esforço em atribuir responsabilidades individuais a acontecimentos negativos. Os meios de comunicação têm a tendência de iniciar a busca por culpados, caso ocorra um acontecimento que seja de tamanha importância, e acabam não tirando o assunto da agenda de notícias por vários dias. Seguindo a mesma linha, tem-se dito que o conceito de puro acidente já não é mais permitido em um artigo de notícias.


Paranoia da fusão


Michael Kelly, um jornalista do Washington Post e crítico dos movimentos antiguerra, tanto de esquerda quanto de direita, cunhou a expressão "paranoia da fusão" para se referir a uma convergência política entre ativistas de esquerda e direita em torno das questões antiguerra e liberdades civis que, segundo ele, eram motivadas por uma crença compartilhada no conspiracionismo ou em visões antigovernamentais.

Barkun adotou esse termo para fazer referência ao modo como à síntese de teorias conspiratórias paranoicas, que um dia já foram limitadas apenas ao público marginal norte-americano, forneceu atração para as massas, possibilitando que as teorias se tornassem comuns nos meios de comunicação de massa, inaugurando assim um período inigualável de pessoas se preparando ativamente para cenários apocalípticos ou milenaristas nos Estados Unidos, do fim do século XX e princípios do XXI. Barkun observa a ocorrência de conflitos que envolvem lobos-solitários com a aplicação da lei, que agem como intermediários para ameaçar os poderes políticos estabelecidos.

Uso político


“Teorias da conspiração existem no reino dos mitos, onde as imaginações correm à solta, temem-se fatos de superação e onde as evidências são ignoradas. Como uma superpotência, os Estados Unidos é muitas vezes traçado como um vilão nestes dramas. Teoria da conspiração”.


Em seu livro A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, Karl Popper utiliza o termo "teoria da conspiração" para criticar ideologias que conduzem ao historicismo. Popper argumenta que o totalitarismo foi fundado em cima de teorias conspiratórias que recorriam a complôs imaginários conduzidos por cenários paranoicos baseados no tribalismo, chauvinismo ou racismo. Popper não argumenta contra a existência de conspirações cotidianas (como se sugeria incorretamente em muita da literatura posterior). Popper usa até mesmo o termo "conspiração" para descrever atividades políticas ordinárias na Atenas clássica de Platão (que era o alvo principal de seu ataque na obra).


Em sua crítica aos totalitarismos do século XX, Popper escreve: "Não quero dar a entender que as conspirações nunca ocorrem. Ao contrário, são fenômenos sociais típicos." Reiterou seu ponto: "Conspirações ocorrem, é preciso admitir. Mas, apesar de suas ocorrências, o fato marcante que refutou a teoria da conspiração é que foram poucas as conspirações que tiveram êxito. Os conspiradores raramente consomem sua conspiração".


Durante a Guerra Fria, a União Soviética disseminou teorias conspiratórias para confundir e induzir governos ocidentais ao erro. Por meio de medidas ativas (estratégias de guerra política), a KGB criou teorias para desacreditar e difamar os Estados Unidos e, dentre as quais, destacam-se: a operação INFEKTION (que lançou sobre os EUA a "culpa" pela "criação" do vírus da AIDS), a acusação de que o pouso da NASA na Lua em 1969 foi uma farsa e, a teoria de que o assassinato de John F. Kennedy fora um complô da CIA acusando o espião E. Howard Hunt de cumplicidade. Teorias conspiratórias disseminadas pela KGB, foram concebidas de forma tão convincente que, no século XXI, algumas ainda recebem crédito.


Em um artigo de 2009, os acadêmicos de direito Cass Sunstein e Adrian Vermeule consideraram apropriadas as respostas governamentais às teorias conspiratórias:

O que o governo pode fazer em relação às teorias da conspiração? Entre as coisas que podem ser feitas, o que ele deveria fazer? Podemos rapidamente imaginar uma série de possíveis respostas.


(1): O governo pode proibir a teorização de conspiração.


(2): O governo pode impor algum tipo de imposto, financeiro ou de alguma outra forma, sobre aqueles que disseminam tais teorias.


(3): O próprio governo pode se envolver em counterspeech (se posicionar publicamente contra tais teorias), juntando argumentos para desacreditar as teorias da conspiração.


(4): O governo pode formalmente contratar entidades privadas confiáveis para exercerem counterspeech.


(5): O governo pode envolver-se em uma comunicação informal com essas entidades, encorajando-as a ajudar.


Cada instrumento tem um conjunto distinto de efeitos potenciais ou custos e benefícios, e cada um terá um lugar sobre condições imagináveis. No entanto, a nossa principal ideia de política é que o governo deveria se envolver em infiltração cognitiva dos grupos que produzem teorias conspiratórias, que envolve uma mistura de (3), (4) e (5).


Concluindo


As armas desta turma da direita alternativa bolsolavista são, sobretudo, a falta de uma educação de qualidade para as massas, para que tenham capacidade de distinguir fantasias da realidade.


“Uma mente vazia é a oficina do Bolsolavo e seus asseclas”.

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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