Fim da primeira metade do governo de Jair Bolsonaro

Atualizado: Jan 13

Quem me conhece sabe que eu sou defensor de Jair Bolsonaro na presidência da república desde 2.011.


Entrei aos dezesseis no curso de direito da Facamp, me graduei e fui aprovado no exame da OAB na minha primeira tentativa.


Então, embora já fosse advogasse, eu era o advogado mais jovem do estado de São Paulo, ainda possuído pelos "sintomas" da adolescência.


Mas, mesmo defendendo Jair Bolsonaro na presidência, eu tinha consciência de que aquele deputado que falava pelos muitos (mas ainda acanhados) conservadores brasileiros e que se mostrava incorruptível, não teria muitas chances de concorrer as eleições presidenciais.


Cheguei a pensar que uma das poucas alternativas para a política nacional seria o retorno da monarquia, até perceber que os membros da Casa de Orléans e Bragança nada fizeram nem mesmo no plebiscito de 1.993.


Não passavam de um bando de acomodados que amavam ser jubilados, ter seus egos inflados e receber valores a título de laudêmio tão-somente por méritos de seus longínquos antepassados.


Não tendo as "Jornadas de Junho" resultado em nada, descontente com a política, sem ver futuro para o Brasil, fiz o que qualquer jovem na minha idade e com as minhas condições faria: deixei o país.


Um bom tempo depois, mais amadurecido, tendo conhecido outras culturas e aprendido outros idiomas, regressei.


Algo que parecia inimaginável começou a se solidificar: a candidatura de Jair Bolsonaro a presidência do Brasil.


Sem pensar duas vezes movimentei grupos. Custeei caminhões de som, faixas, camisetas e adesivos. Em 2018, juntamente com amigos, fui responsável pela maior manifestação popular da história de Campinas, justamente em prol da eleição de Jair Bolsonaro como presidente da república. Inclusive contamos com a presença de Major Olímpio e Eduardo Bolsonaro.


Após a vitória, tudo parecia que correria bem.


A sensação era de que o "País do Futuro", preditado por Zweig, finalmente passaria a ser realidade. Certamente haveria dificuldades e contratempos, mas nada que não pudesse ser superado. Até que chegamos a 28 de maio de 2.020.


O dia do "Acabou, porra!". O dia posterior ao "último dia triste". O presidente Bolsonaro afirmou que "as armas da democracia" estavam em suas mãos. Chegou a postar um vídeo do Dr. Ives Gandra Martins sobre a aplicação do artigo 142 da Constituição Federal para frear os mandos e desmandos do STF. Em algum momento posterior a isso o presidente percebeu que as "armas da democracia" não estavam tão a mão quanto imaginou. Ao que tudo indica, se submeteu a um acordo, visando manter seu cargo. Como uma das consequências, deixou de lado diversos de seus "princípios" de campanha.


Antes a "despetização". Agora a "necessidade" de petistas no governo. Enquanto, publicamente, ainda fala o que o povo quer ouvir, seu governo atua de maneira inversa.


Apoiadores ferrenhos de outrora agora sofrem violações aos mais básicos direitos fundamentais, como a liberdade e até a incolumidade física. Além de parecer fingir não ver, o presidente Bolsonaro chegou a taxar os apoiadores que criticaram a nomeação de um desembargador de Dilma Rousseff ao STF de "direita burra".


Parece ter esquecido até mesmo das investigações da tentativa de assassinato que sofreu em Juiz de Fora. Em resumo, o outrora mito, parece se importar mais em fazer amizade com os supostos mandantes de Adélio Bispo do que com a vida, a liberdade e a saúde do povo que o elegeu. Se "soldado que vai à guerra e tem medo de morrer" é covarde, o que dizer do capitão que não dá a mínima aos ataques causados aos seus soldados? E, com esse clima, se iniciará na próxima semana a segunda metade do governo de Jair Bolsonaro. Segura, Brasil!

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