OS BRASILEIROS TÊM OS GOVERNANTES QUE MERECEM?

Eu já nasci no meio do golpe de 64, portanto comecei a votar em presidentes já bem depois dos 18 anos.


Quando eu era muito pequeno me lembro do nome Médici. Mas sabia apenas que ele era o tal presidente e nada mais na época. Depois veio o Geisel, que eu já entendia um pouco que era general e presidente, principalmente pelos meus parentes na polícia civil, federal, aeronáutica, marinha e exército.


Neste período nunca tive problemas com democracia e repressão militar, inclusive eu era amigo da família que tinha uma grande banca de jornal perto de minha casa e, com dez anos já era cliente das revistas Playboy, Status, Homem, VIP, Internacional e todas que surgissem na banca. Eu ia de bicicleta com minha mesada em comprava tranquilamente as revistas para maiores de 18, que fazia muito sucesso entre meus amigos.

É claro que foi nesta época que ocorreu meu último contato coagido com a religião, a tal primeira comunhão. Eu já havia tido problemas anteriormente, quando era ainda nenê e um padre me jogou água gelada no batismo. Participei desta primeira comunhão no intuito de agradar principalmente meus avós maternos, muito católicos e minha mãe, uma católica não praticante. Meu pai era agnóstico e era indiferente. Depois disso passei a desenvolver meu ateísmo científico auxiliado por muita literatura sobre matemática, astronomia, astrofísica, física, biologia e filosofia, especificamente Nietzsche.


Logo em seguida veio o último general, João Figueiredo, e nesta época tomei contato com a primeira obra de Stephen Hawking, Uma Breve História do Tempo, e com a série e o livro Cosmos: A Spacetime Odyssey. Isto sacramentou definitivamente minha visão ateísta científica do universo, portanto me afastando de qualquer razão ou respostas envolvendo religião ou basicamente fé, a qual eu não tenho nenhuma.


Ai veio o Tancredo Neves, o avô do Aécio, que morreu antes de assumir, sendo eleito ainda de modo indireto pelo colégio eleitoral e trazendo consigo Sarney, o imortal da academia brasileira de letras, que era o primeiro presidente civil do Brasil que eu conheci. O governo foi um lixo, continuando a saga de Figueiredo ele continuou destruindo a indústria brasileira e beneficiando o sistema financeiro.


Então finalmente tivemos a primeira eleição direta de minha história e elegemos Collor, o breve, com um golpe sujo no Lula, na época meu “amigo” de churrascos. Era o caçador de marajás, lá das Alagoas, superatleta, bonitão, jovem e doido de pedra. Basicamente ele venceu pelo fator Lula, que causava receio ao meio empresarial brasileiro.


A história de Collor terminou em impeachment, deixando o soturno Itamar Franco, o vice o presidente efetivo, que tentou Ciro Gomes, muito estressado e depois Fernando Henrique Cardoso, como primeiro ministro informal, já que o bom e velho Itamar sabia que não era do ramo. Foi ai que surgiu o Plano Real que colocou a parte monetária da economia brasileira nos eixos, mas apenas ela.


Graças ao Plano Real além de primeiro ministro o Itamar, ganhou mais duas vezes como presidente, no segundo mandato conseguido mudando a constituição, ele foi eleito novamente por medo do Lula.


Finalmente, o Lula aconteceu como presidente, agora sendo eleito por medo das opções tucanas do PSDB e principalmente pelo PT ter poupado FHC de um processo de impeachment e ter a gratidão dele no apoio bem ruim ao José Serra. Lula foi presidente por duas vezes. No primeiro governo ele basicamente foi FHC e no segundo virou JK. Foi ai que o tripé econômico do Plano Real começou a perder os pés.


Porém de bobo Lula nunca teve nada, e com muito populismo e assistencialismo ele conseguiu eleger sua sucessora, a brizolista Dilma Rousseff, também pelo medo dos Tucanos. Ela manteve o populismo assistencialista no primeiro governo, mas estourou caixa no meio do segundo, o que lhe valeu um impeachment. Ai veio Michel Temer, o enrolado. Temer tentou usar o restante do tripé econômico do Plano Real, com reformas econômicas ortodoxas, que não passaram pelo corporativismo de setores econômicos e desinteresse político nas mesmas. Sem contar seus “problemas” pessoais para evitar ser preso com seus “parsas”.


Chegamos então ao Bolsonaro, um militar medíocre, um político mais ainda, limitadíssimo intelectualmente e com uma vida pessoal “picante”, mas que se tornou o surfista da operação Lava Jato, que trouxe ao público o modus operandi do lulopetismo, que sempre foi o modus operandi de todos os sindicalistas e políticos brasileiros ao longo da história. Pelo que me contaram e pelo que li, na época do meu avô integralista, isto já ocorria com o Ademar de Barros e com o Jânio Quadros aqui em São Paulo. Sem falar do Maluf e Quércia posteriormente, todos eles mestres no “assunto”. Basicamente ele foi eleito pelo medo do Lula, no caso, pelo seu representante Fernando Haddad. Também teve a ajuda de uma facada no começo da campanha, a qual gerou comoção e principalmente o afastou dos debates.


A operação Lava Jato, que foi inspirada na operação Mãos Limpa italiana, como o Bolsonarismo no Movimento 5 Estrelas, tem lado político. Ela, como uma espada Katana japonesa, corta de um único lado, o da esquerda, pois ela só pode ser manuseada com a mão direita. Assim, sem discutir que o Lula realmente sempre foi, é e sempre será um trambiqueiro, cometeu excessos para provar isso, o que na prática, poderia inviabilizar a prisão e inelegibilidade do Lula, que ocorreu, determinando ainda mais a vitória do bolsonarismo. O fato é que tanto a Lava Jato, como grande parte do poder judiciário, só encontra problemas no lado esquerdo e nunca no direito. Com algumas exceções, como o caso MBL, que apesar de direita, é desafeto dos rebentos do bolsonarismo. Mas precisamos a justiça sendo feita com uma legítima espada inglesa, que consegue cortar de dos dois lados.


Colocados os governos desde a “redemocratização”, é notório que, fora o improvável Fernando Henrique Cardoso, todos os demais nunca apresentaram qualificação técnica nem envergadura moral para serem presidentes. Mas foram eleitos democraticamente como presidentes ou vices. E nenhum deixou de ser eleito via boicotes dos eleitores às eleições.


O Brasileiro não vota racionalmente. Se só tem candidatos ruins, seria melhor anular num volume de obrigar novas eleições, mas não vai votar no menos-ruim. Oras se temos a opção de abstenção por motivos legais, anular ou votar em branco, isso faz parte do processo eleitoral e deve ser usado. Se as opções não servem, precisamos novas opções e não testes de quatro anos com aquilo que colocarem a nossa frente.

Outra coisa muito comum no brasileiro é votar em personagens, não em candidatos reais é o que ocorreu com o Collor, Lula e Bolsonaro. Que nunca foram em suas vidas os personagens apontados em suas propagandas políticas.


Também tem o voto “em troca de dentaduras”, agora na forma de assistencialismo barato criado pelo Zé Dirceu no primeiro governo Lula. É a compra de votos. Bolsas e auxílios.


E tem o voto em cardume, que foi utilizado pelo lulopetismo com as igrejas católicas romanas de base e as empresas evangélicas, estas como moscas, sempre voa para onde está o açúcar do poder.


Mas eu ainda tenho comigo que o problema dos brasileiros com seus governantes eleitos, são merecidos, pois são iguais votando nos iguais.


Na minha base amostral, sobre o comportamento dos brasileiros, ou seja: as pessoas que tive contato nos negócios e fora deles, em sua maioria tinham o velho problema da má índole.


Recordo de centenas de caseiros, diaristas, domésticas, os quais meus pais sempre contrataram desde que foram proprietários de casas na capital, sítios e casas de praia.

Quase invariavelmente eram evangélicos de duas empresas evangélicas muito espalhadas pelo Brasil, mas sem rádios ou televisão. Nestas igrejas quase todos eram parentes de todos, entre os fiéis e pastores. Também pelo fato de todos parecerem já ter sido casados com todos nelas. Meus pais, principalmente a minha mãe, que atuava mais diretamente na gestão deles, sempre foi uma empregadora acima da média. Pagava acima dos salários de referência da categoria registrados sempre, férias (até comprava), 13º, Cestas Básicas, horas extras (se houvessem), muitos bônus e presentes. Além disso, sempre os tratava com educação e como se fossem parte da família. Isso é muito raro no Brasil até nos dias atuais.


Mesmo com essa relação de bom patrão, estes funcionários acabavam todos sendo desligados por roubos ou comportamentos puníveis legalmente pela CLT. Mesmo minha mãe fazendo vista grossa para uma séria de outros malfeitos como trazerem parentes para usar nossos imóveis quando não presentes, pegar “emprestadas” coisas nossas para usar (sem roubar), não cumprir os horários de trabalho, não executar o trabalho com a qualidade mínima necessária, trazer familiares para passar férias, usar telefones, usar nosso pay per view, brigarem entre si a ponto de ser necessária intervenção policial e fazerem barulho em horários inadequados com as músicas e cantorias evangélicas, quebrarem tudo que mexiam (sem que cobrássemos). Isso entre muitas coisas mais.


Eu sou ateu e cartesiano, e não creio que o raio caia todas às vezes nos frequentadores da mesma igreja. O fato de todos procederem sempre da mesma maneira só me faz crer que o problema é a própria igreja.

No mesmo período em que fui do varejo, tanto como CIO, CEO ou Proprietário, os maiores problemas que tínhamos com funcionários ficava em uma área chamada “Prevenção a Perdas”, que atuava tanto na prevenção como no tratamento das perdas e dos responsáveis, quando identificados, pelas respectivas. E as “perdas” ocorriam desde o topo até a base da pirâmide hierárquica, independente de qualificação profissional e renda salarial.


Nos condomínios nos quais residi, sempre encontrei irregularidades nos trabalhos de síndicos e zeladores, a maioria desvios e propinas. Alguns inclusive eu consegui destituir legalmente. E nem estamos falando de má gestão, ou não trabalhar mesmo recebendo salário ou isenção.


Nos bancos, transportes públicos, supermercados, estacionamentos, ruas, shopping centers e em quase todos locais públicos encontramos todos os tipos de pessoas sem nenhuma educação e respeito pelo próximo e também vigaristas em nosso dia a dia.

Eu pessoalmente tive uma história real de uma jovem funcionária de uma unidade franquia máster minha, da qual eu era máster franchising na grande São Paulo, que logo que assinou o contrato de trabalho me informou que iria engravidar e estaria interessada já em um acordo para que eu pagasse todo o período de estabilidade dela, mais o valor do fundo de garantia e a multa, senão ela iria fazer corpo mole no trabalho e atrapalhar por todo um ano e meio de gravidez e estabilidade. E realmente ele engravidou antes do primeiro dia de trabalho e já me apresentou o teste no segundo mês. Eu cumpri a lei e aguentei a moça até o final da estabilidade, o que me saiu mais caro que o acordo por conta das perdas da franquia com produtos e equipamentos. E os funcionários aprenderam até a desligar o sistema de câmeras para ficarem mais a vontade no “trabalho”.


E os vizinhos de condomínio então, que não respeitam absolutamente leis, regulamentos internos, convenções, educação e civilidade. Fazem barulhos acima dos decibéis permitidos no horário habitualmente e adoram fazer festas ruidosas com seus familiares e amigos bêbados cantando e gargalhando, às vezes até com “karaokê”. E mesmo você informando do problema só vão parar com advertência, multa e muitos casos só com ação judicial. Isso sem falar daqueles que gostam de fazer obras e reformas nos finais de semana. E também tem os “crentes” cantando e tocando suas músicas para todo o condomínio ouvir.

Como disse Nelson Rodrigues: “Os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.


Portanto os brasileiros têm os governantes que merecem!

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.