O REAL BOLZONARO?

Atualizado: há 7 horas

Jair Messias Bolsonaro nasceu no município de Glicério, 21 de março de 1955. É um capitão reformado, político e atual presidente do Brasil. Foi deputado federal por sete mandatos entre 1991 e 2018, sendo eleito através de diferentes partidos ao longo de sua carreira. Elegeu-se à presidência pelo Partido Social Liberal (PSL).


A vida de Bolsonaro no exército já é bastante peculiar. Formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras em 1977 e serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo do Exército Brasileiro. Tornou-se conhecido do público em 1986, quando escreveu um artigo para a revista Veja no qual criticava salários de oficiais militares. Por causa disso, foi preso por quinze dias. Foi absolvido dois anos depois num processo estranho. Bolsonaro ingressou na reserva em 1988, com o posto de capitão.


Você já percebeu que ele “trabalhou” apenas por 11 anos, isso mesmo! Até o Lula trabalhou por mais tempo do que ele. Pois ele atuava como um sindicalista na sua curta passagem pelas forças armadas e ninguém o aguentava mais por lá. Ficou de 1989 até 2015 na reserva remunerada, sem trabalhar.


O Exército Brasileiro explicou que Bolsonaro foi para a reserva em 1989 e, em seguida, em 2015, tornou-se “capitão reformado”, “por haver atingido a idade limite de permanência na reserva remunerada do Exército”. Essa idade varia dependendo da patente do militar. No caso de Bolsonaro, capitão, a idade é de 60 anos.


O Tesouro Nacional gastou com cada militar inativo ou pensionista 17 vezes mais do que gastou com cada beneficiário do Regime Geral da Previdência Social, que atende aos trabalhadores do setor privado (o INSS), em 2016.


O gasto médio anual com cada beneficiário do Regime Geral foi de R$ 5.130,66. Com cada militar inativo ou pensionista foi de R$ 89.925, em média.


O mesmo ocorre na comparação com os servidores públicos da União. O gasto médio com eles foi, em 2016, de R$ 56.863. Ou seja, R$ 33.062 a menos do que com os militares. Tanto os funcionários civis da União quanto os militares são funcionários públicos.


A projeção do déficit com militares inativos e seus pensionistas é de R$ 43,3 bilhões para 2019. A dos civis da União é de R$ 45,4 bilhões. Os números são próximos, embora haja mais 304 mil aposentados civis no serviço público da União do que militares.


Entre os fatores do déficit está o fato de os militares se aposentarem, no geral, mais cedo: 55% deles com menos de 50 anos.


Quando se aposenta, o militar recebe exatamente o mesmo salário que recebia na ativa, e continua tendo paridade com os da ativa também. Outra peculiaridade é o pagamento de pensão vitalícia para filhas de militares mortos, benefício que foi retirado em 2000, mas que há ainda muitas mulheres que o recebem. Por ano, elas custam R$ 5 bilhões aos cofres públicos.


Bolsonaro ingressou na reserva em 1988, com o posto de capitão, para concorrer à Câmara Municipal do Rio de Janeiro naquele ano. Foi eleito vereador pelo Partido Democrata Cristão (PDC), partido que seria extinto em 1993. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro. Foi o candidato mais votado, com apoio de 6% do eleitorado fluminense (464 mil votos), sendo reeleito por seis vezes. Durante seus 27 anos na Câmara dos Deputados, ficou conhecido por ser uma personalidade controversa, por conta de declarações classificadas como discurso de ódio e de suas visões políticas geralmente caracterizadas como populistas e de extrema-direita, que incluem a simpatia pela ditadura militar brasileira e a defesa das práticas de tortura por aquele regime. Em março de 2015, deixou de ser militar da reserva e passou a ser capitão reformado do exército.


Na política a atuação de Jair Bolsonaro seguiu o mesmo modus operandi que nas forças armadas.


Capitão reformado do Exército se vendeu como homem acima de qualquer suspeita. Mas suas três décadas de trajetória política são bem menos épicas do que supõem muitos dos seus seguidores. Já usou verba da Câmara para custear despesas durante viagens em que teve atividades de pré-candidato a presidente. Tornou-se objeto de atenção pública, pela primeira vez, acusado de planejar a explosão de bombas em instalações militares.


Sua produção legislativa é pífia. Nunca ocupou cargo de destaque na Câmara. Sempre integrou o chamado baixo claro, grupo de congressistas com pouca projeção, e é mais conhecido pelas confusões em que se mete do que por sua atuação parlamentar.

Um dos seus trunfos é que jamais foi envolvido em qualquer caso de corrupção, mas não é bem assim se falarmos em problemas com a justiça.


Mas foi alvo de várias acusações criminais. No portal do Supremo, aparece como réu em duas ações penais, nas quais é acusado de injúria e apologia do estupro por ter afirmado, na Câmara, que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merece”. Em 2015, foi condenado pela Justiça a indenizar a parlamentar em R$ 10 mil pela mesma razão e também a indenizar em R$ 150 mil o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justiça, por fazer declarações homofóbicas num programa de TV. A decisão foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Foi ainda investigado pelo Ministério Público por apologia da tortura, por ter homenageado o coronel Brilhante Ustra, primeiro torturador reconhecido como tal pelo Judiciário brasileiro, ao votar pelo impeachment de Dilma, em abril de 2016.


Embora atue como parlamentar há quase 30 anos, Bolsonaro sempre foi um grande desconhecido para diversos setores da economia e da sociedade. Como deputado – que chegou a declarar que, se fosse eleito presidente, entregaria metade do ministério aos militares – foi uma incógnita ambulante. A habilidade dele para criar conflitos é tão grande quanto à desconfiança sobre sua capacidade de governar o país.


Sempre que é instigado a falar de assuntos mais complexos, como economia, esquiva-se e volta a sua artilharia verbal aos inimigos de sempre: negros, mulheres, gays, “bandidos”, adolescentes, sem-terra, entre outros. A virulência das declarações do então deputado foi objeto de repulsa e, ao mesmo tempo, de admiração, conforme o público que as recebe. Cada vez mais popular, surfou na onda de decepção com políticos e partidos tradicionais, como o PT e o PSDB.


Bolsonaro prometia “endireitar” o país, mas teve dificuldade para demonstrar eficiência. Na Câmara desde 1990, teve apenas um projeto de sua autoria convertido em lei (a de n° 10.176, de 2001). A proposta, apresentada por ele em 1996, prorrogou benefícios fiscais para o setor de informática e automação.


Em quase três décadas como deputado, nunca relatou proposições de destaque nem presidiu comissões ou liderou bancada. Na área da segurança pública, sua principal bandeira, não emplacou qualquer sugestão. O presidente já passou por cinco partidos e, atualmente, procura o criar o quinto para chamar de seu. Seus dias no PSL foram contados desde que brigou com a direção nacional da legenda, que considera suas posições radicais demais, mesmo para um partido com base no eleitorado evangélico conservador.


Ainda que conhecido de início como um sindicalista do baixo oficialato, Bolsonaro diminuiu a atenção que dispensava ao assunto à medida em que percebeu que seu discurso atraia um público mais amplo. Mais recentemente propôs também incluir o nome de Enéas Ferreira Carneiro, ex-deputado e fundador do extinto Partido da Reedificação da Ordem Nacional (Prona) no Livro dos Heróis da Pátria, ou que os civis tenham de colocar a mão sobre o peito quando da execução do hino nacional.


Seu projeto de castração química de estupradores, duramente criticado por feministas, movimentos sociais e cientistas, apresentado em 2013, está parado aguardando parecer na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) provavelmente ad eterno.


Como deputado foi recordista em representações no Conselho de Ética. Com quatro processos, ele é o único que alcançou esse número desde que o conselho foi instalado, em 2001. O filho Eduardo Bolsonaro, em seu primeiro mandato, foi alvo de outros dois. A lista de acusações contra o então deputado também era extensa na Corregedoria da Câmara, outra instância que apura a conduta dos parlamentares.


O presidente “mito” já foi denunciado, entre outras coisas, por chamar Lula de “homossexual” e Dilma Rousseff de “especialista em assalto e furto”. Já recebeu seis punições por causa de pronunciamentos agressivos e entrevistas polêmicas. Foram três censuras verbais e duas por escrito. Em todos os casos, escapou da abertura de processo de cassação do mandato como deputado.


Em 2000, chegou a dizer que o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deveria ter sido fuzilado durante a ditadura. Bolsonaro é conhecido por moldar discurso e ações ao gosto da plateia que o aplaude. “Católico fervoroso”, como se definiu, foi batizado no rio Jordão, em Israel, pelo pastor da Assembleia de Deus Everaldo Pereira, presidente do PSC e candidato à Presidência em 2014.


Dono de um discurso radical contra o PT, já admitiu ter votado em Lula para presidente em 2002. Quando ainda era filiado ao PP, manifestou intenção de ser candidato à vice de Aécio Neves (PSDB) em 2014. Às vésperas do segundo turno, foi esnobado pelo tucano, que não o convidou para tirar fotos nem participar de uma carreata em Copacabana.


Naquele ano o deputado se reelegeu com a maior votação da bancada do Rio de Janeiro, com 464 mil votos. Embora abomine hoje qualquer referência ao comunismo, já fez lobby junto ao ex-presidente Lula, em 2003, pela indicação do então deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para o Ministério da Defesa. “As coisas mudaram. Hoje comunista toma uísque, mora bem e vai à piscina”, afirmou na época. Ao ser questionado sobre a legalização do aborto, em uma entrevista dada à revista IstoÉ, em 2002, afirmou que a decisão caberia exclusivamente ao casal. Atualmente se diz “a favor da vida” e contra a interrupção da gravidez.


Zeloso da fama de político honesto, com a qual tenta se diferenciar dos colegas e adversários, Jair Bolsonaro viajou país afora em campanha presidencial, bancando parte dos custos com a cota parlamentar da Câmara. Seja para pagar hotel, seja para voar até cidades em que reunia um público inflamado em aeroportos e auditórios. Segundo ele, não houve irregularidade porque estaria cumprindo agenda relacionada ao mandato.


Depois, como mostrou a Folha de S.Paulo, Jair Bolsonaro fez uso da cota em pelo menos seis viagens onde também discursou como pré-candidato. Suas idas a cidades como Recife, Boa Vista, Belo Horizonte, João Pessoa, Curitiba e São Paulo custaram R$ 22 mil, ressarcidos pela Câmara. A assessoria do deputado negava que ele estivesse em pré-campanha e atribuiu os deslocamentos a compromissos relacionados à segurança pública.


A gana de estar em permanente contato com os eleitores fez de Bolsonaro o deputado que mais gastou com correio nas três últimas legislaturas. De fevereiro de 2007 a junho de 2017 suas despesas postais custaram à Câmara exatamente R$ 870.163,98. Eduardo Bolsonaro, o filho eleito por São Paulo que o acompanha em suas viagens de pré-candidato a presidente, é na legislatura atual o deputado que mais gasta em passagens aéreas. Para arcar com seus deslocamentos aéreos, desde fevereiro de 2015 a Câmara gastou R$ 428.941,44.


E há muito mais na histórica de Bolsonaro como político, que tem seu auge agora com o mesmo cumprindo mandato como presidente da república.

Mas vamos retomar o assunto da “Operação Beco Sem Saída”, que trouxe a “fama” ao então capitão Jair Bolsonaro no exército.


Em 27 de outubro de 1987, Jair Bolsonaro informou à repórter Cássia Maria, da revista Veja, sobre a operação "Beco Sem Saída". Na época, Bolsonaro apoiava a melhoria do soldo e era contra a prisão do capitão Saldon Pereira Filho. A operação teria como objetivo explodir bombas de baixa potência em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, e em alguns outros quartéis militares com o objetivo de protestar contra o baixo salário que os militares recebiam na época.


Bolsonaro teria desenhado o croqui de onde a bomba seria colocada na Adutora do Guandu, que abastece de água ao município do Rio de Janeiro. A revista entregou o material ao então Ministro do Exército e este, após quatro meses de investigação, concluiu que a reportagem estava correta e que os capitães haviam mentido. Por unanimidade, o Conselho de Justificação Militar (CJM) considerou, em 19 de abril de 1988, que Bolsonaro era culpado e que fosse "declarada sua incompatibilidade para o oficialato e consequente perda do posto e patente, nos termos do artigo 16, inciso I da lei nº 5836/72". Em sua defesa, Bolsonaro alegou na época que a revista Veja tinha publicado acusações fraudulentas para vender mais com artigos sensacionalistas.


O caso foi entregue ao Superior Tribunal Militar (STM). O julgamento foi realizado em junho de 1988 e o tribunal acolheu a tese da defesa de Bolsonaro e do também capitão Fábio Passos da Silva, segundo a qual as provas documentais — cujo laudo pericial fora feito pela Polícia do Exército — eram insuficientes por não permitirem comparações caligráficas, uma vez que fora usada letra de imprensa. O STM absolveu os dois oficiais, que assim foram mantidos nos quadros do Exército. Ainda em 1988, Bolsonaro foi para a reserva, com a patente de capitão e, no mesmo ano, iniciou sua carreira política, concorrendo a vereador do Rio de Janeiro. O laudo da Polícia do Exército, no entanto, seria mais tarde corroborado pela Polícia Federal, que confirmou a caligrafia de Bolsonaro. É o corporativismo do qual o Bolsonaro é fã confesso.


Depois de sindicalista militar Bolsonaro fez uma carreira política na mesma linha. Tornou-se conhecido por suas posições populistas, por suas críticas à esquerda, por ter classificado a tortura como uma prática legítima, por posições contrárias aos direitos LGBT e por várias outras declarações controversas, as quais lhe renderam cerca de 30 pedidos de cassação e três condenações judiciais. Várias organizações internacionais acreditam que as suas tendências autoritárias criam o risco de que a sociedade civil, a imprensa, os afro-brasileiros, os indígenas, e os críticos do governo enfrentam danos irreparáveis.


Apesar de seus posicionamentos serem amplamente classificados na extrema-direita do espectro político, Bolsonaro rejeita tal categorização. Inicialmente, Bolsonaro não via a si mesmo como representante do espectro ideológico de direita, chegando a ocupar a tribuna da Câmara dos Deputados, em 12 de março de 1999, para tecer elogios à deputada federal Luiza Erundina, filiada ao PSB e sempre reconhecida como um quadro de esquerda.


Em termos de posições sobre economia Bolsonaro, uma carreirista como servidor público, sempre foi um camaleão. Bolsonaro defendeu, durante os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, posições econômicas desenvolvimentistas e antiliberais, herança da ditadura militar no Brasil, votando junto com o Partido dos Trabalhadores em diversos temas econômicos. Em 2000, ao explicar ao apresentador Jô Soares o porquê de ter defendido o fuzilamento do então presidente Fernando Henrique, disse que "barbaridade é privatizar a Vale e as telecomunicações, entregar as nossas reservas petrolíferas ao capital externo".


Por outro lado, desde 2016, Bolsonaro tem apoiado medidas econômicas liberais. Votou na abertura do pré-sal, afirmou que o "livre-mercado é a mãe da liberdade", e, em uma entrevista, disse que "deve ser privatizado o máximo que puder" e que se opôs somente à forma como a Vale foi privatizada. Em uma entrevista à jornalista Mariana Godoy, quando questionado sobre seu posicionamento em relação ao tripé macroeconômico, o então pré-candidato à presidência respondeu que quem falaria sobre economia por ele no futuro seria sua equipe econômica. Em novembro de 2017, durante uma entrevista, Bolsonaro disse que, caso se tornasse presidente do Brasil, nomearia para o ministério da fazenda o economista liberal Paulo Guedes. Em entrevista de 2018, afirmou que "não gostaria" de privatizar a Petrobras, mas que o faria se "não encontrasse [outra] solução". Em maio de 2018, defendeu a flexibilização de direitos trabalhistas e afirmou: "Aos poucos a população vai entendendo que é melhor menos direitos e emprego do que todos os direitos e desemprego".


Segundo o cientista político Fernando Schuler, as mudanças de discurso de Bolsonaro seriam explicadas pela ascensão de sua popularidade. Segundo Schuler, "todo candidato, quando cresce, tende ao centro". Para o economista e filósofo Joel Pinheiro da Fonseca, o discurso econômico de Bolsonaro seria uma "roupagem liberal", usada também, segundo o economista, por Lula e outros políticos no passado.


Resumindo: Bolsonaro é uma biruta de aeroporto em termos de economia.

A questão da corrupção também é meio controversa na carreira dele. O nome de Bolsonaro está registrado na chamada Lista de Furnas, um suposto esquema de corrupção que usou dinheiro de caixa dois para abastecer 156 campanhas políticas no ano 2000. Apesar de Bolsonaro alegar que a lista é falsa, sua autenticidade foi comprovada por um laudo da Polícia Federal, porém algumas versões da lista eram falsas e foram criadas para extorquir políticos. O processo segue em segredo de Justiça.


Em consulta aos doadores e fornecedores de campanha de candidatos, no sítio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o nome de Bolsonaro apareceu como recebedor de 200 mil reais da empresa JBS durante sua campanha em 2014. Naquele ano, Bolsonaro foi reeleito deputado federal com o maior número de votos no Rio de Janeiro, recebendo mais de 460 mil votos. Uma reportagem da Vice trouxe a questão à tona em março de 2017 dada a repercussão da Operação Carne Fraca. O político postou um vídeo em seu canal do YouTube, onde explicou que os 200 mil reais, metade do valor gasto em sua campanha, foram devolvidos como "doação ao partido". No entanto, na planilha do TSE, o mesmo valor voltou à conta de Bolsonaro, mas desta vez em uma doação feita pelo fundo partidário.


Entre 2010 e 2014, o patrimônio do deputado cresceu mais de 150%, segundo a declaração registrada no TSE. Neste período, Bolsonaro havia adquirido cinco imóveis que, juntos, valem oito milhões de reais, entre eles duas casas na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, compradas por 500 mil e 400 mil reais, respectivamente, valores muito abaixo do avaliado pela prefeitura carioca na época. O Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) afirma ter "sérios indícios" de que a operação de compra tenha envolvido lavagem de dinheiro. Em sua defesa, Bolsonaro alegou que Rodrigo Janot, ex-procurador Geral da República, arquivou uma denúncia anônima sobre sua declaração de bens em 2014. Afirmou, ainda, que as acusações são "calúnias" e parte de uma "campanha para assassinar sua reputação". Em 28 de setembro de 2018, uma reportagem publicada pelo jornal O Globo informou que Bolsonaro deixou de declarar 2,6 milhões de reais à Justiça Eleitoral, valor referente às duas casas no Rio.


Em abril de 2017, Bolsonaro foi denunciado por usar a cota parlamentar para pagar viagens pelo país em que se apresenta como pré-candidato à Presidência em 2018. A cota reembolsa viagens e outras despesas do mandato. Em cinco meses, entre 2016 e 2017, ao menos seis viagens do deputado foram custeadas pela Câmara por um total de 22 mil reais. A assessoria de imprensa de Bolsonaro negou as acusações, alegando que o uso da cota estava relacionado à participação na Comissão de Segurança Pública da Câmara, da qual o congressista era suplente. Bolsonaro também recebia da Câmara cerca de três mil reais de auxílio-moradia desde 1995, apesar de ter um apartamento de dois quartos em Brasília desde 1998. Ao ser questionado pela Folha de S. Paulo sobre como usou o dinheiro deste benefício, respondeu: "Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro do auxílio-moradia eu usava para comer gente.”.


Uma reportagem da Folha de S. Paulo, feita em janeiro de 2018, denunciou que o deputado contratava uma servidora "fantasma" em Brasília. Segundo a matéria, entre janeiro e junho, Walderice Santos da Conceição recebeu mais de 17 mil reais como funcionária do gabinete do então parlamentar na Câmara dos Deputados, embora trabalhasse como vendedora de açaí no município de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Desde 2003, a secretária figurava como um dos 14 funcionários do deputado na capital federal, com um salário bruto de 1 416,33 reais. Em agosto de 2018, Bolsonaro anunciou que Walderice havia pedido demissão do emprego de assessora e afirmou que o "crime dela foi dar água para os cachorros".


Na vida pessoal Jair Bolsonaro foi casado três vezes. A primeira esposa foi Rogéria Nantes Nunes Braga, a quem ajudou a eleger-se vereadora da capital fluminense, em 1992 e 1996, e com quem teve três filhos: Flávio (senador fluminense), Carlos (assim como o pai e mãe, vereador da cidade do Rio de Janeiro, o mais jovem do país) e Eduardo. Divorciou-se e, de seu segundo casamento, com Ana Cristina Valle, teve Renan.


Em 2007, conheceu sua atual esposa, Michelle de Paula Firmo Reinaldo, quando ela era secretária parlamentar na Câmara dos Deputados. Nove dias após ser contratada, os dois firmaram pacto antenupcial e, dois meses depois, casaram-se no papel. Em 2013, o casal fez uma cerimônia religiosa realizada pelo pastor Silas Malafaia. Com Michelle, o deputado teve a sua primeira filha, Laura. A família mora no Palácio da Alvorada.

Bolsonaro afirma ser católico, mas alega ter frequentado a Igreja Batista por dez anos.


Em 2016, foi batizado no rio Jordão por um pastor evangélico da Assembleia de Deus. A sua atual esposa, Michelle, e seus filhos são evangélicos.


Bolsonaro é descendente de imigrantes italianos e alemães, com provável origem portuguesa mais remota também. Pelo lado materno, Bolsonaro tem ascendência integralmente italiana, e seus avós eram ambos nascidos na cidade de Luca, na Toscana. Pelo lado paterno, é bisneto de italianos do Vêneto e da Calábria, tendo também um bisavô originário de Hamburgo, na Alemanha. A grafia original do sobrenome era Bolzonaro. Segundo declaração do próprio Jair Bolsonaro, seu bisavô era alemão e foi soldado da Wehrmacht de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial: "Ele não tinha opção: ou era soldado, ou era paredão", declarou ele. Todavia, segundo a genealogia apresentada, Carl “Carlos” Hintze, bisavô de Bolsonaro, nasceu na Alemanha por volta de 1876 e chegou ao Brasil ainda criança em 1883, cinco décadas antes do início da Segunda Guerra na Europa, portanto tinha 54 anos quando Hitler chegou ao poder e 69 anos no fim da Segunda Guerra Mundial, sem que haja nenhuma evidência que tenha deixado o Brasil nesse período. Seu bisavô alemão morreu em Campinas em 16 de março de 1969.


Após conhecer um pouco mais o “mito” Jair Bolsonaro, outra designação me vem à mente: o “malandro” Jair Bolsonaro.


Malandragem define-se como um conjunto de artimanhas utilizadas para se obter vantagem em determinada situação (vantagens estas, muitas vezes, ilícitas). Por exemplo, utilizar-se de esperteza para não trabalhar. Caracteriza-se pela engenhosidade e sutileza. Sua execução exige destreza, carisma, lábia e quaisquer características que permitam a manipulação de pessoas ou resultados, de forma a obter o melhor destes, e da maneira mais fácil possível. Contradiz a argumentação lógica, o labor e a honestidade, pois a malandragem pressupõe que tais métodos são incapazes de gerar bons resultados. Aquele que pratica a malandragem (o "malandro") age como no popular adágio brasileiro, imortalizado sob o nome de Lei do Gerson: "gosto de levar vantagem em tudo".


Junto ao jeitinho, a malandragem pode ser considerada um comportamento tipicamente (mas não unicamente) brasileiro; porém, diferentemente do jeitinho, na malandragem a integridade de instituições e de indivíduos pode ser efetivamente lesada, e de forma juridicamente definível como dolosa. No entanto, a malandragem bem-sucedida pressupõe que se obtenham vantagens sem que sua ação se faça perceber. Em termos mais populares, o "malandro" "engana" o "otário" (vítima) sem que este perceba ter sido enganado.


Tal como o jeitinho, a malandragem é um recurso de esperteza, utilizado por indivíduos de pouca influência social, ou socialmente desfavorecidos. Isso não impede a malandragem de ser igualmente utilizada por indivíduos mais bem posicionados socialmente. Através da malandragem, obtêm-se vantagens ilícitas em jogos de azar, nos negócios e na vida social em sua totalidade. Pode-se considerar "malandro" o patrão que "dá um jeito" de não pagar os funcionários tal como deveria; ou o "jogador" que manipula as cartas e leva, para si, toda uma rodada de apostas.


Francamente eu vejo o Governo Bolsonaro e seus seguidores fanáticos como um remake do programa “Azambuja de Cia” da rede Globo. Só que não é mais comédia e sim um terror para o Brasil.

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