MODULAÇÃO NAS REDES SOCIAIS?

“Modulação é o processo de variação de altura (amplitude), de intensidade, frequência, do comprimento e/ou da fase de onda numa onda de transporte, que deforma uma das características de um sinal portador (amplitude, fase ou frequência) que varia proporcionalmente ao sinal modulador”.


Essa é a definição da modulação de ondas com frequências de transmissão. Sem recorrer à física, estatística ou matemática, é o modo mais comum em nosso dia a dia com o qual posso fazer a analogia. Rádios, televisores de celulares ocupam diferentes frequências. No caso dos celulares, eles recebem e enviam frequências de ondas para as antenas. Lembrem-se estou sendo propositadamente raso na explicação, pois o texto se destina a pessoas leigas. Se precisarem minha consultoria é só me procurar no LinkedIn.


Modulação é uma técnica de enquadramento mental de agendamento temático e de retenção da atenção para criar “mundos” de vender “oceanos azuis”, em seu interior está indubitavelmente contida a ação de “manipular” conteúdos de mídia, sejam tradicionais, eletrônicos ou digitais. Dentro deste universo, temos a modulação deleuzeana que é muito mais ampla que a manipulação.


Recorrendo ao velho exemplo da mamãe jacaré, a modulação botou quatro ovos: O Jornalismo Informativo, Propaganda / Marketing, Manipulação de Mídia e Modulação Algorítmica.


Apesar das quatro formas de modulação ocorrer também na internet, o nosso foco é na Modulação Algorítmica. Que dos quatro ovos é de onde vai sair o "jacarezinho" mais perigoso.


A Modulação Algorítmica pode sim ter o objetivo de influenciar comportamentos como a manipulação de mídia, mas funciona de forma completamente diferente. O Marketing via internet toca os indivíduos em sua singularidade e os reduz a mostras nos banco de dados, diferenciando os consumidores em nichos específicos de forma muito mais eficiente do que se faz com meras pesquisas de mercado.


São as famosas bolhas de filtragem, no qual vários grupos de perfis são agrupados (um perfil pode fazer parte de diversas bolhas ao mesmo tempo). As possibilidades de cruzamentos e agrupamentos destes perfis usando uma modulação algorítmica, dentro de suas câmeras de eco virtuais, torna-se uma técnica muito restrita para exercer a modulação deleuzeana.


É ai que entram as Inteligências Artificiais, acessando este “BIG DATA”, mineradas das pessoas a cada segundo, dando a estas tudo que elas querem dentro do espectro modular oscilando ao redor de seu perfil, sem correr o risco de “ofertar” algo que ele “não goste”.


As oportunidades para novos produtos e serviços são intermináveis, bem como para políticos oportunistas, que possuem “agências” que acompanham estas tendências, bem como que vendam para as pessoas as ideais ao redor de seus preconceitos pessoais, independente de civilidade e educação, muito longe do constante aprendizado e troca de informações que poderia haver. As redes sociais não querem correr o risco de errar, pois tem que apresentar sempre bons resultados para os seus investidores. Trump, Bolsonaro, Brexit e outros são a prova disto.


Basicamente as pessoas são moduladas tendo como base a linha central do perfil individual. As pessoas ficam sem o direito de participar da “construção dos mundos”, de formular problemas e de inventar soluções, a não ser no interior de alternativas já estabelecidas. Essas pessoas passam a ter a sensação “de que uma vez que tudo é possível (desde que no âmbito das alternativas preestabelecidas), nada é mais possível (a criação de algo novo)”. É esse tipo de controle que consegue ao mesmo tempo restringir e passar a sensação de liberdade que Deleuze chama de modulação.


Uma análise na TL (Timeline) de uma rede social mostra o quanto os algoritmos do Machine Learning influenciam nas escolhas das notícias, anúncios e postagens apresentadas. O usuário tem a ilusão de que escolhe o que lê, visualiza, curte, comenta e compartilha, mas isto é uma falsa liberdade. Na verdade, quem classifica, exclui, e decide o que aparece na timeline é o algoritmo de aprendizado de máquina (Machine Learning) e é nessa classificação que as interações dos usuários nas redes sociais são realizadas.


Há quem afirme que as redes sociais utilizam soluções de IA tais como: “Learner Feature Store”, “Learner Flow” e “Learner Predictor”, para realizar previsões futuras dos usuários, usando o “Big Data” para prever ou inferir mudanças futuras na vida do usuário.


Um exemplo clássico do poder das IA, foram ás eleições de 2016, dos Estados Unidos, o uso de Machine Learning e Big Data já não eram o que havia de mais moderno e eficiente. Steve Bannon, conselheiro de campanha de Donald Trump e membro do conselho da Cambridge Analytica, apresentou um novo arsenal tecnológico muito mais potente. Para tal empreitada a Cambridge Analytica recebeu um investimento superior a US$ 15 milhões de Robert Mercer, bilionário cientista da computação americano, especialista em IA, na área de fala e tradução. Conheçam o tipo de gente que financia Inteligência Artificial lá nos EUA: https://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Mercer.


Esta Cambridge Analytica, extinta atualmente, usou a Machine Learning como dispositivo de modulação para fins políticos. Em 2018 o escândalo da Cambridge Analytica e o vazamento de dados do Facebook para supostos hackers russos, vieram à tona, como alerta para os novos meios da sociedade de controle, a manipulação e modulação das redes sociais.


As tecnologias de modulação permitem agir de modo eficaz sobre nossa atenção por serem quase sempre baseadas em nossa subjetividade revelada e em nosso potencial afetivo. A partir deste retrato da realidade, surge um instigante questionamento acerca das possíveis reações, partindo desses cidadãos – controlados e modulados – em relação a essa nova forma de operação de poder político e econômico.


Aqui no Brasil foi feito apenas o “rollout” (termo de Tecnologia de Informação quando trazemos do exterior, sistemas para parametrizar e utilizar no Brasil) do modelo dos EUA. Entre os meliantes anônimos virtuais existe um perfil relevante, de uma grande empresa de informática brasileira que se autodenomina cientista de dados. Se encontrarem ele na lista dos seguidos pelos Bolsonaro busquem pelo mesmo nome dele no Twitter no LinkedIn para conhecer o cientista e a empresa.


As operações destes agentes da Democracia Ciborgue aqui no Brasil, visivelmente gente muito desqualificada, utilizando com maestria recursos como Fake News, Pós-Verdade, Bolhas de Filtragem, Câmeras de Eco manipulação e modulação digital, ocultos pelo anonimato das redes sociais e em sites de “Jornalismo de Fake News”, que quando tem gente real ligada ao mesmo, quase sempre possuem baixa qualificação, é bastante suspeito sob minha ótica de visão. Provavelmente muitos contratados, de tom laranja, utilizando recursos de IA, integração e automação com as redes sociais e anúncios “heads” no Google incongruente com suas qualificações pessoais.


E os gastos secretos do governo federal, com atividades em redes sociais trazem ainda mais questionamentos quanto a essa possibilidade. Algumas evidências:


https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/procuradoria-pede-investigacao-do-tcu-sobre-anuncios-do-bndes-em-canais-de-investigados-no-supremo-por-fake-news/


https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/procuradoria-pede-investigacao-do-tcu-sobre-anuncios-do-bndes-em-canais-de-investigados-no-supremo-por-fake-news/


Basta seguir o dinheiro e chagaremos aos soldados e oficiais da Democracia Ciborgue responsáveis por toda essa guerra digital.


As redes sociais precisam ser urgentemente investigadas, auditadas, regulamentadas e seguir uma governança atrelada as leis e não ajudar grupos obscuros a controlar o Brasil.

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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