ECONOMIA CIRCULAR!

Atualizado: 27 de Nov de 2020

Parte o Liberalismo Verde e do Sustentare (vide os meus textos aqui no neste site), a economia circular é um modelo econômico que faz parte do conceito do desenvolvimento sustentável e de conceitos econômicos modernos inspirados em noções de permacultura econômica, de economia verde, de economia de uso ou da economia de funcionalidade, da economia desempenho e da ecologia industrial, e que emerge como alternativa à economia linear tradicional. O que propõe são que os resíduos de uma indústria sirva para matéria-prima reciclada de outra indústria ou para a própria. Não só isso, como, pretende desenvolver produtos tendo em mente um reaproveitamento que mantenha os materiais no ciclo produtivo.

Os primórdios da economia circular, vieram com a Teoria Z, amplamente aplicada no Japão, inicialmente com os Zaibatsu substituído depois os Keiretsu. Quando começou seu processo industrial, o Japão, com sua pequena extensão territorial, sempre teve restrições de matéria prima, principalmente por conta de seu fechamento e participação na segunda guerra mundial. Deste modo, não por razões sócio-ambientais, mas por razões econômico-industriais, a economia circular foi uma das alternativas encontradas para suprir as limitações de matéria prima na economia japonesa.


Os keiretsu apresentam três características:


  • Cada um dispõe de um banco comercial em seu centro, acompanhado de uma ou mais companhias e indústrias.

  • Todos os keiretsu mantêm conselhos mensais de presidentes como um fórum para a integração entre o alto escalão das firmas afiliadas.

  • Costumam manter projetos executados entre as equipes de empresas participantes.


Ou seja, mesmo por razões não ambientais, há uma integração estratégica, tática e operacional entre as empresas, um pouco diferente dos modelos ocidentais, mais essencial para a Economia Circular.


O modelo de economia circular assume que os produtos e serviços têm origem em insumos da natureza, e que, no final da vida útil, retomam à natureza através de resíduos ou através de outras formas com menor impacto ambiental. Conforme idealizada por seus criadores, esta economia consiste num ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, optimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis dentro da cadeia de produtiva.


No estágio final, este modelo pretende acabar com ineficiências, ao longo ciclo de vida do produto, desde a extração das matérias-primas até à sua utilização, pelo consumidor, através de uma gestão mais eficiente dos recursos naturais, minimizando ou erradicando a criação de resíduos e prolongando, ao máximo, a vida útil e o valor do produto. Seu objetivo é manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor o tempo todo.


O objetivo desta estratégia passa também por reduzir produção de energia, aumentando assim a eficiência energética, adaptar de planos de mobilidade que privilegiem o transporte público, a mobilidade sustentável e as ciclovias e combater os excedentes.


Princípios


  1. Preservar e aumentar o capital natural.

  2. Optimizar a produção de recursos.

  3. Fechar os ciclos.

  4. Fomentar a eficácia do sistema.

  5. Promover um novo paradigma social.


Componentes


  1. Substituição de serviços físicos por serviços virtuais.

  2. Utilização de processos e produtos que impliquem menos recursos, dando prioridade à reutilização.

  3. Maior envolvimento social, consciencializando a comunidade para o uso eficiente dos recursos.

  4. Colaboração entre entidade e áreas de negócio distintas, de modo a melhorar o desempenho econômico.

Como?

A natureza sustenta toda a vida humana. Utilizamos o termo “capital natural” para reforçar a ideia de que a vida não-humana é responsável pela produção de recursos essenciais para a economia, não são apenas as atividades humanas que geram valor. Daqui decorrem duas ideias essenciais: quando a produção de bens e serviços tem como consequência a destruição dos ecossistemas (pensemos na poluição de um curso de água por uma fabrica têxtil, por exemplo), então é a própria vida humana que está a ser destruída – sobretudo a das gerações futuras, às quais vai faltar esse capital natural. Para assegurar a preservação do capital natural, há que penalizar as atividades destruidoras da natureza e promover aquelas que interferem o menos possível com o equilíbrio dos ecossistemas. Por outro lado, uma vez que as atividades produtivas humanas dependem do capital natural, ao reforçarmos os recursos naturais estamos a reforçar o potencial de crescimento sustentável da nossa economia. Por exemplo: a prática intensiva da monocultura degrada os solos. Reforçar a saúde dos solos equivale a trabalhar para a nossa própria segurança alimentar. Investir na natureza é investir numa economia saudável e resiliente.


Fazer circular produtos, componentes e materiais no mais alto nível de utilidade o tempo todo, tanto no ciclo técnico quanto no biológico.


Isso é sinônimo de projetar para a remanufatura, a reforma e a reciclagem, de modo que componentes e materiais continuem circulando e contribuindo para a economia.


Sistemas circulares usam circuitos internos mais estreitos sempre que preservam mais energia e outros tipos de valor, como a mão de obra envolvida na produção. Esses sistemas também mantêm a velocidade dos circuitos dos produtos, prolongando sua vida útil e intensificando sua reutilização. Por sua vez, o compartilhamento amplia a utilização dos produtos. Sistemas circulares também estendem ao máximo o uso de materiais biológicos já usados, extraindo valiosas matérias-primas bioquímicas e destinando-as a aplicações de graus cada vez mais baixos.


A ideia de ciclo está no coração da economia circular. Em vez de exigirem repetida extração de recursos naturais e de gerarem resíduos, a produção e o consumo deveriam ser, tanto quanto possível, auto sustentáveis. Por outras palavras, os ciclos econômicos deveriam ser, tanto quanto possível, fechados. Num ciclo econômico (tendencialmente) fechado, o desperdício não existe: os bens são reparados e reutilizados em vez de descartados, as matérias-primas provêm da reciclagem em vez da extração, e assim por diante.


Revelar as externalidades negativas e excluindo-as dos projetos. Isso inclui a redução de danos a produtos e serviços de que os seres humanos precisam, como alimentos, mobilidade, habitação, educação, saúde e entretenimento, e a gestão de externalidades, como uso da terra, ar, água e poluição sonora, liberação de substâncias tóxicas e mudança climática.


A economia circular, como a economia em geral, é menos uma questão de gestão e de cálculos do que de relações sociais, atitudes e desejos. A transição para a economia circular não se fará sem mudanças fundamentais de comportamento e de modos de pensar. Ser utilizador em vez de consumidor, partilhar em vez de acumular – estas novas (e velhas) formas de estar no mundo estão na base da construção de uma economia circular, e envolver a sociedade é fulcral.


Quem?


A União Europeia a Comissão européia ambiental tem adaptado, desde Dezembro de 2015, medidas destinadas a promover e a financiar este tipo de economia circular.


A agenda ESG (Environmental, Social, and Corporate Governance) adotada no mercado de capitais globalmente, inclusive no Brasil, está incluindo práticas e normatizações da Economia Circular através de diversas adequações indiretamente:


  • Integração do ESG ao nosso processo de investimento e gestão de risco do portfólio.

  • Criação de uma Política de Boas Práticas ASG.

  • Engajamento com as empresas do nosso universo de cobertura, buscando ajudá-las na agenda ESG.

  • Assinatura do PRI – Principles for Responsible Investment.

  • Participação no Conselho Consultivo da GRI (Global Reporting Initiative) no Brasil.

  • Assinatura do compromisso “Investidores Pelo Clima” (IPC).

  • Dois sócios do time de investimentos credenciados pelo SASB (Sustainability Accounting Standards Board).

  • Apresentação do SASB para as empresas do portfólio.

  • Preparação de relatórios para o SASB.

  • Neutralização das emissões de carbono.

Conclusões


Apesar da direita alternativa (sustentada basicamente por investidores especuladores do mercado financeiro que preferem empresas com agenda ESG), dos "Trumps e Bolsonaros" momentâneos "da vida", as coisas, no mundo corporativo empresarial sério, via instituições democráticas e econômicas globais, vem progredindo no âmbito da agenda ESG, incluindo o Brasil:


https://economia.estadao.com.br/noticias/governanca,bolsa-mudara-indice-de-sustentabilidade-criado-ha-15-anos-atras,70003417627


Os cães da direita conservadora predatória ambiental ladram muito, mas a caravana Verde está passando e eles estão ficando na estrada!