O ASTROMANTE ANFIBOLÓGICO!


A reencarnação de Grigori Yefimovich Rasputin, conhecida por Olavo de Carvalho, autodenominado filósofo, já que não possui nenhum diploma válido no planeta que o qualifique como tal, é um velhaco da anfibologia.


Com um passado brejeiro, onde tentou de tudo na vida, sem sucesso algum, terminando como vários outros aldrabões, um astromante. Vamos falar um pouco do ofício.


A astrologia (do grego astron, "astros", "estrelas", "corpos celestes", e logos, "palavra", "estudo") é uma pseudociência segundo a qual as posições relativas dos corpos celestes poderiam prover informação sobre a personalidade, as relações humanas, e outros assuntos relacionados à vida do ser humano. É, como tal, uma atividade divinatória, quando usada como oráculo, mas também pode ser usada como ferramenta de entendimento das personalidades humanas. É largamente refutada pela uma parte qualificada da sociedade por não ter embasamento científico real.


Para jogar um pouco mais de terra, sobre o caixão da astrologia: “Para o físico britânico Stephen Hawking, contudo, "o verdadeiro motivo porque a maioria dos cientistas não acredita em astrologia não é a existência de provas científicas ou falta delas, e sim o fato de ela não ser compatível com outras teorias [científicas] testadas pela experiência." Seguindo-se o seu raciocínio, o estabelecimento do modelo heliocêntrico por Nicolau Copérnico e Galileu Galilei bem como o estabelecimento da mecânica celeste por Isaac Newton - desvendando a regularidade e estabelecendo a previsibilidade com precisão outrora inimaginável dos movimentos dos planetas no céu - transformaram a astrologia em algo extremamente inaceitável (ao menos racionalmente). Este físico, recentemente falecido, eu respeito.


O efeito Forer (também chamado de falácia de validação pessoal ou efeito Barnum, depois de P.T. Barnum ter dito que "temos de tudo para todos") é a observação de que as pessoas julgam exageradamente corretas as avaliações de suas personalidades que, supostamente, são feitas exclusivamente para elas, mas que na verdade são vagas e genéricas o bastante para se aplicarem a uma grande quantidade de pessoas. Este efeito explica parcialmente a grande aceitação obtida por certas crenças e práticas como astrologia, grafologia, eneagrama, alguns tipos de testes de personalidade e outras hipóteses que não sobreviveram à rigorosa análise proposta pelo método científico.

Um fenômeno mais genérico e relacionado ao efeito Forer é o da validação subjetiva. A validação subjetiva ocorre quando dois eventos aleatórios ou sem ligação parecem estar conectados porque as crenças, expectativas ou hipóteses exigem tal ligação. Por isso, as pessoas buscam uma conexão entre sua percepção da personalidade e o texto de um horóscopo.


Em 1948 o psicólogo Bertram R. Forer deu a cada um de seus alunos um teste de personalidade. Depois, ele disse que cada aluno receberia uma análise única e individual baseada nos resultados dos testes, e que eles deveriam avaliar a precisão da análise em uma escala de 0 (muito ruim) a 5 (muito boa). Na verdade, todos os alunos receberam o mesmo texto:


“Você tem uma necessidade de ser querido e admirado por outros, e mesmo assim você faz críticas a si mesmo. Você possui certas fraquezas de personalidade, mas, no geral, consegue compensá-las. Você tem uma capacidade não utilizada que ainda não a tomou em seu favor. Disciplinado e com autocontrole, você tende a se preocupar e ser inseguro por dentro. Às vezes tem dúvidas se tomou a decisão certa ou se fez a coisa certa. Você prefere certas mudanças e variedade, e fica insatisfeito com restrições e limitações. Você tem orgulho por ser um pensador independente, e não aceita as opiniões dos outros sem uma comprovação satisfatória. Mas você descobriu que é melhor não ser tão franco ao falar de si para os outros. Você é extrovertido e sociável, mas há momentos em que você é introvertido e reservado. Por fim, algumas de suas aspirações tendem a fugir da realidade.”


Em média as avaliações receberam nota 4,26, mas somente depois de receber essas notas Forer revelou que cada aluno tinha recebido o mesmo texto, montado com frases de diversos horóscopos. Como puderam ser observadas no texto, algumas frases se aplicam igualmente a qualquer pessoa.


Variáveis que influenciam o efeito


Estudos posteriores indicam que as pessoas darão notas maiores se qualquer das seguintes for verdadeira:

  • A pessoa acredita que a análise é individual e personalizada.

  • A pessoa acredita na autoridade de quem a está avaliando.

  • O avaliador dá ênfase aos traços positivos da personalidade.

Há evidências de que uma crença prévia no paranormal se correlaciona com maior influência do efeito. Os indivíduos que, por exemplo, acreditam na exatidão dos horóscopos têm uma maior tendência a acreditar que as generalidades vagas da resposta se aplicam especificamente a eles. Os estudos sobre a relação entre esquizotipia e suscetibilidade ao efeito Forer mostraram altas quantidades de correlação. No entanto, um estudo de Rogers e Soule (2009) também testou crenças astrológicas dos sujeitos, onde tanto chineses como céticos ocidentais foram mais propensos em identificar a ambiguidade dentro dos perfis de Barnum. Isto sugere que as pessoas que não acreditam em astrologia são possivelmente menos influenciadas pelo efeito.


Para entender o astrólogo Olavo de Carvalho temos que ter em mente que entre outras coisas, tanto em seus livros, quanto em seus vídeos ele usa a técnica de leitura fria.


Leitura a frio, ou leitura fria (do inglês: cold reading), é um conjunto de técnicas que, a partir de certos aspectos, fazem com que se seja capaz de dizer coisas sobre a vida de uma pessoa, para impressionar, ganhar confiança ou até mesmo criar empatia. Ferramenta usada no auxílio de diversas profissões ligadas às características comportamentais e psicológicas do ser humano. Utilizada bastante também por mentalistas, hipnólogos, entre outros.


A história da leitura fria está ligada diretamente ao empresário norte-americano Phineas Taylor Barnum, conhecido por P. T. Barnum. É considerado por muitos profissionais que utilizam a leitura fria como ferramenta de trabalho como o "pai" da leitura fria. P.T Barnum utilizou-a em suas atividades empresarias com um nível considerável de acerto.


A leitura fria tem como base a própria observação de Barnum, o Efeito Forer, que se refere ao fato de pessoas avaliarem afirmações como altamente precisas para elas pessoalmente, mesmo que as declarações possam ser aplicadas a uma grande quantidade de pessoas.


O segredo de Olavo de Carvalho é sempre acender uma vela para Deus e outra para o Diabo. Não importa se o resultado será uma graça ou um pacto...


Em tudo que o pícaro fala ou escreve há ambiguidade: propriedade que apresentam diversas unidades linguísticas (morfemas, palavras, locuções, frases) de significar coisas diferentes, de admitir mais de uma leitura; anfibologia.


Todo astrólogo vive das ambiguidades que fala e escreve, assim como foram (são): Rasputin, Omar Cardoso, Olavo de Carvalho, João Bidu, Oscar Quiroga, Walter Mercado, Alan Leo, Evangeline Smith Adams, Maçons e Rosa-cruzes diversos. Tanto para o “próprio Olavo”, como para seus capadetes vale esta citação:

“A ambiguidade do julgamento está exatamente na distancia entre o julgador e o julgado... Quer mesmo ser justo de fato? Amplie a visão aproximando-se de quem acusa e o indague.”


Júlio Ramos da Cruz Neto


Quando vocês assistem o astromante Olavo de Carvalho detonando o seu arlequim Jair Bolsonaro num dia e elogiando no outro... Isso se chama método astrológico.

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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