OS LILIPUTIANOS ANÔNIMOS DAS REDES SOCIAIS!

“Pessoas públicas qualificadas não precisam provar isso para o mundo, até porque a opinião irrelevante de pessoas desconhecidas é o que menos importa para quem é realmente bem qualificado.”


Meu falecido Boxer, o Shamrock, era não possuía o mesmo nível de inteligência do que eu, por uma razão biológica. Porém, mesmo pertencendo a duas espécies diferentes, ele me compreendia, respeitava, amava e seguia minhas orientações, muitas vezes visando uma iguaria canina a qual ele sabia que iria ganhar “sendo um bom garoto”. Isto colocado, porque razão nós não conseguimos a mesma relação com os anônimos e semianônimos das redes sociais?


No mundo real, em se tratando dos negócios, impera a famosa lei: “Manda quem pode obedece quem tem juízo”. No mundo cotidiano fora dos negócios, pessoas com diferentes qualificações em geral convivem em harmonia, cada um ganhando a vida com suas possibilidades e, em geral, as pessoas menos qualificadas procuram apoio das mais qualificadas para melhorarem suas condições de vida, seja materialmente seja para aprendizado.


Porém, quando adentramos o “mundo encantado” das redes sociais, onde as frustrações, resignações, preconceitos, inveja, ódio e limitações intelectuais reunidas nas bolhas de filtragem e moduladas nas câmaras de eco, por algoritmos de inteligências artificiais entramos em um mundo distópico, onde impera ódio e conflitos.


A falsa sensação de anonimato, bem como a falsa sensação de poder da manada, leva habitualmente grupos de silenciosos e dóceis cervos bovídeos a se comportarem como verdadeiras hienas ruidosas e carniceiras. Apesar dos devaneios apenas grupos de hienas, pois leões nunca o serão em suas vidas nem virtuais e nem reais.


Estes grupos se julgam verdadeiros paladinos da verdade, só que no caso da “pós”, passando a agir como verdadeiras inquisições virtuais julgando e condenando a fogueira todos que não compartilham sua fé na pós-verdade.


Mesmo que a falta de realidade (o anonimato) ou a realidade (semianonimato) de seus “currículos” não os credenciem para suas “cruzadas virtuais”, eles partem para embates com pessoas comprovadamente em patamares superiores de qualificação, como se fossem todos PHD em todas as ciências, só que no caso deles, apenas trovadores “analfabetos” das crendices da pós-verdade.


Esta completa falta de noção sobre seus limites de qualificação, civilidade, direito e democracia, sem falar da meritocracia, levam estas verdadeiras milícias virtuais, a uma completa ignorância da realidade, ao ponto de que, dentro das suas récuas, acreditarem que suas falácias baratas, humores chulos e as “curtidas”, de outros “zerados” (como eles) no mundo real, os tornam vencedores de alguma coisa. Na realidade não passam de grupos de anônimos ou semianônimos raivosos ignorados pelo sucesso e pelas suas qualificações, no caso a falta delas.


Mas o ambiente artificial ufanista das redes sociais, manipulado pela democracia ciborgue e seus investidores do mercado de capitais, cria o efeito “coliseu” onde a “plebe” apoia seus gladiadores, acreditando que com isso deixaram de ser “plebe”, enquanto seus “imperadores” os manipulam e ganham ainda mais sobre eles. Tudo psicanálise de contos de fadas, mas no caso ao invés do chapeuzinho vermelho, teorias de conspirações.


Há alguns casos de “personalidades virtuais” ou “digital influencers” que se tornam “famosinhos” dentro do mundo digital apocalíptico, mesmo sem nenhuma credibilidade no mundo real, mas ganham um bom dinheiro com isso. Mas a qualificação destes em geral não passam de um “Curso de Filosofia Online” ou como diz o verdadeiro filósofo Pondé (que não é astrólogo), aqueles “inteligentinhos” que se acham “os caras” por terem lido dois “livrinhos”.


Estamos vivendo o efeito “Lilliput” causado pelas redes sociais em concubinato com a democracia ciborgue.

Lilliput é uma ilha fictícia do romance As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift. Swift apresentou-a como parte de um arquipélago com Blefuscu, algures no Oceano Índico. O livro também relata que as duas ilhas são inimigas. Nessa ilha a personagem principal deparou-se com a população de pessoas minúsculas (com menos de seis polegadas de altura, cerca de 15 centímetros), chamadas liliputianos, que o atacaram e amordaçaram.


Nós pessoas reais e públicas com currículos e realizações factuais, os “Gullivers”, estamos sendo atacados continuamente por homúnculos anônimos e semianônimos liliputianos das redes sociais (ilhas de Lilliput), os quais são modulados e manipulados para estes comportamentos por inteligências artificiais a serviço da desinformação e pós-verdade, que interessam aos acionistas e patrocinadores: a democracia ciborgue dos investidores globais institucionais dos mercados de capitais.


No romance original o nome da ilha é Laputa. Como “la puta” significa “a prostituta” (em espanhol), a analogia da ilha com as redes sociais é ainda mais cabida.

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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