PARADIGMA CHINÊS?

Atualizado: Abr 9

Falamos muito de economia planificada (que não existe no mundo real) e liberalismo (que no mundo real funciona de modo bem mais pragmático que nas teorias dos liberais sem prática).

No caso brasileiro que apesar dos percalços anteriores, se almeja uma democracia independente da opção econômica, tanto os políticos que se intitulam esquerda, quanto os que se intitulam direita, usam (e usaram) a parte ortodoxa do liberalismo em seus planos econômicos.


Em menor grau isso também ocorre (e ocorreu) nos EUA com outros nomes: democratas e republicanos.


Depois do indefinido, porém competente Fernando Henrique Cardoso, passamos por 16 anos com uma continuação do modelo econômico do próprio, com pitadas de capitalismo de estado e seguida depois pela utilização de economia não ortodoxa, aquela que não tem tripé. A economia não ortodoxa incluiu a contabilidade criativa e pedaladas fiscais no cardápio as quais resultaram no Temer, um velhaco político sempre próximo do poder e do dinheiro.


O Temer até tentou ou fingiu que tentou usar um pouco de ortodoxia econômica liberal, porém a ficha corrida dele acabou não deixando.


Graças ao lulopetismo e um louco com uma faca chegamos ao tal Bolsonaro. Uma piada de mau gosto do congresso por 25 anos, que estava no lugar certo e na hora certa tanto politicamente quanto nas ruas em Minas Gerais no começo da campanha eleitoral.

O tal Bolsonaro com uma história tão enlameada quanto a do Lula, acabou canalizando toda a revolta e esperanças de idiotas e até não idiotas tendo um amplo apoio nas eleições e chegou ao trono.


Ele é um protoditador, capitalista de estado, reacionário. Um ser humano de ontem com valores de anteontem. Porém foi eleito presidente democraticamente e, por enquanto, está usando partes ortodoxas da economia liberal simplesmente por conveniência política.


Tentou “grudar” no Trump, mas já percebeu que na relação o passivo era ele, então está se aventurando pelo oriente para tentar parcerias econômicas que tenham algum resultado, incluindo a China.


A China é tão grande que comporta ser uma ditadura “de esquerda”, capitalismo de estado e até partes do liberalismo econômico ao mesmo tempo. No campo político capitalista chinês nenhum dá as cartas, quem manda é o Partido Comunista. Mas os capitalistas chineses estão ganhando tanto dinheiro que nem ligam para a política. E bem aos poucos, até pelo tamanho, a população chinesa começa a ganhar mais qualidade de vida, mesmo que bastante distante dos padrões ocidentais. Mesmo assim a população chinesa não se interessa pela política, estão preocupados em comprar o “arroz e feijão”.


A minha preocupação com o Bolsonaro admirando a China não é econômica, mas política. Será que ainda não passou pela cabeça “singular” dele implantar um modelo parecido aqui, com outra roupagem?


A China é um paradigma para as democracias liberais em geral, pois está sendo mais liberal que estas economicamente mesmo sem democracia.


A conta é simples para os chineses: a economia vai bem, para que democracia...


Consegui me fazer entender?

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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