LIBERAIS DE BANCO IMOBILIÁRIO!

Atualizado: Ago 16

O Milagre Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos reais coexistiam negando-se. Passados mais de cinquenta anos, continuam negando-se. Quem acha que houve um, não acredita (ou não gosta de admitir) que houve o outro.”


Eu escuto muita baboseira, dos nossos “Liberais de banco imobiliário”, a respeito da abertura econômica do caudilho Collor. Quando falo de liberais de banco imobiliário me refiro a Mises Brasil, Instituto Liberal, Instituto Rothbard, NOVO, MBL, PSL, DEM, PSL, MDB e qualquer partido, instituto ou movimento que usa a bandeira do “liberalismo fantástico”, aquele que é a solução para todos os problemas, assim como o “socialismo idílico” que acredita que o estado é a solução para tudo.


Vamos falar neste texto especificamente no que o governo Collor significou para o país e para a economia brasileira de fato e não como propaganda pró “liberalismo fantástico”. Também não vamos analisar o governo Collor como arma ideológica para o “socialismo WAR”.


Para quem não conhece, pesquise os antigos jogos de tabuleiro “Banco Imobiliário” e “WAR”.


O Governo Collor herdou a economia arrasada pelas incapacidades dos governos militares, ao lidar com a crise mundial do petróleo dos anos setenta e seu ufanismo sórdido, bem como com a incapacidade de corrupção de metástase cancerosa do governo Sarney.


Collor foi o “FAKE PRIME”, o “caçador de marajás”, como ele mesmo se intitulava propagando as pós-verdades sobre ele e seu governo estadual no seu curral eleitoral. A despeito do que o irmão dele contou em seu livro, pouco antes de morrer, a respeito dos “supositórios malucos”, pela razão de estar puto com o irmão ter “dado em cima” da Tereza Collor, creio que o problema maior dele era, acima de tudo, a total falta de capacidade e interesses econômicos pessoais.


É fato que em períodos prévios e durante o “Milagre Econômico Brasileiro”, já tínhamos uma base industrial ainda dos tempos do “hors concours” da propina: JK e sua “Brasília” superfaturada e do próprio governo “Vargas” que, com a falta de produtos industrializados na segunda guerra, acabou incentivando muitas indústrias locais.


Nos anos setenta, o Brasil, assim como nossos “Hermanos” argentinos (até em maior grau) tinham indústrias automobilísticas e eletroeletrônicas que possuíam um excelente nível tecnológico em relação ao mundo industrializado, que excluía China, Coréia e Índia. Evidentemente a base da tecnologia brasileira, na época, era oriunda de países como EUA, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Japão e outros por razões evidentes.


Mas ela era nacionalizada, desenvolvida e produzida aqui. Produzíamos carros, equipamentos elétricos e eletrônicos com grau zero de importação. Era o mundo da eletrônica digital. Ainda havia equipamentos valvulados, cheios de transistores, capacitores, resistores etc. Os controles eletromecânicos eram baseados em potenciômetros, chaves de onda, comutadores etc. Os displays eram cinescópios, diodos led, VU Meters etc. Tanto aqui no Brasil quanto nos outros países. Os semicondutores (circuitos integrados) já existiam e eram aplicados, porém ainda em um modo parcial restrito ao nível desenvolvimento dos próprios na época.


Quando o “presidente” Collor assumiu, estávamos vivendo o crepúsculo da eletrônica analógica e no início da ascensão da eletrônica digital, dos “CHIPS” (circuitos integrados).


É importante conhecer um pouco da história dos circuitos integrados neste ponto.


Os primeiros circuitos integrados foram encapsulados em “flatpacks” de cerâmica, que os militares usaram por muitos anos por sua confiabilidade e por ocuparem um espaço reduzido. O outro tipo de encapsulamento utilizado na década de 1970, chamado o ICP (Integrated Circuit Package), foi o de cerâmica, com os condutores de um lado, coaxialmente com o eixo do invólucro.


A embalagem comercial do circuito foi trocado rapidamente pela dual in-line package (DIP), sendo a primeira em cerâmica e posteriormente em plástico. Na década de 1980, a contagem de pinos excedeu o limite prático para embalagem DIP, levando aos encapsulamentos pin grid array (PGA) e leadless chip carrier (LCC). O encapsulamento Surface mount apareceu no início de 1980 e tornou-se popular no final da década, usando uma sonda melhor com ligações formadas por gull-wing ou J-lead, como exemplificado por small-outline integrated circuit - um transportador, que ocupa uma área de cerca de 30 - 50% a menos do que um equivalente DIP, com uma espessura típica que é 70% menos.


A próxima grande inovação foi o pacote de matriz de superfície, o que coloca as interligações terminais em toda a área da superfície da embalagem, proporcionando um maior número de ligações do que tipos de pacotes anteriores, em que apenas o perímetro externo é usado. O primeiro pacote de matriz de contato era uma embalagem de cerâmica pin grid array. Não muito tempo depois, o plástico ball grid array (BGA), outro tipo de pacote de matriz de contatos, tornou-se uma das técnicas de embalagem mais comumente usadas.


No final de 1990, plastic quad flat pack (PQFP) e thin small-outline packages (TSOP) substituiu pacotes PGA como o mais comum para dispositivos de alta contagem de pinos, embora pacotes PGA ainda sejam frequentemente utilizados para microprocessadores. No entanto, os líderes da indústria Intel e AMD trocaram na década de 2000 o encapsulamento PGA para o encapsulamento Land Grid Array (LGA).


Dual in-line (DIP) fita de armação de metal com circuito integrado com contatos

O invólucro ball grid array (BGA) já existia desde a década de 1970, mas evoluiu para pacotes ball grid array flip-chip (FCBGA) na década de 1990. Pacotes FCBGA permitem um número de pinos muito maior do que quaisquer tipos de pacotes existentes. Em um pacote FCBGA, o molde é montado de cabeça para baixo (invertida) e se liga ás package balls através de um substrato que é semelhante a uma placa de circuito impresso em vez de fios. Pacotes FCBGA permitem que um conjunto de sinais de entrada-saída (chamado Área-I / O) seja distribuído por toda a matriz, em vez de estar confinado para a periferia da matriz.


Traços para fora da matriz, através da embalagem e para dentro da placa do circuito impresso têm propriedades eléctricas muito diferentes. Em comparação com os sinais on-chip. Eles exigem técnicas de design especiais e precisam de muito mais energia do que sinais confinados ao próprio chip.


Desenvolvimentos recentes consistem em empilhar várias matrizes em um único pacote chamado SIP, Sistema no pacote, ou circuito integrado tridimensional.


Combinando vários cunhos em um pequeno substrato, muitas vezes de cerâmica, é chamado um MCM, ou Módulo Multi-Chip. Atualmente à fronteira entre um grande MCM com uma placa de circuito impresso pequeno, às vezes não é clara.


Se você não entendeu nada um resumo: Os Chips começaram a ser aplicados comercialmente nos anos setenta, começaram a ter um escala comercial mais ampla nos anos oitenta e explodiram comercialmente a partir dos anos noventa. E hoje tem Chips em tudo.


Nos anos oitenta nossas indústrias eletrônicas analógicas sofriam severamente com as sucessivas crises econômicas, incapacidade de gestão dos governos militares, corrupção e por fim pelo presidente membro da academia brasileira de letras, o José Sarney. Não havia dinheiro para investir em tecnologia, ao contrário do que ocorria na China, Coréia e Índia na mesma época, e nossa indústria, que já não tinha uma “escala produtiva” (pela baixa densidade populacional), também passou a ficar defasada tecnologicamente.


Então no início dos anos noventa chega o Collor, com sua “economista” Zélia (que talvez tenha sido boa em economia doméstica depois quando casou com o comediante Chico Anísio), fazendo e implantando planos econômicos não ortodoxos (basicamente socialistas) e arruinando definitivamente a economia brasileira.


Mas os “malfeitos” do Collor não se resumem a isso. Como todo oportunista populista, sem falar nas vantagens econômicas dele e seus “amigos”, ele abriu o mercado brasileiro para os produtos eletrônicos digitais oriundos do oriente, para fazer um “show” de modernidade no consumo, com produtos mais modernos e baratos. As economias do oriente já tinham escalas produtivas muito maiores que a nossa, além de menores cargas tributárias, mão de obra mais barata e muitos incentivos fiscais. Foi “ótimo”! As pessoas passaram a poder comprar produtos eletrônicos modernos e baratos, transferindo seus empregos para o oriente, “sem dúvida” uma ótima troca.


Saem de cena os empresários brasileiros que produziam e entram em cena os “Merchant”, até culturalmente é só observar os sobrenomes dos antigos empresários industriais e os novos empresários comerciais da época. E tem gente que faz de conta que o sindicalista e sempre aspirante a político, Paulo Skaf, é um empresário da indústria. Mas a verdade que segundo o Portal DCM: “Skaf é um industrial sem indústria, tendo este título graças ao já falecido pai e 1% de participação na Paramount Têxteis do seu patrono na FIESP Fuad Mattar”. Conforme Josias de Souza da Folha de São Paulo: “Skaf Indústria Têxtil Ltda., eis o nome da empresa de Paulo Antônio Skaf, o presidente da FIESP. Tem sede em São Paulo e filial em Pindamonhangaba. Figura nos cadastros da Receita Federal como firma "ativa". No mundo real, foi à breca. Sob a biografia de sucesso no ramo do sindicalismo patronal, Paulo Skaf esconde um infortúnio que deslustra o currículo do homem de negócios”. Industrial Fake, na real incorporador e vendedor de imóveis.


Toda esta história de globalização, cadeias globais de produção e tudo que veio com o neoliberalismo não passam de uma ação para que os megainvestidores e não megaempresários, possam distribuir seus investimentos pelo mundo, descentralizando os riscos nacionais, com a mobilidade que a tecnologia digital propiciou, e maximizando seus retornos. E junto com eles vêm os “traders” e o que há de pior nas elites globais em termos de democracia e corrupção. E é claro que nossos políticos, empresários de compadrio e capitalistas de estado brasileiros surfaram na onda e se deram muitíssimo bem. Hoje não há um país hegemônico no comando do mundo, mas sim uma elite econômica e financeira que comanda praticamente todos os países, incluindo democráticos, autocráticos, capitalistas, socialistas, conservadores, progressistas etc. Podem inventar outros nomes que apenas será mais uma “bolha” ou “câmera de eco”.


A ilusão que estes liberais de banco imobiliário vociferam, de que todos podem ser empreendedores, é tão criminosa quanto a que os “socialistas WAR” que o estado tudo pode.


O Brasil não tem praticamente mais indústrias, e com isso os empregos de qualidade e formação educacional de nível para os mesmos. Somos praticamente um exportador de commodities com pouca mão de obra qualificada. Não temos tecnologia, somente compramos. E vivemos a “uberização” social e econômica, onde não somos nem empreendedores nem empregados, mas apenas “braços” dos aplicativos bancados por investidores.


É isso que Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma e agora Bolsonaro entregaram como futuro para os brasileiros, sem exceção. FHC e Lula (primeiro mandato FHC cover) tiveram alguns méritos na ortodoxia econômica e foi só, mas isso é muito pouco para um país tão grande.


Sempre na intersecção entre capitalismo de estado, socialismo estatal, empreendedorismo de compadrio e liberalismo selvagem o Brasil conseguiu pegar o pior de cada um deles.


Parabéns eleitores "bois", liberais de “banco imobiliário”, socialistas "WAR", políticos e "empresários" brasileiros!

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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