PAÍS SEM FUTURO?

Atualizado: há 5 horas


Estamos no meio de uma guerra política global e de uma pandemia idem. Vivemos também uma recessão econômica quase global e a era das trevas da informação imparcial, a Pós-Verdade, que flui pela internet criminosamente.


Não vou abordar aqui ideologias políticas pois meu método é 3D. O conceito bidimensional serve para manter as mentes mais fracas entretidas em um looping maniqueísta em uma luta entre o bem e o mal. Tenha em mente que a esquerda e a direita não existem, são apenas pastos diferentes para alimentar as manadas e deixá-las trocarem chifradas através das cercas.


A luta é do capitalismo versus o próprio capitalismo, pois os investimentos navegam pelo globo, sempre atrás das melhores oportunidades, em nada importa se é esquerda ou direita. O mundo é todo capitalista, o socialismo nada mais é que um capitalismo de estado. A única coisa que muda são os sistemas de governo: Democracia "representativa", autocracia "democrática" ou ditadura "quinhoeira", não há nada no planeta além disto. Mas existe um establishment global hierárquico comandando todas elas no topo.


Com o fracasso econômico das democracias "representativas", o mesmo establishment global que as apoiou, passou a apoiar agora as autocracias "democráticas" e até as ditaduras "quinhoeiras", isto para assegurar seus investimentos ao redor do mundo.


Hoje existem duas potências econômicas globais hegemônicas, Estados Unidos e China. Mesmo com regimes de governo "diferentes", estão completamente interligadas economicamente de maneira total. Foi o resultado da "social democracia" e o "neoliberalismo" que criaram a globalização, favorecendo primordialmente o establishment global.


Houve ganhos de qualidade de vida para as massas de países subdesenvolvidos, como novos consumidores. Em paralelo as perdas para as massas de países mais desenvolvidos ou em desenvolvimento. Entre o topo e a base existe um grupo intermediário qualificado que mantém o status quo, são os profissionais "cidadãos do mundo". Estes podem seguir pelo mundo junto com os investimentos, mas também serem especialistas regionais.


Ventríloquos como o Steve Bannon e fantoches como o Trump, trabalham para o establishment global, promovendo a autocracia "democrática", utilizando a Pós-Verdade como armamento nas redes sociais com suas falanges, profissionais ou passionais, a segunda conhecida como gado. São o grupo do politicamente incorreto.


Os grupos democráticos "representativos", que ocupavam o poder antes eram politicamente corretos, conceito que pode ser bastante perigoso para o establishment global. Não por um risco de socialismo, comunismo e nenhuma outra fantasia. Simplesmente por criarem um gado menos maniqueísta e mais atento aos fatos reais da economia global. Interessa manter a guerra entre esquerda versus direita, na imaginação das massas, como entretenimento passional.


Já as ditaduras "quinhoeiras" podem ser tanto de esquerda quanto de direita, mas direta ou indiretamente, estão todas na cadeia econômica do establishment global.


Nosso ventríloquo Olavo de Carvalho e nosso fantoche Bolsonaro, ambos de pouco talento, transitam da autocracia "democrática" para a ditadura "quinhoeira, mas trabalham para o mesmo establishment global.


Isto não é novo no Brasil, desde os anos oitenta, gente como Sarney, Collor, FHC, Dilma e Lula já o faziam. Havia um parque industrial brasileiro razoavelmente desenvolvido, superior ao da China, Coréia do Sul e Índia na mesma época. Isto até os anos oitenta, mas que era prejudicado substancialmente pela corrupção do estado, alta tributação e falta de infraestrutura.


Os militares que comandaram a economia brasileira desde de o golpe de 64, mantinham o mercado completamente fechado, inclusive para possibilidade de importar know how e tecnologia, para alavancar nossa indústria. A protegeram por um lado, mas a sucatearam por outro. E em nada resolveram os problemas de corrupção, alta tributação e infraestrutura.


Em termos de economia os militares foram competentes por um período curto, porém descambaram rapidamente. Entregando nas mãos dos civis um país completamente arruinado economicamente.


Houve apenas uma leve organização econômica ortodoxa e breve melhoria de infraestrutura nos governos FHC e parte do primeiro governo Lula. Mas a corrupção e a alta tributação nunca foram controladas.


Todos os governos, tanto militares quanto civis, foram subordinados ao establishment brasileiro, que a partir dos anos oitenta se subordinou completamente ao establishment global. Nossa indústria foi dizimada pelos interesses do establishment global.


Deste modo, na cadeia da economia global o Brasil é hoje um país basicamente agropecuário e exportador de minérios. Um exportador de commodities e importador de manufaturados e tecnologia.


A corrupção e a alta tributação continuam normalmente no governo Bolsonaro, absolutamente subordinado ao establishment global. A alt right norte americana, que tem investimentos globalizados, como qualquer capitalista, foi copiada pela bog right brasileira. Ambas absolutamente subordinadas ao establishment global.


Os discursos não passam de meros truques e retórica para manter o gado binário, de ambos os lados, entretidos nas chifradas entre a cerca, enquanto os donos dos pastos continuam a viver tranquilos ganhando seu dinheiro.


O Brasil não tem conserto nos próximos 50 anos, no mínimo. Não tem direita nem esquerda que resolveriam, mesmo que elas existissem.




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