FILÓSOFOS FAKES VIRTUAIS!

Eu não sou filósofo, apesar de ter lido várias obras de muitos deles, predominantemente associados à filosofia ocidental moderna, porém fiz algumas viagens literárias por outras filosofias:

- Filosofia grega antiga;

- Filosofia romana antiga;

- Filosofa medieval;

- Filosofia do oriente médio;

- Filosofia indiana;

- Filosofia budista;

- Filosofia hindu;

- Filosofia do leste asiático;

- Filosofia africana;

- Filosofia renascentista;

- Filosofia política;

- Filosofia analítica;

- Filosofia de South Park;

- Filosofia de Arquivo X;

- Filosofia de Star Trek;

- Filosofia dos Simpsons;

- Filosofia das redes sociais ou escatolavismo pascácio.


De uma maneira geral e simplista, podemos definir que a filosofia moderna é a filosofia desenvolvida na era moderna e associada à modernidade. Não é uma doutrina ou escola específica (e, portanto, não deve ser confundida com Modernismo), embora existam certas suposições comuns a grande parte dela, o que ajuda a distinguir da filosofia anterior, é caracterizada pela preponderância da epistemologia sobre a metafísica. A justificativa dos filósofos modernos para essa alteração estava, em parte, na ideia de que, antes de querer conhecer tudo o que existe, seria conveniente conhecer o que se pode conhecer.

Geralmente considerado como o fundador da filosofia moderna, o cientista, matemático e filósofo francês René Descartes (1596-1650) redirecionou o foco da discussão filosófica para o sujeito pensante; Descartes acreditava ser necessário um procedimento prévio de avaliação crítica e severa de todas as fontes do conhecimento disponível, num procedimento que ficou conhecido como dúvida metódica. Segundo Descartes, ao adotar essa orientação, constatamos que resta como certeza inabalável a ideia de um eu pensante: mesmo que o sujeito ponha tudo em dúvida, se ele duvida, é porque pensa; e, se pensa, é porque existe. Essa linha de raciocínio foi celebrizada pela fórmula “penso, logo existo” (cogito ergo sum).


Escatolavismo Pascácio


Vamos tratar a “filosofia” que interessa aos nossos estudos, dentro do mundo da manipulação digital, o escatolavismo pascácio, amplamente divulgado e comentado nas redes sociais. Temos que deixar bem claro que apesar de se intitular como filosofia, o escatolavismo pascácio não é considerada uma no meio dos filósofos sérios reais. Recorrendo a Wikipédia:


Embora o pensamento de Olavo tenha grande audiência entre o público geral, especialmente pelo uso que faz das mídias sociais, não obteve repercussão na academia, e diversos pesquisadores e especialistas em filosofia e política têm criticado suas opiniões. Para José Arthur Giannotti, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, a obra de Carvalho nunca foi uma referência no ambiente acadêmico e "é absolutamente irrelevante do ponto de vista filosófico". Na visão de Alvaro Bianchi, diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, há pouca verdade na sua narrativa filosófica, considera bizarra e equivocada sua interpretação da história da filosofia, e diz não entender como “essa montanha de erros parece consistente para seu público”. Ao mesmo tempo, o acadêmico diz que sua fala "se mostra persuasiva e eficaz por abordar os medos e as inseguranças do homem comum perante as transformações do mundo contemporâneo", apresentando uma explicação simples, mas equivocada para os problemas atuais: "Marxistas, feministas e gays teriam provocado a crise da civilização cristã e empurrado a sociedade para o abismo. É obviamente uma teoria conspiratória à qual pessoas comuns podem se agarrar quando não conseguem uma explicação razoável para seus medos".


Esther Solano, doutoranda em Ciências Sociais e professora da Universidade Federal de São Paulo, pensa que a notoriedade de Carvalho só se explica no contexto das redes sociais, sabendo se comunicar “com base em frases polêmicas, conteúdos curtos, mensagens fáceis e ataques". Fabricio Pontin, doutor em Filosofia Política e professor de Direito e Relações Internacionais na Universidade La Salle, diz não ter "a menor dúvida" de que ele "guarda um grande rancor dos anos que ele passou sendo achincalhado pelo establishment universitário brasileiro". Comentando sobre a forma do seu discurso, disse que "o jogo do Olavo é plantar algum tipo de dúvida sobre uma questão consolidada no discurso público", e a partir disso ele desqualifica todas as inferências sobre os fatos consumados. Apesar da crítica, Pontin disse que ele soube aproveitar muito bem o espaço deixado aberto pela academia em sua recusa de abandonar seu próprio ambiente e dialogar com o grande público: "Acho que toda essa polêmica ao redor do Olavo é uma excelente oportunidade para o pessoal nas universidades acordar e começar a pensar, sobretudo a Filosofia Política e Moral, para além das bolhas e câmaras de eco da universidade".


Geovani Moretto, coordenador do curso de filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, afirma que antigamente se admirava com a capacidade de Olavo "debater a filosofia a partir de questões cotidianas, da política e da economia". No entanto, Moretto diz que Olavo virou aquilo que tanto criticava: um dogmático. Daniel Tourinho Peres, doutor em Filosofia e professor da Universidade Federal da Bahia, disse que "Olavo de Carvalho é um obscurantista, retrógrado, seu discurso é puramente ideológico e não tem sustentação argumentativa", e seu pensamento representa uma ameaça para o sistema universitário e para a ciência. Bruno Lima Rocha, doutor em Ciência Política, considera que sua notoriedade advém da quebra dos padrões do politicamente correto e, por consequência, não se compromete com "a correção na política e menos ainda no reconhecimento dos direitos de reconhecimento, diversidade, diferença sem desigualdade e um país pluriétnico".


Liriam Sponholz, pós-doutora em Comunicação e livre-docente na Alpen-Adria-Universität em Klagenfurth, e Rogério Christofoletti, doutor em Comunicação e professor da Universidade Federal de Santa Catarina, reconheceram Olavo como um representante do discurso de ódio no Brasil. Para Flávio Moura, doutor em Sociologia, em seus escritos abundam afirmações delirantes, preconceituosas e intolerantes, e nos últimos anos Olavo "deixou de se preocupar com a solidez dos argumentos" e "desistiu do reconhecimento dos intelectuais sérios", transformando-se em figura burlesca. "Nesse processo, foi abandonado pela direita inteligente e assumiu a condição de guru de uma turma desprovida de formação, movida a ódio e ressentimento".


Segundo João Vitor Santos, em matéria para a Revista do Instituto Humanitas da Unisinos, ele "é tomado por muitos como um dos influenciadores da extrema direita brasileira". Em pesquisa desenvolvida para estudar os impactos do seu discurso, analisando seus textos, vídeos e aulas, Rosa, Rezende & Martins concluíram que ele é "certamente o maior influenciador das novíssimas direitas conservadoras no Brasil". Para os autores, "é possível verificar que a construção supostamente teórica apresentada por ele se fundamenta exclusivamente em pesquisas que visam localizar determinados escritos que corroboraram as suas análises, independente de sua veracidade. O que conta é a possibilidade de confirmar tudo aquilo que reitera a sua teoria conspiratória”. Continuando a análise, os pesquisadores consideram que sua visão de mundo é em boa parte baseada em informações equivocadas, e é excessivamente simplificada numa grande polarização, onde, de um lado, estão às pessoas que considera “de bem”, as que “trabalham, que seguem uma vida reta, cristã, dentro da lei e da ordem”, e do outro, os que não se encaixam nessa construção, onde se incluem “os esquerdistas, comunistas, anarquistas, índios, prostitutas, gays, drogados, defensores de bandidos e dos direitos humanos”. Para os pesquisadores, essa dicotomia, a despeito de sua inconsistência, artificialidade e parcialidade, não obstante exerce um importante impacto social e aparece para o público como verdade, "mesmo sendo fake news", além de servir como munição para grupos conservadores articulados por canais da internet e dedicados a uma suposta moralização da sociedade, mas divulgando informações equivocadas, distorcidas ou sem fontes, além de promoverem o racismo de Estado alegadamente "em defesa da sociedade".


Outros críticos incluem Janer Cristaldo, o engenheiro José Colucci Jr, e os jornalistas Mário Augusto Jakobskind e Sebastião Nery. Este último afirmou notar a falta de formação acadêmica em filosofia de Olavo, o que o impediria de lecionar a matéria em âmbito acadêmico, dizendo ainda que "isso tem nome: falsidade ideológica. E está no Código Penal".

O deputado Rodrigo Maia afirmou que Carvalho "comanda um gabinete de ódio do exterior".


Portanto o escatolavismo pascácio é uma unanimidade no meio intelectual sério.


Conhecendo caro o interminável COF (Curso de Filosofia Online), a principal fonte do escatolavismo pascácio (junto com vídeos), nós encontramos alguns recursos copiados de filosofias mais sérias, tais como Filosofia de South Park, Filosofia de Arquivo X e Filosofia Medieval:


Filosofia de South Park


A linguagem chula, os preconceitos, contradições, vocações totalitárias e a completa ignorância da realidade são características retiradas do personagem Eric Cartman, um dos principais modelos da Filosofia de South Park. No caso o específico do escatolavismo pascácio, muda a questão de que ao invés de ser gordo, o sujeito principal da pretensa filosófica é ser fumante compulsivo.

Na filosofia de South Park, Eric Cartman é egoísta, racista, neo-nazista, manipulador, sociopata, antissemita, infantil, extremamente preconceituoso com diversos grupos e etnias, gordo e maníaco compulsivo.


Eric tem 8 anos e em geral, é impulsivo e egocêntrico, e independente do tamanho da bizarrice que ele é capaz de falar que vai acontecer, sempre acaba acontecendo o que justifica a maioria dos desentendimentos com Kyle. Uma coisa que deixa Cartman extremamente ofendido é falar de seu tipo físico e questioná-lo, no qual irá responder apenas que possui ossos grandes. Em um episódio sobre um tratamento para sua obesidade, um homem o chama de gordo, Cartman então realiza uma ligação. Pouco tempo depois o homem recebe um telefonema de uma notícia extremamente ruim de uma hospitalização ou possivelmente morte de alguém próximo dele. Cartman então alega: Não sou gordo, tenho ossos grandes. Cartman é extremamente vingativo e a raiva é a sua motivação que o leva a cometer as mais bizarras atrocidades, como fazer Scott Tenorman se alimentar dos restos de seus pais em um festival de chili após ser humilhado, pelo mesmo, várias e várias vezes. Já foi revelado que Cartman possui um vasto conhecimento de engenharia e matemática, ciências humanas e exatas e arte, capaz de passar estruturas e planos para um papel com perfeição. É investigador e um estrategista sem igual em South Park. Quando não está com raiva, é só um idiota mimado. Cartman na maioria das vezes, também tem um hábito de achar que várias pessoas conspiram contra ele ou contra a América. Cartman também consegue cargos altos muito facilmente, o que facilita seus planos perversos. Também se destaca por cometer várias bizarrices em razão da sua infantilidade e inocência.


Filosofia de Arquivo X


Todos os tipos de paranoias com teorias conspiratórias ficcionais, não confiar em ninguém salvo em um agente do FBI renegado que trabalha num porão e alguns “pistoleiros solitários” anônimos da internet. Basicamente o protagonista da série defende teorias de uma conspiração comandada por um fumante que dirige um suposto “sindicato das sombras”. A verdade está lá fora e não confie em ninguém (salvo no protagonista) são as máximas do seriado.


Abordando temas tais como teorias da conspiração envolvendo alienígenas, encobrimentos governamentais de alto nível e paranormalidade, a série conseguiu conjugar características de séries como A Quinta Dimensão, Além da Imaginação e Twin Peaks. Também abordava, frequentemente, temas mais místicos, como satanismo, relatos de aparições de fantasmas, ocultismo, e outros arquivos x sem explicações.


Arquivo X fez tanto sucesso que originou um spin-off chamado The Lone Gunmen (lit. 'Os Pistoleiros Solitários'), focado nos três amigos de Mulder que investigam atividades secretas do governo norte-americano. Suas descobertas são publicadas num jornal independente chamado de A Bala Mágica, publicado pela editora Os Pistoleiros Solitários, batizado em homenagem à teoria de que um segundo atirador estaria envolvido no assassinato de John Kennedy. Arquivo X foi celebrado pela crítica e público e também se tornou um fenômeno internacional. O tom conspiratório com mistura de paranoia e terror encantou muitos telespectadores. É um dos maiores fenômenos de audiência dos últimos anos. Com fãs no mundo todo, a série já foi exibida em mais de trinta países. Foi premiada com o Globo de Ouro como melhor série dramática de televisão e vários prêmios Emmy ao longo dos nove anos da série. Foi líder em audiência em vários países como Austrália, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e muitos mais;


Filosofia Medieval


Tentando colocar a religião no comando da sociedade e da razão, sendo que a mesma é baseada em dogmas de livros religiosos escritos por diferentes anônimos baseados em lendas e mitos, todos muito parecidos com os de outras religiões predecessoras e vizinhas. Esta é uma filosofia subordinada a um Deus, que de fato nunca se apresentou pessoalmente ou tem alguma de suas obras com autenticidade autoral comprovada. A religião está no centro da discussão, pelo menos para justificar os meios de quem se serve da mesma.


A filosofia medieval é a filosofia da Europa ocidental, oriental (Império Bizantino) e do Oriente Médio durante a Idade Média. Começa, aproximadamente, com a cristianização do Império Romano e encerra-se com a Renascença. A filosofia medieval pode ser considerada, em parte, como prolongamento da filosofia greco-romana e, em parte, como uma tentativa de conciliar o conhecimento secular e a doutrina sagrada. As filosofias judaica, cristã e islâmica se derivaram principalmente do platonismo, junto com discussões aristotélicas e outros discursos do raciocínio grego, como o estoicismo. Antes do início da era medieval, Agostinho de Hipona foi o principal expoente da patrística e, com outros neoplatônicos, influenciou toda a filosofia no pensamento cristão ocidental.


Conclusões


Como qualquer filosofia astrológica, focada em ganhar dinheiro com desinformação e charlatanismo, o escatolavismo pascácio foi composto para ser comercializado através de redes sociais e livros (impressos ou digitais), monetização de vídeos e patrocínios via monetizações no Google ads, Facebook ads, Twitter ads etc.


Além disso, como o antigo modelo dos fabricantes de chocolate de má qualidade, em estabelecer representantes desocupados (marginais econômicos) para venderem seus “produtos” para a rede de contatos pessoais. Surgiram então vários estacatolavetes pascácios que “fazem ovos de páscoa”, neste caso cursos, livros, editoras, canais nas redes sociais revendendo suas produções caseiras feitas com a matéria prima original. Todos ganhando dinheiro com isso.


Ainda temos agentes políticos, que com mandatos em curso, disseminam e patrocinam a “franquia”, bem como uma parte do empresariado capaz de vender qualquer coisa, inclusive produtos inúteis, a maioria bugigangas, para idosos decrépitos, por mídias tradicionais e redes sociais, também patrocinando a “franquia”, muitas vezes patrocinando as mídias fakes “alternativas” que disseminam as fake news relacionadas à filosofia escatolavista.


É um mundo de fakes intelectuais, poucos com nome próprio a maioria são anônimos, vendendo filosofias de bares e cabelereiras, derivadas do escatolavismo pascácio, pelas redes sociais.

São estes “filósofos fakes virtuais”, que nós na maioria não vemos são os que fazem estas redes de ódio que nos vemos.


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