O MUNDO DA FANTASIA DAS REDES SOCIAIS

Fantasia


Fantasia em psicologia é um mecanismo de defesa que consiste na criação de um sistema de vida paralelo, que existe apenas na imaginação de quem o cria, com o objetivo de proporcionar uma satisfação ilusória, que não é ou não pode ser obtida na vida real. Não pode ser confundida com a idealização, que cria um sistema em que se deseja viver, mas ao mesmo tempo, leva ao planejamento e a movimentação para que aquela idealização se torne realidade no futuro, o que acaba por implicar na tomada de decisões e mudanças realizadas no presente.


Fântaso


Fântaso ou Fantasos (possivelmente do grego Φαντασος, transl. Phantasos, pelo latim Phantasus), na mitologia grega, é o deus da fantasia e um dos oneiros.


É filho de Hipnos (sono) e filho de Nix (noite). Aparece nos sonhos, na forma de objetos inanimados ou "sem vida" (no sentido greco-romano), como rochedos, água e bosques.


Seus dois irmãos, Morfeu - que toma a forma humana e é capaz de imitar mesmo as peculiaridades mais sutis de cada pessoa - e Fobetor (conhecido por outros deuses como Ícelo, seu "verdadeiro nome") - que toma a forma das bestas, podendo imitar as aves, quadrúpedes e serpentes - o auxiliam nos sonhos, Morfeu toma conta dos sonhos plausíveis, enquanto Fobetor dos pesadelos.


O mundo de fantasia das redes sociais


As redes sociais criaram verdadeiros mundos de fantasia, no quais as pessoas reais raramente têm espaço e personagens tomam o lugar das mesmas. Isso mesmo sem o anonimato.


Não vamos abordar personalidades famosas fora das redes sociais, uma vez que músicos, atores, escritores, cientistas etc. independem das redes sociais para serem alguém. Vamos falar do efeito das redes sociais nas pessoas não famosas.


O efeito fantasia, que as redes sociais causam nas pessoas comuns, principalmente nas jovens, idosas e de idade adulta com baixo nível cultural é praticamente uma doença.


Principalmente nas pessoas mais velhas ou de meia idade, mas com baixo nível cultural, as redes sociais funcionam como fontes de informações. Deste modo o que no passado eram fofocas, mentiras, boatos, rumores, lendas urbanas etc. que aconteciam em bares de esquina e salões de beleza de fundo de quintal (entre muitas localidades clichês mais), passou a acontecer pelas redes sociais. É o que chamamos de componentes da Pós-Verdade. Porém, com o uso político das redes sociais, surgiram as Fake News, que são informações falsas, com finalidade política, que se propagam pelas redes sociais muitas vezes imitando formatos de jornalismo profissional.


Assim como é comum na humanidade, as informações falsas se propagam em velocidade muito maior que as informações verdadeiras, que normalmente são chatas e sem graça, para este nível de pessoas. E com o alcance global da internet temos o efeito borboleta ocorrendo a todo minuto.


As pessoas mais velhas, que antigamente liam jornais e revistas, ouviam rádio ou assistiam televisão, estavam acostumadas a acreditar nas notícias destas mídias, que eram naturalmente filtradas pelo jornalismo profissional, legislações, códigos de ética e produzidas por empresas com altos investimentos e patrocínios todos sérios. Na internet elas vêm em formatos que se parecem com as mídias sérias e os incautos acabam tomando isso como verdade. Assim temos negacionismo, terraplanismo, campanhas contra vacinas e todo os tipos de aberrações informativas falsas possíveis, em pleno século XXI, circulando nas mentes e bocas destas pessoas mais velhas e / ou com nível cultural mais baixo.


Já entre a maioria dos jovens, que estão em fase escolar ou acadêmica, portanto menos suscetíveis a negar a ciência (salvo os evangélicos de igrejas-empresas brasileiras), as redes sociais não têm tanta influência política com Pós-Verdades e Fake News em suas vidas. Porém criam padrões sociais, para estes jovens, inatingíveis no mundo real. Isso também afeta uma parte considerável das mulheres adultas.


Basta observar as fotos visivelmente trabalhadas com aplicativos e edição e vídeos com “filtros”, que você começa a acreditar que todo mundo, exceto você, é lindo. E não apenas as imagens pessoais, mas também as imagens dos locais, alimentos, bens e muito mais que as pessoas gostam de ostentar nas redes sociais. É uma competição continua para as pessoas jovens e parte das mulheres adultas no mundo da fantasia das redes sociais, onde todos são personagens.


E uma das coisas mais comuns deste mundo de fantasia das redes sociais são as amizades. Há uma disputa continua pelo número de amigos virtuais, mesmo que a grande maioria das pessoas com presença constante nas redes sociais sejam solitárias em suas vidas reais. Mas apenas a fantasia importa, o que os outros pensam sobre você.


E também há o "empoderamento" de um estereótipo feminino clichê, com jovens mulheres e as vezes até crianças dançando, rebolando de costas em aplicativos como Instagram e TikTok. São músicas funk ou apenas dançantes onde as mulheres atraem a audiência masculina (também feminina) com seus traseiros e curvas (também decotes ousados) as vezes por monetizações paupérrimas e outras vezes apenas por atrair seguidores.


E não para por aí, também temos os jovens homens e as vezes já homens adultos, com algum grau de demência, que se julgam heróis dos videogames. Mesmo que suas vidas reais sejam enfadonhas e solitárias dentro de um quarto, gostam de bancar os super-heróis dos videogames, para tentar impressionar as mulheres e outros homens. É a fantasia da fantasia.


E as “nóias” criadas nas cabeças das pessoas, pelo mundo da fantasia das redes sociais, são muitas mais, todas administradas em grupos (bolhas de filtro) e propagadas nas linhas do tempo (câmeras de eco) para que estes personagens deste mundo virtual imaginário sejam usuários (dependentes químicos de serotonina), que no mundo das redes sociais consiste em ser cliente, produto e funcionário ao mesmo tempo.

Os usuários são clientes das redes sociais, consumindo produtos e serviços ofertados as pessoas, mesmo que aparentemente gratuitos. Ao mesmo tempo são produtos, vendidos como “big data” para as empresas que anunciam nas redes sociais ou usam dados pessoais, vendidos para terceiros. E por fim são funcionários, produzindo conteúdo gratuitamente para a rede social.


É uma relação, conhecida na cultura popular como “Caracu”, onde as redes sociais entram com a cara e você...