PARADA DO ORGULHO CRENTE!


Eu possuo um vizinho crente. Assim como os "webcrentes" que encontramos pelas redes sociais, são: "direita, patriotas, conservadores, cristãos, família, Bolsonaro" e toda aquela ladainha retórica hipócrita de sempre. Se comportam como supremacistas, individualistas, sectaristas, totalitaristas e ignoram completamente as leis e respeito ao próximo, portando-se, com frequência, como verdadeiros selvagens.


Na casa residem várias famílias, como naquele seriado do Netflix, "Greenleaf". Essas famílias que residem no mesmo "kibutz" crente e são cheias de peculiaridades nadas cristãs, observáveis nas frequentes brigas familiares que eles têm, começando dentro da propriedade e terminando na rua. Sempre muito "barulhentas", as vezes com objetos sendo arremessados e quebrados. Quase sempre completamente desprovidas de vergonha quanto as razões, gritos e discussões "barraqueiras" que promovem. As vezes até uma viatura de polícia tem que ser acionada.


Pelos comentários de um segurança particular da rua, trata-se de um pastor empresário de uma igreja crente microempresa, tendo como companheira uma servidora pública municipal sindicalista. Ainda há uma anciã, a matriarca viva da família e um irmão do pastor com a companheira. Havia uma filha do pastor antes, mas algum tempo depois e engravidar parece que se mudou.


Eles ignoram completamente todas as leis de silêncio municipais, estaduais e federais. Adoram cantar, acompanhados por instrumentos ou equipamentos de som, mas também urram (cantam) sem nada acompanhando. Fazem com frequência "vigílias" ruidosas de 24 horas. Também ignoram as leis municipais referentes a obras, entulhos, plantas (edificações), projetos, construção, dias e horários das obras, bem como a utilização de equipamentos de demolição que causam vibrações e rachaduras nos vizinhos, além dos decibéis ilegais. Vale tudo para eles, inclusive sábados, domingos, feriados, horários de repouso e silêncio legais. Não demonstram nenhum respeito e empatia pelos vizinhos não crentes, muito pelo contrário. Até a mão de obra deles é crente e também adeptos de berrar, fingindo cantar, suas sofríveis músicas. Aparentemente consideram seu Deus surdo ou deficiente auditivo.


As obras deles não possuem engenheiro ou arquiteto, somente pedreiros "crentes" com colunas sustentadas sem concreto e ferro, apenas por Deus. Isso sem falar na fiação elétrica e tubulação hidráulica que muitas vezes ficam ficam em céu aberto, provavelmente para Deus cuidar delas. Sem falar nas soluções de "criativas" de construção, colocando uma segunda caixa de água mais alta em série com uma primeira, sendo necessária uma "vibratória" bomba elétrica também muito ruidosa, acionada invariavelmente depois das 23h e antes das 7h.


Mesmo já tendo procedido diversas denúncias as autoridades competentes, no âmbito municipal, todas legalmente formalizadas e registradas com AR, nada parece deter estes "templários" crentes. Não há fiscalização para eles, tão pouco penalização.


Inclusive, após a eleição do governo Bolsonaro, eles passaram a ostentar visíveis sinais de ganho econômico, trocando um único veículo com mais de 30 anos por outros novos. Sem falar a completa "reconstrução" com grande ampliação da casa, cobrindo com telhado 100% do terreno e fazendo um "bunker" (pela quantidade de terra que tiraram ta casa, sem caçambas é claro), se precavendo, provavelmente, para uma futura guerra nuclear do "bolsonarismo" que só eles sabem.


São habitues da "Parada do orgulho crente", aquela que ocorre sempre próxima a "Parada do orgulho LGBT+", aqui em São Paulo, sem comparar a qualidade de ambas, pois a segunda é frequentada por gente muito mais educada e culta que a primeira.


Tentar dialogar com esta gente, coisa que já tentamos, é completa perda de tempo. Além da visível dificuldade com o domínio da língua portuguesa, a cada três palavras que falam uma é "Deus", mesmo que não tenha nenhum sentido no contexto do diálogo. Como na visão deles, serão eles os "arrebatados por Deus" e são os "donos da verdade", outras coisas como a razão, a ciência e as leis nada significam para eles. Francamente não vejo possibilidade remota de interlocução entre uma linguagem racional humana e estes "relinchos" irracionais desta récua.


Este é o resultado da legislação, tributação e falta fiscalização, prestação de contas e auditoria que a CF88 criou em relação as "igrejas". Verdadeiros impérios econômicos crentes foram formados no Brasil, com ramificações pelo mundo, desde então.


Eles criaram "feudos" de poder político e econômico, "em nome de Deus", que estão influindo continuamente em uma "involução" civilizatória e trazendo consigo as piores espécies de políticos, empresários e agentes sociais a tiracolo.


Isto não é novidade aqui por estas terras, muito tempo atrás já houve uma situação bem parecida, que tencionava criar o primeiro "Império Jesuítico das Américas". Usando a tradicional fonte da Wikipédia, vamos a um pouco de história.


As missões jesuíticas na América, também chamadas de reduções, foram os aldeamentos indígenas organizados e administrados pelos padres jesuítas no Novo Mundo, como parte de sua obra de cunho civilizador e evangelizador. O objetivo principal das missões jesuíticas foi o de criar uma sociedade com os benefícios e qualidades da sociedade cristã europeia, mas isenta dos seus vícios e maldades. Essas missões foram fundadas pelos jesuítas em toda a América colonial e, segundo Manuel Marzal, sintetizando a visão de outros estudiosos, constituem uma das mais risíveis utopias da história.


Para conseguirem seu objetivo, os jesuítas desenvolveram técnicas de contato e atração dos índios e logo aprenderam suas línguas e, a partir disso, os reuniram em povoados que, por vezes, abrigaram milhares de indivíduos. Eram, em larga medida, autossuficientes, dispunham de uma completa infraestrutura administrativa, econômica e cultural que funcionava num regime comunitário, onde os nativos foram educados na fé cristã e ensinados a criar arte às vezes com elevado grau de sofisticação, mas sempre em moldes europeus. Depois de um início assistemático marcado por tentativas frustradas, em meados do século XVII, o modelo missioneiro já estava bem consolidado e disseminado por quase toda a América, mas teve de continuar enfrentando a oposição de setores da Igreja Católica que não concordavam com seus métodos e também do restante da população.Mesmo com vários problemas a vencer, as missões, como um todo, prosperaram a ponto de, em meados do século XVIII, os jesuítas se tornarem suspeitos de tentar criar um império independente, o que foi um dos argumentos usados na intensa campanha que sofreram na América e na Europa e que acabou por resultar na sua expulsão das colônias a partir de 1759 e na dissolução da sua Ordem em 1773. Com isso, o sistema missioneiro entrou em colapso, causando a fim da utopia do império jesuítico das Americas.


A história sempre nos ensina!





Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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