ECONOMIA CIRCULAR!

Parte o Liberalismo Verde e do Sustentare (vide os meus textos aqui no neste site), a economia circular é um modelo econômico que faz parte do conceito do desenvolvimento sustentável e de conceitos econômicos modernos inspirados em noções de permacultura econômica, de economia verde, de economia de uso ou da economia de funcionalidade, da economia desempenho e da ecologia industrial, e que emerge como alternativa à economia linear tradicional. O que propõe são que os resíduos de uma indústria sirva para matéria-prima reciclada de outra indústria ou para a própria. Não só isso, como, pretende desenvolver produtos tendo em mente um reaproveitamento que mantenha os materiais no ciclo produtivo.

Os primórdios da economia circular, vieram com a Teoria Z, amplamente aplicada no Japão, inicialmente com os Zaibatsu substituído depois os Keiretsu. Quando começou seu processo industrial, o Japão, com sua pequena extensão territorial, sempre teve restrições de matéria prima, principalmente por conta de seu fechamento e participação na segunda guerra mundial. Deste modo, não por razões sócio-ambientais, mas por razões econômico-industriais, a economia circular foi uma das alternativas encontradas para suprir as limitações de matéria prima na economia japonesa.


Os keiretsu apresentam três características:


  • Cada um dispõe de um banco comercial em seu centro, acompanhado de uma ou mais companhias e indústrias.

  • Todos os keiretsu mantêm conselhos mensais de presidentes como um fórum para a integração entre o alto escalão das firmas afiliadas.

  • Costumam manter projetos executados entre as equipes de empresas participantes.


Ou seja, mesmo por razões não ambientais, há uma integração estratégica, tática e operacional entre as empresas, um pouco diferente dos modelos ocidentais, mais essencial para a Economia Circular.


O modelo de economia circular assume que os produtos e serviços têm origem em insumos da natureza, e que, no final da vida útil, retomam à natureza através de resíduos ou através de outras formas com menor impacto ambiental. Conforme idealizada por seus criadores, esta economia consiste num ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, optimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis dentro da cadeia de produtiva.


No estágio final, este modelo pretende acabar com ineficiências, ao longo ciclo de vida do produto, desde a extração das matérias-primas até à sua utilização, pelo consumidor, através de uma gestão mais eficiente dos recursos naturais, minimizando ou erradicando a criação de resíduos e prolongando, ao máximo, a vida útil e o valor do produto. Seu objetivo é manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor o tempo todo.


O objetivo desta estratégia passa também por reduzir produção de energia, aumentando assim a eficiência energética, adaptar de planos de mobilidade que privilegiem o transporte público, a mobilidade sustentável e as ciclovias e combater os excedentes.


Princípios


  1. Preservar e aumentar o capital natural.

  2. Optimizar a produção de recursos.

  3. Fechar os ciclos.

  4. Fomentar a eficácia do sistema.

  5. Promover um novo paradigma social.


Componentes


  1. Substituição de serviços físicos por serviços virtuais.

  2. Utilização de processos e produtos que impliquem menos recursos, dando prioridade à reutilização.

  3. Maior envolvimento social, consciencializando a comunidade para o uso eficiente dos recursos.

  4. Colaboração entre entidade e áreas de negócio distintas, de modo a melhorar o desempenho econômico.

Como?

A natureza sustenta toda a vida humana. Utilizamos o termo “capital natural” para reforçar a ideia de que a vida não-humana é responsável pela produção de recursos essenciais para a economia, não são apenas as atividades humanas que geram valor. Daqui decorrem duas ideias essenciais: quando a produção de bens e serviços tem como consequência a destruição dos ecossistemas (pensemos na poluição de um curso de água por uma fabrica têxtil, por exemplo), então é a própria vida humana que está a ser destruída – sobretudo a das gerações futuras, às quais vai faltar esse capital natural. Para assegurar a preservação do capital natural, há que penalizar as atividades destruidoras da natureza e promover aquelas que interferem o menos possível com o equilíbrio dos ecossistemas. Por outro lado, uma vez que as atividades produtivas humanas dependem do capital natural, ao reforçarmos os recursos naturais estamos a reforçar o potencial de crescimento sustentável da nossa economia. Por exemplo: a prática intensiva da monocultura degrada os solos. Reforçar a saúde dos solos equivale a trabalhar para a nossa própria segurança alimentar. Investir na natureza é investir numa economia saudável e resiliente.


Fazer circular produtos, componentes e materiais no mais alto nível de utilidade o tempo todo, tanto no ciclo técnico quanto no biológico.


Isso é sinônimo de projetar para a remanufatura, a reforma e a reciclagem, de modo que componentes e materiais continuem circulando e contribuindo para a economia.


Sistemas circulares usam circuitos internos mais estreitos sempre que preservam mais energia e outros tipos de valor, como a mão de obra envolvida na produção. Esses sistemas também mantêm a velocidade dos circuitos dos produtos, prolongando sua vida útil e intensificando sua reutilização. Por sua vez, o compartilhamento amplia a utilização dos produtos. Sistemas circulares também estendem ao máximo o uso de materiais biológicos já usados, extraindo valiosas matérias-primas bioquímicas e destinando-as a aplicações de graus cada vez mais baixos.


A ideia de ciclo está no coração da economia circular. Em vez de exigirem repetida extração de recursos naturais e de gerarem resíduos, a produção e o consumo deveriam ser, tanto quanto possível, auto sustentáveis. Por outras palavras, os ciclos econômicos deveriam ser, tanto quanto possível, fechados. Num ciclo econômico (tendencialmente) fechado, o desperdício não existe: os bens são reparados e reutilizados em vez de descartados, as matérias-primas provêm da reciclagem em vez da extração, e assim por diante.


Revelar as externalidades negativas e excluindo-as dos projetos. Isso inclui a redução de danos a produtos e serviços de que os seres humanos precisam, como alimentos, mobilidade, habitação, educação, saúde e entretenimento, e a gestão de externalidades, como uso da terra, ar, água e poluição sonora, liberação de substâncias tóxicas e mudança climática.


A economia circular, como a economia em geral, é menos uma questão de gestão e de cálculos do que de relações sociais, atitudes e desejos. A transição para a economia circular não se fará sem mudanças fundamentais de comportamento e de modos de pensar. Ser utilizador em vez de consumidor, partilhar em vez de acumular – estas novas (e velhas) formas de estar no mundo estão na base da construção de uma economia circular, e envolver a sociedade é fulcral.


Quem?


A União Europeia a Comissão européia ambiental tem adaptado, desde Dezembro de 2015, medidas destinadas a promover e a financiar este tipo de economia circular.


A agenda ESG (Environmental, Social, and Corporate Governance) adotada no mercado de capitais globalmente, inclusive no Brasil, está incluindo práticas e normatizações da Economia Circular através de diversas adequações indiretamente:


  • Integração do ESG ao nosso processo de investimento e gestão de risco do portfólio.

  • Criação de uma Política de Boas Práticas ASG.

  • Engajamento com as empresas do nosso universo de cobertura, buscando ajudá-las na agenda ESG.

  • Assinatura do PRI – Principles for Responsible Investment.

  • Participação no Conselho Consultivo da GRI (Global Reporting Initiative) no Brasil.

  • Assinatura do compromisso “Investidores Pelo Clima” (IPC).

  • Dois sócios do time de investimentos credenciados pelo SASB (Sustainability Accounting Standards Board).

  • Apresentação do SASB para as empresas do portfólio.

  • Preparação de relatórios para o SASB.

  • Neutralização das emissões de carbono.

Conclusões


Apesar da direita alternativa (sustentada basicamente por investidores especuladores do mercado financeiro que preferem empresas com agenda ESG), dos "Trumps e Bolsonaros" momentâneos "da vida", as coisas, no mundo corporativo empresarial sério, via instituições democráticas e econômicas globais, vem progredindo no âmbito da agenda ESG, incluindo o Brasil:


https://economia.estadao.com.br/noticias/governanca,bolsa-mudara-indice-de-sustentabilidade-criado-ha-15-anos-atras,70003417627


Os cães da direita conservadora predatória ambiental ladram muito, mas a caravana Verde está passando e eles estão ficando na estrada!


Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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