DEMOCRACIA NO SÉCULO XXI?

Desde quando o mundo surgiu para mim, na fase da ditadura militar brasileira, este é, na minha visão, o período mais sombrio pelo qual passamos.


Com os movimentos neopopulistas na Europa, alimentados por regimes totalitários do leste europeu, Ásia e Oriente Médio, tanto economicamente quanto digitalmente, nuvens negras surgiram no horizonte democrático.


Vivemos uma guerra pela democracia, não lutada com armas convencionais e invasões territoriais, mas com muito dinheiro de investidores obscuros de regimes totalitários, aliado ao que existe de mais obsoleto na em termos de oligárquicas econômicas nos regimes democráticos.


A nova guerra é articulada em empresas de marketing digital, utilizando aplicativos para operações e monitoramento de redes sociais e mecanismos de busca na internet. Seus altos oficiais são psicólogos, sociólogos, antropólogos, historiadores, psiquiatras, cientista de dados, engenheiro de sistemas, técnicos de tecnologia de informação, analistas políticos, designers, produtores de vídeo e áudio. Reforçados por Big Data, e Inteligência Artificial com Learning Machine e Deep Machine e muito dinheiro dos investidores.

O campo de batalha são as bolhas de filtragem das redes sociais e dispositivos de busca, onde as pessoas se reúnem inconscientemente por suas características pessoais. Em duas “linhas de tempo”, as câmeras de eco, eles se ressonam e são moduladas ao redor de mensagens radicais, alinhadas aos seus valores pessoais, modulando as mensagens em onde, mas trazendo o conteúdo ao centro da onda onde esta linha que eles devem seguir.


Todas as redes sociais, bem como mecanismos de busca, apresentam sempre resultados que vão ao interesse do que as pessoas já acreditam: correto ou errado. E vão apenas isolando as mesmas de um mundo real, deixando que tenham a oportunidade de terem informações plurais e chegarem as suas próprias conclusões.


Estes grupos servem para que as redes sociais consigam direcionar seus clientes, empresas de varejo, serviços, marketing e outras para diversos “pastos” com o “tipo” de gado já dividido neles, obtendo resultados “one-to-one”, o marketing direto e personalizado, a pedra filosofal da publicidade.


O grupo que definiu Word Wide Web, nos idos anos oitenta, era de uma geração que se formou nos anos sessenta, no auge de cultura hippie da “paz e amor”, imaginando apenas o bem que a internet poderia fazer pela humanidade, mas não foi bem isso que aconteceu.


Como os livros, jornais, rádio e televisão a mesma começou com um número reduzido de pessoas e foi se massificando, o que atraiu interesses comerciais de empresas de várias indústrias como uma mídia de negócios, muito superior as suas antecessoras. Esta mídia, além de conhecer todos os detalhes das vidas dos possíveis clientes, ainda conseguia interagir diretamente com o mesmo em vários canais, como anúncios na TL e nas buscas, e-mails, SMS e até ligações feitas por Machine Learning da Inteligência artificial simulando que os possíveis clientes conversem com computadores, acreditando estar falando com um ser humano. O pior é que estamos a poucos passos de Machine Learning criar pessoas quase perfeitas, tanto que existem, quanto não existe para vídeos de coisas que nunca aconteceram ou aconteceram diferentes.


Lembrando que todas as permissões que vocês concedem em seus celulares, tais como localização, câmeras, microfone, vídeos, imagens, áudios, cadastros, atividades e muito mais são usadas 24 horas ao dia para lhe conhecer e lhe modular.


Todo este aparato de informações, que nem o estado possuir sobre você, nestas empresas privadas com acionistas obscuros está à venda para quem pagar por eles. Nestas redes você trabalha para as mesmas e ainda são os produtos que elas comercializam com seus clientes e não ganha um centavo por isso.


É então que entram as empresas de marketing digital, que podem trabalhar tanto para construir reputações quando para destruí-las, depende do objetivo de quem as contrata. E saiba, existem muitas delas, pois usar estas ferramentas de automações e medições ligadas às redes sociais e mecanismos de busca é coisa de programador formado pela vida. As conexões entre os sistemas estão todas prontas, basta ajustar alguns parâmetros e começar a trabalhar.


E estas empresas contratam aos montes serviços de empresas do leste europeu, Ásia, Oriente Médio e mais recentemente Oceania pata estas atividades envolvendo perfis falsos, automações e até “animadores de plateia” nas câmeras de eco: os Trolls.


Tudo isso faz parte de um plano para abalar à democracia norte-americana e europeia, que são obstáculos para oligarquias e governos totalitários russos, chineses, islâmicos entre outros conseguirem seus intentos de poder econômico sem obstáculos.


Juntando estes investidores aos empresários norte-americanos daquela linha nova “KKK” com os empresários religiosos ultraconservadores, que se sentem todos ameaçados, temos os políticos desta Direita Alternativa que são contraditórios em si mesmos.


O gado destes políticos são aquelas pessoas “esquecidas” pela evolução da economia, ciências e a sociedade, que se tornaram resignadas, medrosas (em relação às mudanças) e raivosas em relação aos agentes das mudanças. Em sua maioria são pessoas de classe média, com alguma estabilidade, comandadas por Trolls remunerados jovens (entre 25 e 35 anos), com limitações educacionais e sem mercado de trabalho, que enxergam neste ativismo remunerado suas últimas chances na vida. Já as pessoas de classe média, muito comumente ou estão ou tem seus familiares, que os provem, ligados (direta ou indiretamente) economicamente ao estado. Como estes políticos defendem estes sindicatos de servidores públicos e possuem muitos comissionados, são levadas a atuar como soldados rasos nas redes sociais para estes.


Outro grupo de pessoas, estes bem mais humildes financeira e culturalmente, são os grupos religiosos ligados a essa direita alternativa, aqueles possuem rádios, emissores de TV, Gravadoras de Música Gospel, e até empresas jornalísticas “chapas brancas” as "concessionárias". Tudo comprado mediante os capitais das igrejas praticamente não tributados e não fiscalizados ou auditados.


Dai vêm às bancadas da bala, bancadas evangélicas, bancada do boi, bancada do agro negócio, bancada do funcionalismo público etc. Todas bancadas por investidores interessados na manutenção de seus status quo, servidor a direita alternativa.


Todos estes agentes, foram recrutados pela Democracia Ciborgue da Alt Right, para disseminação de Pós-Verdades, Mal-Informações e desinformações. Promovem ataques de ódio orquestrados aos “inimigos” atuando anytime, anything e anywhere.


Apesar de se declararem Patriotas, Direita, Conservadores, Cristãos e Família, suas práticas pessoais, no geral estão bastante distantes de suas retóricas. Tanto nos políticos quanto nos correligionários.

Vou dar um exemplo de como essa gente funciona no mundo real. Resido em um condomínio horizontal, no qual tenho alguns vizinhos bolsonaristas que trabalham na iniciativa privada também bolsonarista, sindicalistas públicos e pastores. Frequentemente estes “patriotas” fazem “confraternizações” em suas casas, as quais de tão animadas à bebida, fumo, cantorias, gritos e todos os tipos imagináveis de ruídos e talvez estimulantes, ao quais violam horários e decibéis de leis municipais, estaduais e federais.


Eu habitualmente reclamo, dentro de meu direito, pois dentro de minha residência não sou obrigado a participar da poluição sonora da residência deles.


Vocês acreditam que hoje, um deles, um rola-bosta inquilino que mora em uma casa em leilão judicial e um casal daqueles que compõem as bases hierárquicas das pirâmides das empresas bolsonaristas em que trabalham, tiveram a desqualificação de me desrespeitar no grupo WhatsApp do condomínio me chamando de "chato" em frente a todos os demais. Isso porque eu estava tratando de problemas do condomínio do qual sou proprietário e tenho interesse. Um nem proprietário que está residindo em uma casa em leilão judiciai eminente. E o outro é um casal base de pirâmide hierárquica empresarial, daqueles que usam o e-mail da empresa para assuntos pessoais, dando as informações dos vizinhos para a segurança digital de suas empresas.


Eu como de hábito perguntei quem eles eram no LinkedIn, já que são MAV físicos, daqueles que você compra pelo que eles sabem e ganha muito dinheiro se os vender pelo que acham que sabem. Evidentemente não deram seus LinkedIn, bradaram ofensas e palavras de ódio e saíram do grupo. Felizmente estes três ínscios fizeram o que fizeram, pois estão de saída breve do condomínio. Mas seguem o modus operandi preconizado por Humberto Eco: Pessoas que deveriam estar bebendo em bares, falando asneiras aos seus semelhantes, agora estão falando asneiras nas redes sociais com autoridade de PHD e arrogância de Juízes do STF.


Eu ainda tive que escutar pérolas do QI abaixo de 40 da mais fragmentada dos três, de que “o meu problema é que eu fico cuidando da vida dos outros...”.


Seguindo este raciocínio eles podem fazer todo o tipo de barulho em suas casas e eu, dentro da minha tenho que tolerar todo o tipo de barulho produzidos nas casas deles que invadem a minha.


Citando Millôr Fernandes, para eles: Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim...


Estes são o bolsonaristas do mundo real, que agem destas mesmas maneiras nas redes sociais! Resignados, recalcados, medrosos e raivosos com suas vidas pessoais! E sem LinkedIn!

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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