O DOCE SABOR DO ANONIMATO VIRTUAL!

Eu discordo profundamente do anonimato nas redes sociais. Os resultados disso se provaram basicamente previsões reais de duas “profecias”. O “profeta” Nelson Rodrigues dizia: “Os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos“. Já o “profeta” Umberto Eco dizia: “As redes sociais dão o direito à palavra a uma ‘legião de imbecis’ que antes falavam apenas em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade". E veio o efeito borboleta...

E quando falo em anonimato estou incluindo também os semianônimos. Pessoas que até podem usar o primeiro nome muito comum real e uma foto que não diz nada. Podem até ser a pessoa real por trás do perfil, mas quem é essa pessoa em uma “bio” com menos de 400 caracteres? Se as pessoas utilizassem a mesma para um mínimo de informação pessoal, ao invés de bobagens, já ajudaria um pouco. E o espaço para o site pessoal poderia até apontar para um perfil LinkedIn, para os economicamente ativos, ou para o Facebook, no caso dos marginais econômicos. Mas só quem não quer ser anônimo faz isso.


Efeitos malignos do anonimato como a democracia ciborgue, pós-verdade, fake news e diversos crimes virtuais ressonam das bolhas de filtragem para as câmaras de eco. Tudo ardilosamente modulado por inteligência artificial. Empresas de tecnologia, seus acionistas, clientes corporativos e políticos agradecem o engajamento dos usuários (clientes, empregados e produtos).


Já nós pessoas reais, com fotos reais, personalidades públicas com currículos ou histórias disponíveis, somos os principais alvos destes anônimos e semianônimos em busca de seus cinco minutos de fama.

Enquanto você, pessoa real, tem sua identidade, opiniões e suas ações, muitas vezes já distorcidas por fake News em outras mídias alternativas, é questionado por anônimos ou semianônimos que, no doce anonimato de suas identidades, opiniões e ações, estão questionando as suas com ar de autoridade. Em se tratando de ataques grupais destes “cardumes” de sardinhas “anônimas”, eles atuam também como juízes, júri e carrascos. Todos anônimos das mesmas bolhas e grupos de ações anônimas formados nas câmaras de eco.


Você não sabe quem são as pessoas, quais suas intenções, se estão a serviço de alguém e muito menos as qualificações e realizações pessoais de cada um deles, pois são apenas tijolos em um muro de anonimato. Este é o campo de batalha tradicional da democracia ciborgue, enquanto a pós-verdade, fake news de demais crimes virtuais são sua “munição” para “destruir ou cancelar” seus alvos.

Mesmo não se tratando de um caso que envolva democracia ciborgue, muitos lobos solitários anônimos ou semianônimos têm o hábito de atacar figuras públicas se colocando virtualmente no mesmo nível de qualificação e realizações, mesmo sendo uma interrogação, que a figura pública alvejada. Coisa que não ocorre no mundo real nos negócios. Alguém na base da pirâmide hierárquica não deve e nem pode, parar o presidente no corredor da empresa e começar a ataca-lo através de um embate pessoal. Ele certamente acabará no RH demitido por justa causa ou até levado para um Boletim de Ocorrência, por uma viatura, dependendo de seus argumentos e ações no ataque. São profissionais com qualificações, experiências, realizações e atribuições completamente diferentes. Não há o que aquele na base da pirâmide possa embater com o do topo uma vez que os dois enfrentam realidades profissionais completamente diferentes. Se fosse uma conversa de corredor falando de novela, futebol, filmes, música, eventos culturais, passeios e viagem, mesmo com os prováveis gostos diferentes, haveria uma conversa cordial até com troca de conhecimentos. Mas no caso estamos falando de uma pessoa resignada, recalcada, invejosa e possivelmente desequilibrada querendo cinco minutos de fama, mesmo que a última naquela empresa.


Você deve buscar equilíbrio um debate, para ser justo para você e para a outra parte, com pessoas em condições similares a sua coisa que fica difícil no mundo de anônimos / semianônimos querendo interagir negativamente com gente pública sem conhecimento para tal.


Mas o que vemos muito neste mundo virtual das redes sociais, dominado pela democracia ciborgue são anônimos e semianônimos treinados previamente para ataques a desafetos de sua militância virtual. Seja em movimentos sociais públicos conservadores de direita, da turma que sobrou do impeachment da Dilma ou grupos virtuais da democracia ciborgue formados pela militância anônima virtual (MAV). Neste caso entrando com uso de automações e inteligência artificial.

É ótimo ser anônimo ou semianônimo, agir como se fosse uma autoridade em todos os campos do saber, analisar qualquer assunto sobre qualquer coisa, bem como entrar em debates com pessoas públicas, já que você não tem um currículo que o respalde, só “truques” falaciosos, silogismos, paralogismos e pós-verdades para argumentar, sem nenhum compromisso com sua imagem, seu currículo e reputação, já que eles não existem. Entrando em um embate com alguém público é importante lembrar que o custo hora dele não é o mesmo que o seu, portanto é muito provável que as opiniões dele tenham bem mais valor que as suas no mundo real.


É por essa razão que um número enorme de personalidades públicas está se afastando das redes sociais e deixando as mesmas serem administradas por agências de marketing digital, estas providas de ferramentas, automações, inteligências artificias e acessos privilegiados junto às altas gestões das empresas das redes sociais. Alias em coisas simples, como aquele perfil do verificado que o Twitter dá a qualquer “Garoto Tiktok” irrelevante de 13 anos, mas não dá a pessoas comprovadamente relevantes a política, tecnologia, negócios, economia, sociedade e informação, possuem recursos bem maiores, que uma conta comum, para tratar estes assuntos.


Mas o Twitter está atrás de “polichinelos virtuais”, como o tal “Garoto TikTok” e um infinidade mais de idiotas, irrelevantes para a sociedade que anda recheados de seguidores tão idiotas quanto os próprios e geram o engajamento volumétrico sem opiniões qualificadas, que é bem melhor para o Twitter que grupos menores, com baixo engajamento, com opiniões qualificadas. A preocupação das redes sociais passa bem longe de qualificar seus seguidores, pelo contrário. Quanto mais “Garotos TikTok” melhor.


Mas ser um anônimo ou semianônimo, como o tal “Garoto TikTok” não qualifica ninguém, mesmo com centenas de milhares de seguidores virtuais anônimos ou semianônimos, a ter conhecimento, qualificação, realizações, premiações sérias, prestígio e reconhecimento no mundo real dos negócios. As redes sociais foram feiras para produzir endorfina nas mentes mais frágeis, de modo que estes passam a se sentir “os caras” nos domínios virtuais em contraponto as suas vidas reais. Muito parecido com o que as religiões vêm fazendo há milênios.

Estes são os casos de personalidades públicas somente nas redes sociais, mas não no mundo real. Eles estão tentando fazer o oposto de nós, com missão cumprida no mundo real adentrando nas redes sociais. Espero que não sejam tão mal recebidos pelo mundo real como nós temos sido nas redes sociais. Nós monetizamos economia séria no mundo real, enquanto eles monetizam bobagens no mundo virtual. E muita dança de biquíni, pegadinhas, palhaçadas, animais engraçadinhos, dublagens, mimicas, meninas bonitas, meninos sarados, piadinhas e imitações nos TikTok e Instagram da vida virtual. A alta cultura das redes sociais.


Só posso avaliar esta situação, sob o meu ponto de vista do mundo real da tecnologia de informação corporativa e do mundo dos negócios de onde vim com minha bagagem acadêmica, experiências, premiações, reconhecimentos e realizações produtivas para a humanidade. Não preciso ser anônimo obviamente, até porque na mídia que interessava a corporativa, já tive toda a publicidade que me foi necessária.


Termino parafraseando Tom Jobim: “Fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal”. Não tenho culpa por isso de incomodar tantos anônimos e C Levels do Twitter Brasil.


Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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