O APARTHEID DO GOOGLE COM OS CIDADÃOS BRASILEIROS!

Eu já publiquei dois textos sobre este mesmo assunto, pois existe um preconceito e desrespeito, por parte do Google, para com nós brasileiros, um povo mestiço predominantemente afrodescendentes, que já convive com diversos preconceitos de ordem econômica, social e também um racismo histórico, não só dentro das fronteiras, mas também fora delas, por parte de países como o EUA e muitos países da União Europeia.


Como já abordei nos dois textos anteriores a situação envolve o direito ao esquecimento nos buscadores e também nas redes sociais, que divulgam informações para os buscadores. No Brasil temos um buscador que praticamente domina todo o mercado, o Google, seguido pelo Bing com 3% e o Yahoo com 1%. Deste modo a relevância está basicamente no Google.


Descendente de europeus e até com cidadania europeia disponível, eu como brasileiro, nascido aqui e patriota, busquei o formulário que o Google disponibiliza para a União Europeia, pleiteando solicitar que o Google retirasse dos resultados com a busca pelo meu nome, basicamente informações fraudulentas de dois blogs criminosos especializados em Fake News:


Jornal da Cidade Online (O qual já estou processando judicialmente);


Crítica Nacional (O qual eu optei por denunciar no MPF).


O primeiro pertence a um ilustre desconhecido: José Pinheiro Tolentino Filho, possivelmente um “representante” de outrem oculto. O segundo pertence ao desqualificado e infame Paulo de Oliveira Enéas, conhecido como Paulo Enéas, trata-se de um deste blogueiros sem currículo no LinkedIn, que surfaram na onda do antipetismo e do bolsonarismo, provavelmente a única chance que tiveram de aparecer na mídia em suas carreiras.


Para quem quiser saber mais sobre os dois blogs seguem meus textos explicando exatamente quem e como operam:


Jornal da Cidade Online


Crítica Nacional


Vale a pena ler e conhecer como estes blogueiros protofascistas operam. Existem outros blogs, ainda mais irrelevantes do que estes dois, que republicaram as mesmas matérias, mas não compensam nem o tempo e o dinheiro para tirá-los do ar:


Fala Petrolina


Portal Maratimba


Movimento Conservador


Ground News


Possivelmente todos atuando em parcimônia com os originais em seus "grupos secretos".


Mas vamos ser pragmáticos, quem saberia da existência destes blogs e blogueiros protofascistas sem a anuência e divulgação dos buscadores e redes sociais? Evidentemente que quase ninguém, pois eles são fenômenos resultantes basicamente de automações e investimentos nos “ads” com divulgação nos “adsenses”.


Mas a questão é que por impulsionamento, estes blogs foram massivamente divulgados nas redes sociais (principalmente o Twitter) e nos buscadores (principalmente o Google) que gostam de manter seus “usuários” em anonimato e segurança de informações, ao mesmo tempo que divulgam massivamente qualquer conteúdo dos mesmos seja pelo ads ou seja pelas automações, aparentemente sem nenhum compromisso com a verificação das informações e muito menos com os efeitos negativos que elas causarão aos prejudicados.


No “Curral da Cidade Online” não há identificação do jornalista que assina a Fake News, nem tão pouco alguém do blog entrou em contato comigo para averiguar a veracidade delas antes de publicar. Então o responsável é o proprietário do blog, o tal Zé Ninguém.


Já no “Clínica Nacional” quem se identifica como jornalista responsável pela matéria é o tal Paulo “meu nome é” Enéas, que segundo a biografia do próprio nem jornalista é, foi professor de nível médio em física e matemática. Nem preciso dizer que este sujeito nunca tentou entrar em contato comigo para comprovar a veracidade das calunias que escreveu e publicou.


O fato é que ambos blogs usam formatos similares a uma empresa de mídia tradicional, porém apenas promovem Fake News e os conteúdos não científicos inspirados do grande ídolo de todos os idiotas brasileiros: Olavo de Carvalho. Neste caso específico o tal Paulo Enéas contou com ajuda de um MAV (Miliciano Anônimo Virtual) do Twitter denominado Loen (um defensor anônimo bolsonarista criminoso da cloroquina) e o administrador do perfil da empresa Prevent Senior no Twitter (que acreditem tem o selo de verificado fornnecido pelo Twitter), que armaram toda a movimentação de cyberbullying e cyberstalking com as automações e perfis falsos para dar volume a sua falácia a respeito de um tweet, sobre o falecimento de meu tio no hospital da Prevent Senior, tratado com a tal cloroquina, comprovadamente sem eficácia e até com efeitos colaterais prejudiciais. O objetivo era ter o assunto para a Fake News do blog associado.

Mas basicamente o que ocorreu nas duas Fake News é que me apontaram como autor de um texto da Desciclopédia sobre os crentes (com a qual não tenho nenhum envolvimento) e que a tal Prevent Senior contestava uma informação caluniosa minha, que na realidade é verdadeira. Eu fiz contato com o responsável pelo marketing da Prevent Senior, um desqualifiado e levei a questão até ao conselho de ética da mesma e não houve retratação daquela empresa, muito menos alguma resposta, razão pela qual também denunciei o caso ao MPF. Pesquisando os proprietários da Prevent Senior cheguei a dois irmãos, filhos de um ex jogador de futebol que são membros de bandas de “Viking Metal”.


Mas tanto o Google quanto o Twitter nada fizeram a respeito disso, no caso do Twitter cheguei até a enviar e-mail e copiar twetts para a “CEO” do mesmo no Brasil, a tal Fiamma Zarife, que não deu nenhum retorno. No caso do Google levei a questão ao Procon, pois como as Fake News além dos blogs originais, são replicadas em blogs secundários de outros membros da malta bolsonarista protofascista. Foi quando cheguei ao formulário do direito ao esquecimento do Google, o qual só é válido para cidadãos europeus. Oras mesmo eu tendo a cidadania europeia, sou brasileiro e vivo no Brasil. O advogado e procurador estatutário do Twitter no Brasil, o tal Yin Ki Lee, fez uma defesa da queixa que fiz junto ao Procon SP, que mais parecia uma defesa processual na esfera judicial no STF. Isso para eu ter reclamado, no Procon SP pelo fato de eu querer o meu direito ao esquecimento”.


Eu sou brasileiro, vivo num país mestiço, predominantemente pardo, porque razão o Google concede somente aos cidadãos europeus caucasianos, o direito de se livrar da publicidade negativa fraudulenta das Fake News envolvendo seus nomes que o Google replica aqui nos resultados de suas buscas e não para cidadãos não europeus que solicitam não?


O Google ganha muito dinheiro com seu buscador, isso inclui divulgar links de ataques pessoais com informações fraudulentas com objetivos políticos contra pessoas inocentes? Vale tudo? O Google só tem ética quando a justiça da União Europeia o obriga e este desenvolve rapidamente a solução técnica para europeus, mas não a disponibiliza para cidadãos não europeus?


Pelo contrário, Google e Twitter aqui no Brasil vão até as últimas esferas judiciais para defender o “direito ao anonimato” e a “liberdade de expressão” de fazer e dizer qualquer coisa ilegal em suas redes. Os casos da CPMI das Fake News em relação ao Twitter e o MP-RJ no caso Marielle Franco provam que vale o “investimento”. Claro que isso não passa de chicanas jurídicas para deixar o caso chegar até o país de origem das empresas de tecnologia e terem seus objetos prescritos nos prazos regionais.


Então estamos vivendo um apartheid virtual promovido pelo Google. Temos menos direitos que os cidadãos europeus dentro de seu buscador simplesmente pela razão de que a justiça brasileira ainda não o obrigou a fazer isso aqui? Parece que a ética passa bem longe do Google quando a questão envolve anonimato e informações falsas, salvo por força de lei, é isso? Temos que perguntar ao tal Fabio Coelho, CEO do Google no Brasil.


Sem as redes sociais e buscadores simplesmente não haveria a Democracia Ciborgue e a Pós-Verdade causando tantos danos a humanidade, a civilidade e a ciência, portanto estas empresas têm responsabilidade sobre as consequências de sua omissão e até proteção a estas manifestações protofascistas e neonazistas que circulam por suas redes livremente, simplesmente alegando que restringir seria uma forma de censura e coibição da liberdade de expressão, uma mentira absurda!


Fazendo uma analogia com o mundo real (o não virtual para os nomofóbicos), quando um sujeito mascarado entra em um espaço privado e começa a lhe insultar e caluniar em frente a um monte de pessoas que se encontram no mesmo espaço, o que ocorre? Os responsáveis pelo espaço privado acionam a segurança, a qual removerá o meliante do espaço e, dependendo da gravidade dos insultos e calúnias, pode acionar as autoridades policiais para que o mesmo seja tratado devidamente nos termos da lei. É obrigação um espaço privado ter segurança para as pessoas que se encontram no mesmo ou acione imediatamente as autoridades policiais para uma ocorrência deste tipo.


Mas analogamente, no mundo virtual, tanto o Google, quanto o Twitter, em suas redes privadas, "não tem" segurança interna, nem tão pouco "acionam" as autoridades policiais quando um ou mais mascarados (ou não) lhe atacam com insultos e calúnias dentro de seu espaço de negócio privativo. Muito pelo contrário, eles deixam “você que se vire” e vão dificultar no quanto puderem a identificação do anônimo, quando for o caso, ou a exclusão dos registros dos insultos e calúnias sobre você em suas redes privadas.


Claro se você for um "ilustre" cidadão europeu, o Google e até o Bing da Microsoft já possuem um formulário disponível para que a remoção das informações desatualizadas, ou simplesmente que lhe tragam algum constrangimento pessoal que podem ser solicitadas para não serem mais apresentadas pelos algoritmos de pesquisa de seus buscadores. Pois tanto o Google quanto a Microsoft foram obrigados, por força da lei europeia, a fazer isso e respeitar os moradores da União Europeia.


Em quanto os europeus são tratados com dignidade e civilidade em relação aos direitos de não serem molestados por informações desatualizadas ou de má fé nas buscas do Google, já nós cidadãos brasileiros, "terceiros mundistas" somos tratados de maneira exatamente oposta pelo Google, eles irão até as últimas instâncias jurídicas da justiça para garantir que possa continuar divulgando as informações obsoletas ou de má fé em seu buscador. Para isso ele tem o famoso advogado Yin Ki Lee e toda a sua estrutura de advocacia até com inteligência artificial.


Agora pergunto porque razão esse "apartheid" colocando os cidadãos europeus em uma categoria de direitos superior aos brasileiros.


Certamente sociólogos vão conseguir associar esta atitude elitista, prepotente e autoritária do Google ao racismo, determinismo geográfico, segregacionismo, xenofobia, europeísmo, etnocentrismo e toda uma séria de preconceitos e discriminações que provavelmente eu ainda nem sei que existem.


A socióloga Milka de Oliveira Rezende, em uma matéria no portal UOL faz uma série de comentários envolvendo racismo que podem ser usadas analogamente ao caso do Google em discriminar os brasileiros no direito ao esquecimento em seu buscador:


“A segregação racial consiste na separação de determinado grupo social por conta de suas características físicas, seu fenótipo. Essa prática é baseada em ideários higienistas, que classificam a humanidade em raças, atrelando traços culturais, intelectuais e habilidades a fatores biológicos e genéticos”.


“A segregação racial é um fenômeno milenar. Em toda a história humana, há exemplos de determinados grupos étnicos subjugados por outros com implicações de mobilidade geográfica e social. As três nações que serão especificamente mencionadas neste texto têm como ponto comum a fundação colonial ancorada num sistema econômico escravagista como origem histórica de sua experiência de segregação, principalmente nos séculos XIX e XX”.


“As formas culturais de segregação manifestam-se sem necessariamente valer-se de dispositivos legais ou repressão para que sejam cumpridas. Sua força reside em constranger indivíduos segregados a compreenderem sua exclusão como consequência de erros pessoais ou como um destino natural reservado a eles. Elas se somam a mecanismos institucionais que bloqueiam, por exemplo, a ascensão econômica, intelectual e política de determinados grupos étnicos”.


“Portanto, a modernização, urbanização e industrialização foram norteadas por políticas segregacionistas”.


Estamos sendo vítimas de uma política de segregacionismo em relação aos cidadãos europeus no direito ao esquecimento no buscador do Google.


O sociólogo Francisco Porfírio, em uma matéria no portal UOL também aborda uma série de situações que são análogas a negação, por parte do Google em liberar o direito ao esquecimento aos cidadãos não europeus:


“A palavra etnocentrismo contém os radicais “etno” (derivado de etnia, que significa, por sua vez, semelhança de hábitos, costumes e cultura) e “centrismo” (posição que coloca algo no centro, como referência central a tudo que está a sua volta). A visão etnocêntrica é aquela que vê o mundo com base em sua própria cultura, desconsiderando as outras culturas ou considerando a sua como superior às demais”.


“Nessa perspectiva, os brancos europeus eram superiores, seguidos pelos asiáticos, pelos índios e pelos africanos, sendo os últimos os menos desenvolvidos. Essa corrente ficou conhecida como darwinismo social ou evolucionismo social, pois se apropriou da teoria da evolução biológica de Charles Darwin e aplicou-a no campo sociológico”.


Então Google Brasil, se não formos cidadãos europeus temos que tolerar todas as ofensas e calúnias que vocês indexam em seus algoritmos e divulgam resultados associados aos nossos nomes, mesmo que vocês já tenham este recurso técnico em funcionamento na Europa? Se não há uma lei aqui os obrigando a nos respeitar vocês não possuem valores empresariais e códigos de ética e conduta que promovam direitos iguais entre países e raças diferentes? Vocês vêm a Europa como uma metrópole e nós como uma colônia ainda? Qual a diferença entre o direito de um cidadão brasileiro e europeu em ter sua dignidade respeitada em face a ataques de virtuais de sicários protofascistas e neonazistas, alguns anônimos, em suas redes sem nenhum limite ético, moral e civilizatório? Se a lei não os obrigar vocês não o farão? Vocês apoiam o darwinismo social?


As filiais brasileiras destas big techs sociais me passam a impressão de terem CEOs e C Levels apenas decorativos, são basicamente “posers”, meros “office boys” entre o Brasil e o Vale do Silícico para aparecerem na mídia. Pois a falta de ação destes, procrastinação e descaso com estas questões é algo que um CEO verdadeiro certificado pelo IBGC, mesmo mediante a um conselho de administração que estimule e aprove práticas não éticas, certamente não aceitaria e mudaria de ares rapidamente, para uma empresa na qual sua reputação pessoal não esteja associada a práticas não éticas de mercado. Mas imagino que os salários, benefícios e bônus, bem como como planos especiais de aposentadoria falem muito mais alto que a ética pessoal.


Eu estarei levando esta questão ao MPF na próxima semana pois eu sinto que sofri uma forma de discriminação, por parte do Google, em me negar os mesmos direitos a dignidade que este concede aos cidadãos europeus.


Eu aprendi, após estudar longamente a Democracia Ciborgue e a Pós-Verdade, que não adianta atacar os sintomas, os MAV (milicianos anônimos virtuais) e blogs travestidos de empresas de jornalismo, pois eles são os sintomas e não a doença.


Todo este “modus operandi” protofascista e neonazista virtual foi planejado e testado regionalmente, na europa, antes de se tornar “world class”, utilizando as redes sociais e buscadores que, além de omissas, parecem simpatizar muito com estes grupos. Recomendo a leitura de meu texto A Origem do Ódio na Internet para compreender o fenômeno.


Portanto não adianta trocar socos virtuais e processar estas “arraias-miúdas” protofacistas que operam nas redes sociais e blogs, mas temos que atuar contra as plataformas de trabalho destes, os campos de batalhas, dos próprios que são as redes sociais e buscadores.


Esta patuscada protofascista virtual só se criou porque as redes sociais deram os meios, permitiram automações e publicidade paga e ainda os protegem em suas identidades, segredos, insultos e calúnias até as últimas esferas legais a quaisquer custos. São nas redes sociais e Google que residem os problemas, bem como as soluções. Temos que ter leis para pressionar estas empresas, como até prisões coercitivas para os C Levels locais destas empresas saírem de suas zonas de conforto umbrátil de “vaquinhas de presépio”.