O MUNDO EM 3 DIMENSÕES!

Um tema recorrente em todos os meus textos no Estocástico é o fato de eu sempre tentar analisar os temas em 3 dimensões.


Esta será uma tarefa complexa e exigirá muitos textos, mas temos que começar independente do longo caminho pela frente.


Inicialmente vamos falar sobre o significado do nome do site. Em teoria probabilística, o padrão estocástico é aquele cujo estado é indeterminado, com origem em eventos aleatórios. Os padrões aleatórios se forem binários, só podem levar a dois resultados, ou seja: a um resultado bidimensional, apenas duas dimensões. Porém, é importante salientar uma diferença entre aleatoriedade estatística e estocasticidade. Normalmente, os eventos estocásticos são estatisticamente aleatórios. Todavia, podem eventualmente não o ser. É perfeitamente plausível, embora improvável, que uma série de 10 arremessos de dados gere a sequência não aleatória de 0,0,0,0,0,0,0,0,0,0 ou 1,1,1,1,1,1,1,1,1,1. Apesar de coerente — ou compressível (podendo ser expressa de um modo mais comprimido que a sequência inteira) — a sequência estatisticamente não-aleatória é estocástica, pois surgiu através de um evento aleatório: o lançar de dados.


Então esperar sempre por apenas um de dois resultados é algo basicamente do mundo em 2 dimensões. O mundo em duas dimensões é aquele que só existe, por exemplo em metros quadrados, mas não existe em metros cúbicos. Por mais limitados que nós humanos sejamos, nenhum de nós consegue enxergar e viver em um mundo em 2 dimensões.


Mas os seres humanos, assim como os computadores que criaram, trabalham apenas de modo binário. O sistema binário ou de base 2 é um sistema de numeração posicional em que todas as quantidades se representam com base em dois números, ou seja, zero e um (0 e 1).


Nossos cientistas ainda não conseguiram desenvolver computadores quânticos plenamente. Um computador quântico é um dispositivo que executa cálculos fazendo uso direto de propriedades da mecânica quântica, tais como sobreposição e interferência. Teoricamente, computadores quânticos podem ser implementados e o mais desenvolvido atualmente, trabalha com 512 qubits de informação. O principal ganho desses computadores é a possibilidade de resolver algoritmos num tempo eficiente, alguns problemas que na computação clássica levariam tempo impraticável (exponencial no tamanho da entrada), como por exemplo, a fatoração em primos de números naturais. A redução do tempo de resolução deste problema possibilitaria a quebra da maioria dos sistemas de criptografia usados atualmente. Contudo, o computador quântico ofereceria um novo esquema de canal mais seguro. O modelo quântico é baseado basicamente em um modelo tridimensional.



Figura 1: A esfera de Bloch é uma representação de um qubit, o bloco de construção fundamental de computadores quânticos.


Em mecânica quântica e computação, a esfera de Bloch é uma representação geométrica tridimensional do espaço de estado puro de um sistema mecânico quântico de dois níveis (qubit), em homenagem ao físico Felix Bloch.


Dada uma base ortonormal, qualquer estado puro de um sistema quântico de dois níveis pode ser escrito como uma superposição dos vetores de base 0 e 1 , onde o coeficiente ou quantidade de cada um dos dois vetores de base é um número complexo. Isso significa que o estado é descrito por quatro números reais. No entanto, apenas a fase relativa entre os coeficientes dos dois vetores de base tem algum significado físico, de modo que há redundância nesta descrição. Podemos pegar o coeficiente de 0 para ser real e não negativo. Isso permite que o estado seja descrito por apenas três números reais, dando origem às três dimensões da esfera de Bloch.


O modelo estocástico é utilizado atualmente sobre a computação binária, para simular resultados quânticos em 3 dimensões, como base da Inteligência Artificial. Dentro da inteligência artificial, programas estocásticos trabalham usando métodos probabilísticos para solucionar problemas, como em redes neurais estocásticas, otimização estocástica e algoritmos genéticos. Um problema pode ser estocástico em si mesmo, como no planejamento sob incerteza.


Simplificando meu raciocínio: sou estocástico e tento analisar os problemas em 3D, agora você já entende a razão.


Isso me faz estar um passo evolutivo acima das pessoas de bidimensionais (de base dois), mas não me faz ver toda a realidade, apenas tenho profundidade, coisa que a grande maioria das pessoas não têm.


Em termos de dimensões estou bastante limitado mesmo em 3D.


Na física e na matemática, a dimensão de um espaço matemático (ou objeto) é informalmente definida como o número mínimo de coordenadas necessárias para especificar qualquer ponto dentro dela. Assim, uma reta tem uma dimensão de um porque apenas uma coordenada é necessária para especificar um ponto nela – por exemplo, o ponto no 5 em uma reta numérica. Uma superfície como um plano ou a superfície de um cilindro ou esfera tem uma dimensão de dois porque duas coordenadas são necessárias para especificar um ponto nela – por exemplo, uma latitude, uma longitude e uma altura são necessárias para localizar um ponto na superfície de uma esfera. O interior de um cubo, um cilindro ou uma esfera é tridimensional porque são necessárias três coordenadas para localizar um ponto dentro desses espaços.


Na mecânica clássica, espaço e tempo são categorias diferentes e referem-se a espaço e tempo absolutos. Essa concepção do mundo é um espaço de quatro dimensões, mas não o que foi considerado necessário para descrever o eletromagnetismo. As quatro dimensões do espaço-tempo consistem em eventos que não são absolutamente definidos espacial e temporalmente, mas são conhecidos em relação ao movimento de um observador. O espaço de Minkowski primeiro se aproxima do universo sem gravidade; as variedades pseudo-riemannianas da relatividade geral descrevem o espaço-tempo com a matéria e a gravidade. Dez dimensões são usadas para descrever a teoria das cordas, onze dimensões podem descrever a supergravidade e a teoria-M, e o espaço de estados da mecânica quântica é um espaço de função de dimensão infinita.


O conceito de dimensão não se restringe a objetos físicos. Espaços de alta dimensão frequentemente ocorrem na matemática e nas ciências. Eles podem ser espaços de parâmetros ou espaços de configuração, como na mecânica lagrangiana ou hamiltoniana; estes são espaços abstratos, independentes do espaço físico em que vivemos.



Figura 2: Da esquerda para a direita: o quadrado, o cubo e o tesserato. O quadrado bidimensional (2d) é delimitado por linhas unidimensionais (1d); o cubo tridimensional (3d) por áreas bidimensionais; e o tesserato quadridimensional (4d) por volumes tridimensionais. Para exibição em uma superfície bidimensional, como uma tela, o cubo 3D e o tesserato 4d exigem projeção.


O tempo é muitas vezes chamado de quarta dimensão. Na física clássica e na percepção intuitiva humana, o tempo é visto como um parâmetro à parte das dimensões espaciais. Na teoria da relatividade, desenvolvida sobretudo pelos trabalhos de Henri Poincaré e Albert Einstein, o tempo é visto como uma das dimensões do espaço quadridimensional chamado de espaço-tempo. Eu como humano só consigo perceber o tempo em um único ponto, portanto, por mais que eu leia sobre o passado nunca conseguirei prever o futuro e estarei apenas em um único ponto.


Para piorar o saudoso Stephen Hawking ainda fez um livro abordando a Teoria das Cordas e a teoria-M que descrevem o universo com dez e onze dimensões, respectivamente.


Não consigo entender como as pessoas optam por enxergar as coisas apenas em duas dimensões mesmo sendo capazes ver em três dimensões.


Eu enxergo na obra do saudoso Carl Sagan uma explicação pela qual a maioria das pessoas tem uma visão de mundo bidimensional.


The Demon-Haunted World (Brasil: O Mundo Assombrado pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro /Portugal: Um mundo infestado de demónios), lançado em 1997) é um livro de Carl Sagan publicado originalmente em 1995.


Nesta obra, Carl Sagan, aflito com as explicações pseudocientíficas e místicas que ocupam os espaços dos meios de comunicação, reafirma o poder positivo e benéfico da ciência e da tecnologia para tentar iluminar os dias e recuperar os valores da racionalidade. Sagan pretende apresentar o método científico a leigos e encorajá-los a pensar de maneira crítica e cética, demonstrando métodos para distinguir ciência de pseudociência e propondo o ceticismo e o questionamento ao abordar novas ideias.


Sagan afirma que após uma análise das suposições de uma nova ideia ela deve permanecer plausível, e então ser reconhecida como uma suposição. O pensamento cético é uma maneira de construir, entender, racionalizar e reconhecer argumentos válidos e inválidos, e prová-los de maneira independente. Ele acreditava que a razão e a lógica devem prevalecer a favor da verdade. Através desses conceitos, os benefícios do pensamento crítico e a natureza "autocorretiva" da ciência emergiriam.


Sagan fornece uma análise cética de vários tipos de superstições, fraudes, pseudociências, e de crenças em deuses, espíritos, bruxas, OVNIs, percepção extra-sensorial e cura pela fé.

É neste conceito do “Mundo Assombrado pelos Demônios” que vejo a razão da falta de abordagem tridimensional do mundo: a Religião. Eu, como Albert Einstein e Stephen Hawking sou ateu, mas Carl Sagan tinha uma visão muito peculiar sobre a religião, segundo a qual ela só poderia funcionar de maneira binária.


Antes de prosseguir com Sagan cabe apresentar outras duas visões de outros gênios, para mim, relevantes sobre o conceito de um Deus.


"A palavra Deus não é para mim mais que a expressão e o produto da fraqueza humana", escreveu Albert Einstein em uma de suas cartas mais famosas, datada de janeiro de 1954, quando tinha 75 anos.


"Não há possibilidade de um Deus em nosso universo", acreditava Stephen Hawking um pouco antes de sua morte.


Sagan escrevia frequentemente sobre religião e a relação entre religião e ciência, expressando seu ceticismo sobre a conceituação convencional de Deus como um ser sábio, por exemplo:


“Algumas pessoas acreditam que Deus é um enorme homem de pele clara com uma longa barba branca, sentado em um trono em algum lugar lá em cima no céu, ocupado na contagem da queda de cada pardal. Outros – como Baruch Spinoza e Albert Einstein – consideraram Deus como essencialmente a soma do total das leis da física que descrevem o Universo. Eu não conheço nenhuma evidência convincente para a existência de um patriarca antropomórfico controlando o destino da humanidade a partir de algum ponto celestial escondido, porém seria uma insanidade negar a existência das leis da física”.


Em outra descrição de seu ponto de vista sobre Deus, Sagan afirmou categoricamente:


“A ideia de que Deus é um gigante barbudo de pele branca sentado no céu é ridícula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que regem o Universo, então claramente existe um Deus. Só que ele é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade”!


Sobre o ateísmo, Sagan comentou em 1981:


“Um ateu é alguém que tem certeza de que Deus não existe, alguém que tem evidências convincentes contra a existência de Deus. Eu não conheço uma evidência assim convincente. Como Deus pode ser relegado a tempos e locais remotos e a causas últimas, teríamos que saber muito mais sobre o universo do que sabemos agora para ter certeza de que Deus não existe. Ter certeza da existência de Deus e ter a certeza da não existência de Deus parece-me serem os extremos muito confiantes em um assunto tão cheio de dúvida e incerteza a ponto de inspirar, na verdade, muito pouca confiança”.


Segundo Carl Sagan então meu Ateísmo também é um ato de fé, assim o resultado é 2x1 (Einstein e Hawking x Sagan).


A Ropert Pope, Sagan escreveu em 1996:


“Eu não sou um ateu. Um ateu é alguém que tem evidências atraentes de que não há um Deus judeu-cristão-islâmico. Eu não sou tão sábio, mas tampouco considero haver qualquer coisa próxima de uma evidência adequada para tal deus. Por que vocês têm tanta pressa em se decidir? Por que não simplesmente esperar até que haja evidências atraentes”?


Em 1996, em resposta a uma pergunta sobre suas crenças religiosas, Sagan respondeu: “Eu sou agnóstico”. O ponto de vista de Sagan sobre religião tem sido interpretado como uma forma de panteísmo comparável à crença de Albert Einstein no Deus de Spinoza. Sagan afirmava que a ideia de um criador do Universo era difícil de provar ou refutar, e que a única descoberta que poderia confrontar isto seria um universo infinitamente antigo. De acordo com sua última esposa Ann Druyan, Sagan não era um crente:


“Quando meu marido morreu, porque ele era tão famoso e conhecido por não ser um crente, muitas pessoas vieram a mim – ainda acontece às vezes – me perguntar se Carl havia mudado no final e se convertido a uma crença na vida após a morte. Também me perguntam frequentemente se eu acho que vou vê-lo novamente. Carl enfrentou a morte com coragem inabalável e nunca procurou refúgio em ilusões. A tragédia foi que sabíamos que nunca iriamos nos ver outra vez. Eu não espero estar com Carl novamente”.


Sagan também comentou sobre o cristianismo, afirmando que "Minha visão de longa data sobre o cristianismo é que ele representa um amálgama de duas partes aparentemente imiscíveis: a religião de Jesus e a religião de Paulo. Thomas Jefferson tentou extirpar as partes paulinas do Novo Testamento. Não sobrou muita coisa quando ele concluiu, mas era um documento inspirador".


Carl Sagan era defensor da Teologia Natural. Teologia Natural é uma parte da filosofia da religião que lida com as tentativas de se provar a existência de Deus e outros atributos divinos por meios puramente filosóficos, isto é, sem recurso a quaisquer revelações especiais ou sobrenaturais. (O outro lado deste esforço é por vezes chamado como "Ateísmo natural", em que filósofos ateus tentam provar que Deus não existe, ou tentam refutar as provas dos filósofos teístas.) A expressão "teologia natural" (theologia naturalis) sobrevive em citações de Varrão, por Agostinho de Hipona, com base na tradição estoica.


Teologia Natural (ou religião natural) é Teologia baseada na razão e na experiência, explicando os deuses racionalmente, como parte do mundo físico. Assim é diferenciado de Teologia da Revelação, que é baseada na Bíblia e em experiências religiosas de vários tipos; E também da teologia transcendental, do raciocínio teológico a priori (ver Immanuel Kant et alia).


A Teologia Natural era originalmente parte de filosofia e Teologia, e teólogos continuam a estudá-la, mas a maior parte do seu conteúdo faz parte da filosofia da religião.

Talvez o maior discípulo de Carl Sagan, ainda vivo, tem uma visão ainda mais evoluída que a do seu mentor: Neil deGrasse Tyson.


Tyson tem argumentado que o conceito de design inteligente impede o avanço do conhecimento científico. Ao ser questionado sobre se acredita num poder superior, responde: "Todas as menções a um poder superior que já vi descritas, de todas as religiões que conheço, incluem referências à benevolência desse poder. Quando observo o universo e todas as maneiras que o universo tem para nos matar, tenho dificuldades em fazer corresponder isso com afirmações de beneficência." Numa entrevista para o podcast Point of Inquiry, Tyson definiu-se como sendo agnóstico.


Já escreveu e divulgou amplamente os seus pontos de vista sobre a religião, espiritualidade e a espiritualidade da ciência, incluindo as dissertações The Perimeter of Ignorance (O Perímetro da Ignorância) e Holy Wars (Guerras Santas), que apareceram na revista Natural History e no workshop Beyond Belief de 2006. Tyson colaborou com o biólogo evolucionista Richard Dawkins em palestras sobre religião e ciência.


A visão de Tyson deixa bem clara que a fé cega as pessoas e até as impele a comportamentos irracionais, justamente pela linha religiosa da qual se originaram as três maiores religiões do mundo atual: o cristianismo, o islamismo e o judaísmo. Estamos falando do Zoroastrismo.


O zoroastrismo, masdaísmo, masdeísmo/mazdeísmo ou parsismo é uma religião e filosofia fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É uma fé multifacetada centrada em uma cosmologia dualista do bem e mal e uma escatologia que prevê a conquista final do mal com elementos teológicos do henoteísmo, monoteísmo/monismo e politeísmo. Para grandes acadêmicos, os pontos chaves das principais doutrinas do Zoroastrismo sobre a escatologia e demonologia, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo, o islamismo e outras religiões monoteístas.


Deixou traços nas principais religiões mundiais como o judaísmo, cristianismo e islamismo através das seguintes crenças:


1. Imortalidade da alma;

2. Vinda de um Messias;

3. Ressurreição dos mortos;

4. Juízo final.


A doutrina de Zaratustra foi espalhada oralmente e suas reformas não podem ser entendidas fora de seu contexto social. O indivíduo pode receber recompensas divinas se lutar contra o mal em seu cotidiano, como pode também ser punido após a morte caso escolha o lado do mal.


Essa visão bidimensional maniqueísta (*) que estas religiões exigem dos seguidores acaba restringindo sempre tudo ao raciocínio binário (ou de base 2), tirando a profundidade da terceira dimensão da visão dos fiéis, de modo a torna-los “cegos” e mais facilmente modulados, manipulados e controlados.


(*) Definições de Oxford Languages:

Substantivo masculino.

1. RELIGIÃO

Dualismo religioso sincretista que se originou na Pérsia e foi amplamente difundido no Império Romano (sIII d.C. e IV d.C.), cuja doutrina consistia basicamente em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal), em localizar a matéria e a carne no reino das sombras, e em afirmar que ao homem se impunha o dever de ajudar à vitória do Bem por meio de práticas ascéticas, esp. evitando a procriação e os alimentos de origem animal.

2. POR EXTENSÃO

Qualquer visão do mundo que o divide em poderes opostos e incompatíveis.


Se compararmos o panteão de deuses gregos, quase humanos e multifacetados, que apesar de serem uma única nação eram cidades estado autônomas e muitas vezes guerreavam entre si, a manipulação, modulação e controle dos fiéis era bem mais difícil e a produção intelectual profunda, em três dimensões, dos grandes pensadores gregos estão até hoje entre nós. Entenderam a sutileza? No monoteísmo religioso tudo que não é por nosso deus é contra ele. Não existe espaço para visões diferentes com deuses diferentes.

Mas não só as religiões, geralmente controladas ou sendo o Estado, utilizam a modulação, manipulação e controle sobre as massas com o dualismo bidimensional. Algumas obras literárias, que se tornaram filosóficas, seguem esta mesma linha:


1. O Príncipe, de Maquiavel;

2. A Arte da Guerra, de Sun Tzu (que não existiu de fato);

3. Bushido, o Caminho do Guerreiro, Desconhecido.


A mídia também foi utilizada, para fixar o dualismo bidimensional, desde que Johannes Gutenberg reinventou a imprensa até o mais recente satélite colocado em orbita para transmissão de televisão.


E agora, chegamos finalmente na mais nova forma de modulação, manipulação e controle de massas com dualismo bidimensional: a da internet, sem dúvida a forma mais poderosa de todas que a humanidade já se deparou até agora.


A internet, no seu formato atual, em dispositivos pequenos, móveis que nos circulam e acompanham no nosso dia a dia, inclusive ajudando na realização de várias atividades é a nova mídia e religião ao mesmo tempo.


Partindo dos hardwares cada vez menores e mais poderosos, com softwares de sistemas operacionais cada vez mais completos e complexos, temos os nossos smatrphones que nos acompanham anytime, anything and anywhere.


Estes aparelhos estão equipados para escutar você, ver você, falar com você, pensar com você, bem como tem acesso a toda a sua vida, sabendo sempre onde você está, o que está fazendo, conhecendo todos os seus amigos, parentes e colegas de trabalho, seus gostos, seus segredos e interagindo cada vez mais com você e outros produtos e serviços que fazem parte de sua vida.


Esse é apenas seu “inimigo íntimo”. Conversando com ele, nas “nuvens” (Cloud) se encontram três “entidades” que existem unicamente para lhe modular, manipular e controlar. São elas: Big Data, Deep Learning e Machine Learning.


1) Big Data (megadados ou grandes dados em português) é a área do conhecimento que estuda como tratar, analisar e obter informações a partir de conjuntos de dados grandes demais para serem analisados por sistemas tradicionais. Ao longo das últimas décadas, a quantidade de dados gerados tem crescido de forma exponencial. O surgimento da Internet aumentou de forma abrupta a quantidade de dados produzidos, e a popularização da Internet das coisas fez saímos da era do terabyte para o petabyte. Em 2015, entramos na era do zetabytes, e atualmente geramos mais de 2,5 quintilhões de bytes diariamente. O termo Big Data surgiu em 1997 e seu uso foi utilizado para nomear essa quantidade cada vez mais crescente e não estruturada de dados sendo gerados a cada segundo. Atualmente a big data é essencial nas relações econômicas e sociais e representou uma evolução nos sistemas de negócio e na ciência. As ferramentas de big data são de grande importância na definição de estratégias de marketing, aumentar a produtividade, reduzir custos e tomar decisões mais inteligentes. A essência do conceito está em gerar valor para negócios. No que tange a ciência, o surgimento da big data representou a criação de um novo paradigma (4° paradigma) sendo concebido um novo método de avançar as fronteiras do conhecimento, por meio de novas tecnologias para coletar, manipular, analisar e exibir dados, construindo valor agregado com as análises geradas.



Figura 3: A Big Data abrange conjuntos de dados de grande volume, variedade e velocidade.


2) A aprendizagem profunda, do inglês Deep Learning (também conhecida como aprendizado estruturado profundo, aprendizado hierárquico ou aprendizado de máquina profundo) é um ramo de aprendizado de máquina (Machine Learning) baseado em um conjunto de algoritmos que tentam modelar abstrações de alto nível de dados usando um grafo profundo com várias camadas de processamento, compostas de várias transformações lineares e não lineares


A aprendizagem profunda é parte de uma família mais abrangente de métodos de aprendizado de máquina baseados na aprendizagem de representações de dados. Uma observação (por exemplo, uma imagem), pode ser representada de várias maneiras, tais como um vetor de valores de intensidade por pixel, ou de uma forma mais abstrata como um conjunto de arestas, regiões com um formato particular, etc. Algumas representações são melhores do que outras para simplificar a tarefa de aprendizagem (por exemplo, reconhecimento facial ou reconhecimento de expressões faciais). Uma das promessas da aprendizagem profunda é a substituição de características feitas manualmente por algoritmos eficientes para a aprendizagem de características supervisionada ou semi-supervisionada e extração hierárquica de características.


A pesquisa nesta área tenta fazer representações melhores e criar modelos para aprender essas representações a partir de dados não rotulados em grande escala. Algumas das representações são inspiradas pelos avanços da neurociência e são vagamente baseadas na interpretação do processamento de informações e padrões de comunicação em um sistema nervoso, tais como codificação neural que tenta definir uma relação entre vários estímulos e as respostas neuronais associados no cérebro.


Várias arquiteturas de aprendizagem profunda, tais como redes neurais profundas, redes neurais profundas convolucionais, redes de crenças profundas e redes neurais recorrentes têm sido aplicadas em áreas como visão computacional, reconhecimento automático de fala, processamento de linguagem natural, reconhecimento de áudio e bioinformática, onde elas têm se mostrado capazes de produzir resultados do estado-da-arte em várias tarefas.


Aprendizagem profunda foi caracterizada como a expressão na moda, ou uma recaracterização das redes neurais.



Figura 4: Comparação entre rede neural simples e rede neural com aprendizado profundo.


3) O aprendizado automático (português brasileiro) ou a aprendizagem automática (português europeu) ou também aprendizado de máquina (português brasileiro) ou aprendizagem de máquina (português europeu) (em inglês: machine learning) é um subcampo da Engenharia e da ciência da computação que evoluiu do estudo de reconhecimento de padrões e da teoria do aprendizado computacional em inteligência artificial. Em 1959, Arthur Samuel definiu aprendizado de máquina como o "campo de estudo que dá aos computadores a habilidade de aprender sem serem explicitamente programados" (livre tradução). O aprendizado automático explora o estudo e construção de algoritmos que podem aprender de seus erros e fazer previsões sobre dados. Tais algoritmos operam construindo um modelo a partir de inputs amostrais a fim de fazer previsões ou decisões guiadas pelos dados ao invés de simplesmente seguindo inflexíveis e estáticas instruções programadas. Enquanto que na inteligência artificial existem dois tipos de raciocínio (o indutivo, que extrai regras e padrões de grandes conjuntos de dados, e o dedutivo), o aprendizado de máquina só se preocupa com o indutivo.


Algumas partes do aprendizado automático estão intimamente ligadas (e muitas vezes sobrepostas) à estatística computacional; uma disciplina que foca em como fazer previsões através do uso de computadores, com pesquisas focando nas propriedades dos métodos estatísticos e sua complexidade computacional. Ela tem fortes laços com a otimização matemática, que produz métodos, teoria e domínios de aplicação para este campo. O aprendizado automático é usado em uma variedade de tarefas computacionais onde criar e programar algoritmos explícitos é impraticável. Exemplos de aplicações incluem filtragem de spam, reconhecimento ótico de caracteres (OCR), processamento de linguagem natural, motores de busca, diagnósticos médicos, bioinformática, reconhecimento de fala, reconhecimento de escrita, visão computacional e locomoção de robôs. O aprendizado de máquinas é às vezes confundido com mineração de dados, que é um subcampo que foca mais em análise exploratória de dados e é conhecido como aprendizado não supervisionado. No campo da análise de dados, o aprendizado de máquinas é um método usado para planejar modelos complexos e algoritmos que se prestam para fazer predições no uso comercial, isso é conhecido como análise preditiva. Esses modelos analíticos permitem que pesquisadores, cientistas de dados, engenheiros, e analistas possam "produzir decisões e resultados confiáveis e repetitíveis" e descobrir os "insights escondidos" através do aprendizado das relações e tendências históricas nos dados.



Figura 5: Comparação entre Machine Learning e Deep Learning.


Basicamente funciona assim. A Big Data acumula todas as informações sobre e relacionadas a você de maneira estruturada. O Deep Learning estuda todas estas informações e identifica seu comportamento, como você, seus hábitos, o que você gosta e tudo mais sobre você. Já o Machine Learning é “inteligente”, ele consegue aprender coisas além das que aprendeu sobre você, consegue tomar novas decisões e até se corrigir, tendo a capacidade de lhe apresentar coisas novas, na qual você talvez até fosse chegar sozinho, mas ele irá chegar lá com ou sem você.


Estas três entidades menores da Tecnologia de Informação, juntas formam a grande entidade da tecnologia, a Inteligência Artificial.



Figura 6: Inteligência Artificial.


Inteligência artificial (por vezes mencionada pela sigla em português IA ou pela sigla em inglês AI - artificial intelligence) é a inteligência similar à humana exibida por mecanismos ou software, além de também ser um campo de estudo acadêmico. Os principais pesquisadores e livros didáticos definem o campo como "o estudo e projeto de agentes inteligentes", onde um agente inteligente é um sistema que percebe seu ambiente e toma atitudes que maximizam suas chances de sucesso. Andreas Kaplan e Michael Haenlein definem a inteligência artificial como “uma capacidade do sistema para interpretar corretamente dados externos, aprender a partir desses dados e utilizar essas aprendizagens para atingir objetivos e tarefas específicos através de adaptação flexível”. John McCarthy, quem cunhou o termo em 1956 ("numa conferência de especialistas celebrada em Darmouth Colege" Gubern, Román: O Eros Eletrônico), a define como "a ciência e engenharia de produzir máquinas inteligentes". É uma área de pesquisa da computação dedicada a buscar métodos ou dispositivos computacionais que possuam ou multipliquem a capacidade racional do ser humano de resolver problemas, pensar ou, de forma ampla, ser inteligente. Também pode ser definida como o ramo da ciência da computação que se ocupa do comportamento inteligente ou ainda, o estudo de como fazer os computadores realizarem coisas que, atualmente, os humanos fazem melhor.


O principal objetivo dos sistemas de IA, é executar funções que, caso um ser humano fosse executar, seriam consideradas inteligentes. É um conceito amplo, e que recebe tantas definições quanto damos significados diferentes à palavra inteligência. Podemos pensar em algumas características básicas desses sistemas, como a capacidade de raciocínio (aplicar regras lógicas a um conjunto de dados disponíveis para chegar a uma conclusão), aprendizagem (aprender com os erros e acertos de forma que no futuro agirá de maneira mais eficaz), reconhecer padrões (tanto padrões visuais e sensoriais, como também padrões de comportamento) e inferência (capacidade de conseguir aplicar o raciocínio nas situações do nosso cotidiano).


O desenvolvimento da área começou logo após a Segunda Guerra Mundial, com o artigo "Computing Machinery and Intelligence" do matemático inglês Alan Turing, e o próprio nome foi cunhado em 1956. Seus principais idealizadores foram os cientistas Herbert Simon, Allen Newell, John McCarthy, Warren McCulloch, Walter Pitts e Marvin Minsky, entre outros. A construção de máquinas inteligentes interessa à humanidade há muito tempo, havendo na história tanto um registro significante de autômatos mecânicos (reais) quanto de personagens místicos (fictícios) construídos pelo homem com inteligência própria, tais como o Golem e o Frankenstein. Tais relatos, lendas e ficções demonstram expectativas contrastantes do homem, de fascínio e de medo, em relação à Inteligência Artificial.


Apenas recentemente, com o surgimento do computador moderno, é que a inteligência artificial ganhou meios e massa crítica para se estabelecer como ciência integral, com problemáticas e metodologias próprias. Desde então, seu desenvolvimento tem extrapolado os clássicos programas de xadrez ou de conversão e envolvido áreas como visão computacional, análise e síntese da voz, lógica difusa, redes neurais artificiais e muitas outras. Inicialmente a IA visava reproduzir o pensamento humano. A Inteligência Artificial abraçou a ideia de reproduzir faculdades humanas como criatividade, auto aperfeiçoamento e uso da linguagem. Porém, o conceito de inteligência artificial é bastante difícil de se definir. Por essa razão, Inteligência Artificial foi (e continua sendo) uma noção que dispõe de múltiplas interpretações, não raro conflitantes ou circulares.


Hoje vivemos ainda os primórdios da Inteligência Artificial, a “fraca”, o desenvolvimento da “forte” ainda depende de computação quântica, já em andamento nas Big Techs.



Figura 7: Uma comparação entre o atual estágio da Inteligência Artificial, a fraca, e a inteligência humana natural.


As redes sociais, sistemas operacionais do hardware, os buscadores e os diversos aplicativos utilizados em nossos smartphones em sua maioria já fazem uso, em algum grau, de Inteligência Artificial. E temos que entender que as empresas Big Techs, são patrocinadas e têm como acionistas institucionais o grande capital internacional circulante, no mercado de capitais, de uma elite econômica que conduz também, além da tecnologia, a política e a economia. Portanto assim como as religiões, o objetivo é manter as massas numa visão dualista, maniqueísta, binária, romântica, passional etc. visando modulação, manipulação e controle. E os sistemas tecnológicos sociais das Big Techs são o ápice da evolução deste “modus operandi”.


Com o uso da Inteligência Artificial, as redes sociais (num conceito mais amplo que inclui as próprias, os buscadores, os sistemas operacionais e outros aplicativos), conseguem colocar várias “etiquetas” nas pessoas baseadas em seus padrões pessoais. Assim grupos de pessoas com etiquetas equivalentes são colocadas dentro das mesmas bolhas de filtro. Lembrando que tridimensionalmente uma pessoa faz parte de várias bolhas de filtragem ao mesmo tempo.


Uma bolha de filtro - um termo cunhado pelo ativista da internet Eli Pariser - é um estado de isolamento intelectual que supostamente pode resultar de pesquisas personalizadas quando um algoritmo de site adivinha seletivamente quais informações um usuário gostaria de ver com base nas informações sobre o usuário, como localização, comportamento de cliques anteriores e histórico de pesquisa. Como resultado, os usuários se separam de informações que discordam de seus pontos de vista, isolando-os efetivamente em suas próprias bolhas culturais ou ideológicas. As escolhas feitas por esses algoritmos não são transparentes. Os principais exemplos incluem Google Pesquisa personalizada resultados e Facebook 's personalizado notícia-stream. O efeito da bolha pode ter implicações negativas para o discurso cívico, de acordo com Pariser, mas pontos de vista contrastantes consideram o efeito mínimo e endereçável. Os resultados da eleição presidencial dos EUA em 2016 foram associados à influência de plataformas de mídia social como Twitter e Facebook, e, como resultado, questionaram os efeitos da "bolha de filtro" fenômeno na exposição do usuário a notícias falsas e câmaras de eco, estimulando um novo interesse no termo, com muitos preocupados que o fenômeno possa prejudicar a democracia e o bem-estar, tornando os efeitos da desinformação piores.


(Tecnologia como mídia social) “permite que você saia com pessoas que pensam como você, então você não está misturando e compartilhando e entendendo outros pontos de vista ... É superimportante. Acabou sendo um problema maior do que eu, ou muitos outros, esperaríamos. ” -  Bill Gates 2017 em Quartz.



Figura 8: Representação de um usuário de rede social dentro aprisionado dentro de várias bolhas de filtro.


As pessoas com similaridades, dentro das bolhas de filtro são levadas a interagir entre si através de outro recurso, as câmaras de eco.


Nos meios de comunicação, o termo câmara de eco é análogo a uma câmara de eco acústica, onde os sons reverberam em um invólucro oco. Uma câmara de eco, também conhecido como câmara de eco ideológica, é uma descrição metafórica de uma situação em que informações, ideias ou crenças são amplificadas ou reforçadas pela comunicação e repetição dentro de um sistema definido. Dentro de uma câmara de eco, as fontes dominantes muitas vezes são inquestionáveis e opiniões diferentes ou concorrentes são censuradas ou desautorizadas. A maioria dos ambientes de câmara de eco dependem de doutrinação e propaganda, a fim de disseminar informação, sutil ou não, de modo a atrapalhar os que estão presos na câmara e a evitar que tenham habilidades de pensamento cético necessárias para desacreditar a desinformação óbvia.


Com o crescimento da Internet a distribuição e o acesso à informação aumentaram em larga escala enquanto o custo de produção caiu drasticamente. Com o surgimento de redes sociais (Facebook, Google e Twitter), pessoas podem compartilhar suas experiências de vida e opiniões com outros milhares. Juntamente com os mecanismos de pesquisas que facilitam e aumentam a acesso diversidade de opiniões do que em um jornal impresso.


De acordo com pesquisadores tais ferramentas de informações pode criar as chamadas câmaras de eco, termo dado a qual o indivíduo procura informações conforme suas opiniões. Adicionando isso com mecanismos de procura, novos agregadores, e redes sociais cada vez mais personalizados por um mecanismo de aprendizado de máquina, obtemos uma bolha filtragem potente na qual amplia a segregação de ideias, pois o algoritmo irá recomendar mais conteúdo de acordo com o que o indivíduo concorda.


Uma equação simplificada de como o Facebook determina o que mostrar no seu feed de notícias.


Pessoas que participam de grupos fechados em redes sociais são sujeitas a ver ideias iguais sendo repetidas várias vezes pelos outros membros, assim reforçando aquilo que acreditam. Isso pode criar barreiras para discurso no meio virtual e aumentar bullying entre esses grupos. Segundo Eli Pariser as câmaras de eco são claramente prejudiciais para a consciência pública de questões importantes, já que ele realmente limita quem pode descobrir informações relevantes sobre certos eventos. Além disso, situações em que as pessoas são expostas apenas a informações que reforçam suas crenças atuais causam polarização, pois os indivíduos se tornam mais convencidos de sua ideia quando não estão vendo um conjunto diversificado de pareceres de especialistas.



Figura 9: Representação de como as câmaras de eco modulam e manipulam grupos de pessoas sobre assuntos.


As câmaras de eco também foram vinculadas ao referendo britânico Brexit. Tom Steinberg, o especialista em tecnologias e impacto social e fundador do MySpace, procurou em suas redes sociais algum exemplo de pessoas comemorando os resultados do Brexit. Não encontrando nenhum ele deixou um apelo em sua rede social.


"Eu estou procurando ativamente através do meu Facebook por pessoas celebrando a vitória do Brexit, mas a bolha de filtro é TÃO forte, e se estende por TÃO longe em direção a coisas como a busca customizada do Facebook que eu não consigo encontrar ninguém que esteja feliz apesar do fato de que mais da metade do país está claramente jubilante hoje e apesar do fato de que eu estou ativamente procurando ouvir o que eles têm para dizer. Esse problema de câmera de eco é agora TÃO severo e TÃO crônico que eu apenas posso implorar para qualquer amigo que eu tenho que realmente trabalhe para o Facebook e outras significativas mídias sociais para urgentemente falar para seus líderes que não agir sobre esse problema agora significa apoiar ativamente e financiar a ruptura do tecido de nossas sociedades. Simplesmente por que eles não são como anarquistas ou terroristas – eles não estão fazendo essa ruptura de propósito – não é desculpa – o efeito é o mesmo, nós estamos criando países onde uma metade não sabe nada a respeito da outra metade. Está nas mãos de pessoas como Mark Zuckerberg fazer algo a respeito disso, se eles forem fortes o bastante e inteligentes o bastante para trocar um pouco do seu valor para os acionistas pelo bem-estar de nações e do mundo como um todo."


Essa polarização dualista, binária, maniqueísta, bidimensional, é utilizada para manter as pessoas sempre em 2 dimensões, linearmente apenas enxergando sem profundidade. Isso gera emoções, exige fé, que é o caminho garantido para a modulação, manipulação e controle das massas. Não interessa para as redes sociais uma visão tridimensional. É assim que funcionam religiões, mídias e estados, vejamos alguns exemplos:


· Arenas romanas com gladiadores;

· Novelas com vilões e mocinhos;

· Esportes;

· Programas Policiais;

· Deus e Diabo;

· Bom e Mal;

· Dia e Noite;

· Certo ou Errado;

· Anjos e Demônios;

· Pecador e Impoluto;

· Mocinho e Bandido;

· Videogames;

· Política;

· Partidos Políticos;

· Bolsonaro e Lula;

· Céu e Inferno.


Através das emoções dualizadas, como o zoroastrismo já fazia. É uma fé multifacetada centrada em uma cosmologia dualista do bem e mal.


Com as pessoas polarizadas, defendendo seus “ideais” elas ficam cada vez mais tempo engajadas, ou seja: conectadas na rede social. Produzem muito mais conteúdo já que são usuários, o que significa cliente, funcionário e produto ao mesmo tempo. Lembrando que somente duas organizações chamam seus clientes como usuários: as redes sociais e o narcotráfico. Com este engajamento elas cada vez mais produzem “Big Data”, para aumentar a eficiência e eficácia da Inteligência Artificial, sem falar na endorfina no cérebro dos usuários viciados.


Isso aumenta os negócios já que os produtos e serviços dos anunciantes são basicamente direcionados no modelo de marketing one-to-one, feitos sob medida para cada um dos usuários.


Também as redes sociais vendem seus próprios serviços, com uma base cada vez maior e mais engajada de usuários. Estes serviços são vendidos tanto para pessoas como empresas. E todos com uso de inteligência artificial.



Figura 10: Módulo para desenvolvedores do Facebook.



Figura 11: Módulo para desenvolvedores do Twitter.



Figura 12: Módulo de desenvolvedores do Google.



Figura 13: Módulo para desenvolvedores Apple.


Assim o poder de modulação, manipulação e controle das redes sociais está à disposição de quem quiser pagar e desenvolver nele.


Então já ficou elucidado que a tecnologia e a economia andam juntas, inclusive como acionistas institucionais e clientes corporativos.


Agora chegamos na política.


Estamos vivenciando, talvez o crepúsculo de um fenômeno político denominado como Democracia Ciborgue (de um grupo econômico e político que denomino por Nova Direita). Um grupo que utilizou magistralmente as redes sociais, em todos os seus recursos, se aproveitando da capacidade de modulação, manipulação e controle destas, associados ao raciocínio binário, bidimensional, maniqueísta, bidimensional sem profundidade da maioria das pessoas, que são mantidas assim há milênios, talvez até antes do zoroastrismo na época das cavernas cultuando o sol e a lua.


Se colocando como oposição a evolução da sociedade, este grupo infundiu medo nas pessoas baseando-se em Pós-Verdades, Fake News, Negacionismo, Conspirações etc. se inspirando em um saudosismo distópico que nunca existiu, mas espelhado em movimentos totalitários como fascismo, nazismo, socialismo, comunismo etc. Este grupo se associou muito intimamente com as religiões, apesar de que restaria apenas um deles no final. Este grupo se aproveitou sobremaneira da falta de profundidade das pessoas em enxergar outra opção, que não as lineares direita e esquerda. E é claro, pintando a esquerda, o lado progressista, com a responsável por todos os problemas da humanidade e estar planejando acabar com o mundo como ele existe. E usando estas emoções e fé rasas destas pessoas já confinadas em bolhas e vociferando em câmaras de eco, chegou a eleger políticos grotescos em diversos países, do qual Donald Trump foi o mais famoso e Jair Bolsonaro nossa versão genérica tropical.


Toda esta metodologia da Democracia Ciborgue foi concebida, testada e aprovada na Itália, por um genial, já falecido, guru: Gianroberto Casaleggio, assessorado por seu “socketpuppet” de carne e osso, o comediante Beppe Grillo. Esta metodologia foi inspirada na Democracia Direta.


Uma democracia direta é qualquer forma de organização na qual todos os cidadãos podem participar diretamente no processo de tomada de decisões. As primeiras democracias da antiguidade foram democracias diretas. O exemplo mais marcante das primeiras democracias diretas é a de Atenas (e de outras cidades gregas), nas quais o povo se reunia nas praças e ali tomava decisões políticas. Na Grécia antiga o "povo" era composto por pessoas com título de cidadão ateniense. Porém, mulheres, escravos e mestiços não tinham direito a esse título, exclusivo para homens que fossem filhos e netos de atenienses. No mundo atual o sistema que mais se aproxima dos ideais da democracia direta é a democracia semidireta da Suíça.


Na Itália, o projeto Listapartecipata cujo slogan é "O controle do governo nas mãos do Povo (e não só no dia das eleições)" é uma experiência de democracia direta que vem sendo posta em prática, e é similar ao projeto sueco, chamado Demoex - democracia experimental. O Projeto Lista Partecipata permite que um grupo de pessoas se reúna e participe de discussões utilizando internet, telefone ou os correios para eleger um membro como candidato às eleições regionais. Em caso de vitória, o membro da lista eleito é obrigado a seguir as decisões tomadas por todos os membros dentro desse sistema de decisão multicanal, e arriscando-se a ser automaticamente demitido do cargo se não o fizer (veja poder revogatório de mandato). Esse sistema de decisões, chamado Deciadiamo foi criado pela Fundação Telemática Livre, com sede em Roma.


O Movimento per la Democrazia Diretta, cujo lema é Ogni cittadino um membro del Parlamento (Cada cidadão um membro do Parlamento) promove a democracia direta na Itália, e coordena várias iniciativas similares.


O Resultado da Democracia Ciborgue projetada pelo Casaleggio foi o partido político MoVimento 5 Stelle ou M5S, que tinha como frontman Beppe Grillo enquanto Casaleggio sempre foi mais um guru, uma eminência parda dentro do partido até sua morte, sendo substituído plenamente pelo seu filho: Davide Casaleggio, o guru atual.


Mas a concepção inicial do M5S não era um movimento como acabou se tornando a Democracia Ciborgue da Nova Direita. Ele foi apropriado e adequado em parte por esta Nova Direita, excluindo a Democracia Direta do projeto de poder bem como as pautas progressistas.


Ideologicamente, o M5S é um partido bastante complexo e divergente pela sua linha populista, eurocética e antissistema, ao mesmo tempo que defende a democracia direta e é contra intervenções militares do Ocidente na Síria ou Líbia. Apesar de ser acusado de advogar o populismo de direita pela sua posição anti-imigração, o Movimento defende políticas tradicionalmente de esquerda como políticas verdes e ambientalismo, tal como rendimento básico universal. As cinco estrelas representam as cinco prioridades do Movimento: água pública, ambientalismo, transportes sustentáveis, direito à Internet e desenvolvimento sustentável.


A escolha de marcar e explorar eleitoralmente a alteridade política dos outros partidos e a extração ideológica heterogénea dos seus expoentes não permitem que a linha política do M5S seja definida de forma unívoca.


De acordo com o programa para as eleições legislativas de 2013, algumas questões de derivação ecológica podem ser identificadas ao lado de outras destinadas a contrariar a partidocracia e promover a participação direta dos cidadãos na gestão dos assuntos públicos, que convergem na gestão dos assuntos públicos por meio de formas de democracia digital. O movimento quer ser um “encontro democrático fora dos laços partidários e associativos e sem a mediação de organismos diretivos ou representativos, reconhecendo a todos os usuários da Internet o papel de governo e direção que normalmente é atribuído a poucos”. Do ponto de vista económico, abraça as teorias do decrescimento, apoiando a criação de "empregos verdes" e a rejeição de "grandes obras" poluentes e dispendiosas, incluindo incineradores e ferrovias de alta velocidade, visando uma melhor qualidade de vida global e maior justiça social. O M5S propõe a adoção de projetos energéticos de grande escala, eliminação de resíduos, mobilidade sustentável, proteção do território contra a construção excessiva e tele trabalho. O discurso político do movimento costuma se referir à Internet como solução para muitos problemas sociais, económicos e ambientais. Essa abordagem tem semelhanças com o ciberutopismo norte-americano e com a Ideologia Californiana.


Na prática o modelo do M5S encontrou problemas justamente na questão da Democracia Direta, pela razão das pessoas terem suas visões dualistas, bidimensionais, binárias, maniqueístas etc. naturalmente, levando o partido a adotar posições ultraconservadoras equivocadas por várias vezes. Além disso a mesma metodologia miliciana nas redes sociais, foi adotada pela Nova e Velha Direita, sem plataforma tecnológica de Democracia Direta do M5S, o Rousseau. Assim a Democracia Ciborgue ficou restrita a uma política ultraconservadora totalitária turbinada por trolls, socketpuppets, automações, inteligência artificial e grupos (células) “secretos” digitais no Modelo de Hegemonia de Gramsci, adaptada aos princípios da nova direita política.


Estes grupos da Nova Direita que surgiram globalmente na última década, usando a Democracia Ciborgue, tem um leque de investidores que incluem bilionários ocidentais de extrema direita, oligarquias russas, chinesas, asiáticas, australianas e até do oriente médio. Todos operando essencialmente através de empresas de serviços financeiros (hedge funds, fundos de private equity, bancos de investimento, traders etc.).


Este mesmo modelo pode e inclusive já está começando a ser utilizado pelo grupo político conhecido como velha esquerda. Com o mesmo perfil de investidores globais, do ponto de vista econômico.


Mas não se enganem pela dualidade, pelo bidimensional, binário e maniqueísmo quando se fala em progressistas e conservadores, pois ambos são polarizados com os mesmos objetivos econômicos e políticos visando modular, manipular e controlar as massas.


Para pensar em 3 dimensões você tem que ter uma visão espacial que na qual não há dualidade, pois temos comprimento e profundidade, que exigem pelo menos três coordenadas para se posicionar dentro do espaço. Neste sentido as suas analogias deste mundo abstrato com o mundo real precisam ser diferentes do que a maioria das pessoas faz.


Vamos entender em termos de política como esta funciona em 3 Dimensões:



Figura 14: Política em 2D dentro da visão 3D.


Em termos da dualidade política binária, linearmente há um pré-conceito de que as posições são classificadas entre dos pontos extremos da esquerda e da direita através de uma escala. Porém dentro da visão tridimensional são necessários três pontos extremos pelo menos, o que torna a simplificação política utilizada há décadas entre progressistas e conservadores simplesmente insuficiente para explicar as decisões políticas de cada um. Mas cola mais facilmente na capacidade de percepção das massas para efeitos de modulação, manipulação e controle.


Apesar de ainda estarmos em transição, já houve épocas que a tríade que definia o comando da humanidade eram:


1) Religião – Economia – Política;

2) Mídia – Economia – Política.


E agora estamos migrando rapidamente para:


1) Tecnologia – Economia – Política.


É o que eu chamo também por abordagem em 3 dimensões.


Saindo do mundo bidimensional de respostas prontas e fáceis, precisamos de pelo menos três pontos para avaliar politicamente quais são as melhores opções para a humanidade e, neste sentido, eu classifico na seguinte escala de grandeza:




Figura 15A e 15B: Classificação política em 3 dimensões.


1) O meio ambiente, o planeta Terra é o único local onde a humanidade poderá viver por muito tempo ainda, portanto é a prioridade a saúde ambiental de nosso planeta que inclui toda a vida da terra.


2) A sociedade, no caso os seres humanos é o segundo ponto para o qual temos que equacionar os problemas. Há uma desigualdade econômica, sanitária e de conhecimento crescente na humanidade há décadas e com a inteligência artificial e robotização ela irá aumentar ainda mais, pois haverá cada vez menos trabalho físico e intelectual para um número cada vez maior de pessoas cada vez menos qualificadas. Grandes fortunas altamente taxadas e uma renda mínima universal estão no cardápio.


3) Por fim a economia tem que trabalhar em prol do meio ambiente e pela sociedade e não ao contrário como ocorre hoje. A economia não pode ser um fim sem si mesma, pois senão estamos sendo binários falando apenas de capitalismo, socialismo, esquerda, direita etc. A solução econômica é holística e não pode ser tomada exclusivamente por uma elite econômica global, como ocorre hoje, que controla empresas, estados, recursos, pessoas etc. trabalhando basicamente em proveito próprio, seus lucros e aumento de seu capital, não interessando que se auto definam como esquerda ou direita.


Precisamos nos organizar e reagir ao domínio das redes sociais, que carrega junto um domínio econômico e político para manter o atual establishment global. Por esta razão precisamos começar a analisar tudo em 3 dimensões para não sermos polarizados, modulados, manipulados e controlados como está ocorrendo hoje.


É por esta razão que sempre digo que esquerda e direita não existem, são apenas simplificações que estimulam fé e emoções e tiram a profundidade necessária para a razão. Como o zoroastrismo já fazia milhares e anos atrás.


É o mundo em 3 dimensões:



Figura 16: Logo do Mundo em 3 Dimensões.

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