REDES SOCIAIS SEM FRONTEIRAS?

Atualizado: há 13 horas

As redes sociais não respeitam leis nem fronteiras, isto é fato, elas se tornaram ditaduras virtuais globais, com suas práticas de agrupar, modular e manipular pessoas virtualmente e pelo visto são todas libertárias, pois não gostam muito de pagar impostos.


Em matéria do Jornal o Estado de São Paulo, de 5/11/2020, o economista Celso Ming apontou a questão:


Esses gigantes globais exportam seus serviços digitais para todos os cantos do planeta, não abrem novas sedes nem reportam seu faturamento nos mercados em que atuam. Em alguns casos, quando acossadas pelos Fiscos, abrem empresas em paraísos fiscais, como na Irlanda, onde o imposto corporativo é muito mais baixo do que em outros países da Europa. E, ao contrário do que acontece com outras grandes empresas convencionais, ao longo da pandemia estão entre as que mais cresceram em faturamento.


https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,taxacao-das-gigantes-de-tecnologia-digital-as-big-techs,70003502859


Então vocês já imaginam como funciona da distribuição de lucros para os acionistas institucionais... As empresas com sede em paraísos fiscais, das big techs, têm plena liberdade de remunerar seus respectivos acionistas nas localidades nas quais as empresas estabelecem as suas respectivas “empresas”. O dinheiro nem sai do paraíso fiscal, pode só sair da conta da Big Tech para as contas de seus acionistas no mesmo “paraíso”.


Em outra coluna do economista Celso Ming, de 19/06/2020 o mesmo Ming aponta:

Joseph Stiglitz, Thomas Piketty, Jayati Ghosh e José Antonio Ocampo, que defendem um acordo global para cobrar impostos de multinacionais que deslocam seu faturamento para paraísos fiscais ou para países de baixa tributação.


O governo dos Estados Unidos quer paralisar as negociações no âmbito da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que têm por objetivo cobrar um imposto internacional sobre os gigantes da tecnologia digital, como Google, Apple, Facebook, Twitter e Amazon. O argumento para essa cobrança é o de que essas empresas não pagam mais do que 9% de impostos, enquanto as empresas comuns não escapam de menos de 23%.


https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pressoes-pela-taxacao-de-operacoes-digitais,70003339114


Ou seja: estas empresas já possuem uma tributação menor do que as empresas tradicionais dentro dos EUA. E é ainda pior, os EUA estão protegendo estas empresas na OCDE para não abrir mão do faturamento com fato gerador em outros países para proteger as mesmas, mesmo sabendo das vantagens que estas empresas levam nos EUA e paraísos fiscais.


Ainda na mesma matéria:


O projeto da OCDE vem sendo discutido há alguns anos e esbarra sempre na falta de vontade política dos Estados Unidos de ver suas empresas submetidas a impostos cobrados por outras potências. Afora isso, todos são contra os paraísos fiscais dos outros, mas fazem questão de proteger os próprios. Num momento em que todas as iniciativas multilaterais vêm sendo questionadas pelo governo Trump, especialmente a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), parece mesmo difícil um acordo global imediato.


Ou seja, a questão estava no leque de ações da Democracia Ciborgue, no caso na época ainda com Trump, que utiliza as redes sociais tanto politicamente quanto economicamente. Fica claro que a Bolsa de NY e a Nasdaq, por onde circulam os maiores capitais especulativos destes acionistas institucionais, não quer perder o poder econômico e político sobre estas empresas.


Em outra matéria, do jornal O Estado de São Paulo, de 9/10/2020, na coluna opiniões:


A Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos concluiu uma investigação sobre as quatro grandes empresas de tecnologia, Amazon, Apple, Google e Facebook. Depois de analisar 1,3 milhão de documentos, a comissão concluiu que as quatro Big Techs têm exercido seu poder de monopólio com uma força só comparável aos “monopólios que vimos pela última vez na era dos barões do petróleo e magnatas das ferrovias”.


Na avaliação final da Comissão de Justiça da Câmara, as quatro empresas, que juntas têm um valor de mercado superior a US$ 5 trilhões, usaram suas posições dominantes em vários setores – como comércio, busca na internet, publicidade, redes sociais e mercado editorial – para ditar preços.


Segundo o relatório, tal é a posição de superioridade das quatro Big Techs que, para restaurar uma efetiva competição nos mercados, seria necessário impedir que as empresas atuem em vários setores. Medida nesse sentido deveria obrigar a divisão e a reestruturação das quatro grandes de tecnologia, num movimento semelhante ao que ocorreu décadas atrás com a Standard Oil, de John Rockefeller, e a empresa de telecomunicações AT&T, em casos históricos de defesa da concorrência.


“A investigação descobriu várias maneiras pelas quais Amazon, Apple, Facebook e Google usam seu domínio em um ou mais mercados para beneficiar suas outras linhas de negócios, reduzindo o dinamismo e a inovação”, diz o relatório. “Ao usarem o poder de mercado em uma área para tirar vantagem de uma linha separada de negócios, as empresas minam a concorrência.”


https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,poder-e-monopolio-das-big-techs,70003469144


Ou seja: estas empresas formaram um truste que além de controlar seus usuários, controla o mercado de tecnologia, manipula o mercado de capitais (economia) além do uso político das mesmas na modulação política global. E tudo isso pelo fato de serem donas de redes privadas que operam publicamente sem controles de legislação nem econômicos em um mundo virtual sem fronteiras e que se sobrepõe as soberanias nacionais em todo o mundo.


Em outra matéria do jornal O Estado de São Paulo, de 24/10/2020, por Aline Bronzati e André Ítalo Rocha:


Órgãos reguladores em diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil, têm fechado o cerco sob as big techs, como são chamadas gigantes da tecnologia como Facebook, Amazon, Google e Apple. Embora em diferentes esferas, as iniciativas, vindas principalmente de autoridades do setor financeiro, vão na mesma direção: impedir que uma regra da tecnologia, a chamada 'winner takes it all' (o ganhador leva tudo, em tradução livre) vire uma máxima no sistema.


O olhar regulatório quer, na prática, evitar que as big techs consigam expandir a atuação para outros mercados além da tecnologia. Com os dados de seus usuários como o principal ativo, as gigantes têm escala e potencial que as colocam em uma posição vantajosa frente a outros competidores sem ter de obedecer às mesmas regras — nem pagar impostos. Para se ter uma ideia, o lucro do Facebook, de Mark Zuckerberg, em apenas um trimestre equivale a todo o ganho do Itaú Unibanco, maior banco da América Latina, em um ano.


Estudo recente do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês) alerta para o fato de as big techs estarem avançando mais sobre o setor financeiro em mercados emergentes, como o Brasil, do que nos países desenvolvidos.


As big techs têm encontrado mais espaço nos mercados emergentes não só para atuar no setor financeiro, mas também para ofertar um leque de serviços mais amplo. As soluções incluem crédito, seguros e produtos de investimento, seja em uma atuação direta ou em parceria com instituições tradicionais, as chamadas "incumbentes". Foi exatamente essa a estratégia do WhatsApp no Brasil ao se aliar a nomes como Banco do Brasil e Cielo.

Nas últimas semanas, o coro regulatório contra as big techs aumentou. Autoridades na União Europeia estão debruçadas sobre uma 'black list' das gigantes de tecnologia — principalmente as americanas. A ideia é definir 20 grupos, que incluem pesos pesados do Vale do Silício, berço da tecnologia global, que estarão sujeitos a uma regulação mais dura, cujo intuito é conter o poder de mercado dessas plataformas.


Como ficou claro pelas estratégias no estranho Jack Dorsey, CEO do Google, com sua empresa de Bitcoins e pela estratégia do Facebook, Apple e Google, que estão dominando também os mercados de meios de pagamento, estas empresas querem total autonomia tecnológica, econômica e política.


"A ameaça das big techs hoje nem se compara à da Microsoft no passado", diz um especialista do setor de tecnologia bancária, mencionando o processo do governo dos EUA contra a empresa de Bill Gates, em 1998.


https://link.estadao.com.br/noticias/geral,pressao-de-reguladores-coloca-big-techs-sob-ataque-no-mundo,70003486665


Na prática os EUA impediram que empresas abertas e sérias como a Microsoft, Oracle e SAP pudessem expandir seus negócios, para deixar o mercado livre para aventureiros sem escrúpulos como foram os CEOs da Apple, Google, Amazon e Facebook subsequentemente.


Ainda na mesma matéria:


Essa semana, um novo episódio envolvendo uma das empresas reforçou a disputa. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma ação judicial antitruste contra o Google, acusando-o de adotar práticas ilegais em troca de monopólio no país. A ação resultou de uma investigação em curso há mais de um ano e acendeu o alerta para a possibilidade de abrir precedentes a casos parecidos. Para a Alphabet, que controla o Google, o processo é "profundamente falho" uma vez que as pessoas usam o buscador "porque escolhem — não porque são forçadas ou não encontram alternativas".


No Brasil, o Google é alvo de três processos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Todas as ações, porém, foram arquivadas sem provas de que a gigante estaria agindo de forma desleal no País.


Pelo perfil dos profissionais que atuam nestas empresas nas subsidiárias brasileiras que encontro no LinkedIn, basicamente são os mesmos perfis millennials, por aqui, iguais aos que têm nas matrizes. Limites e ética não fazem parte da cultura millennial, que encara tudo como se fosse um grande videogame.


Por evidentes interesses econômicos e políticos, os EUA deixaram estas empresas chegarem onde estão artificialmente vetando os players sérios em 1998, no governo do infame Bill Clinton, abrindo o mercado para empresas como Google, Facebook, Apple, Twitter e Amazon fazer muito pior do que a Microsoft tinha feito até então. Não é a toa que estas mesmas redes sociais deixam circular livremente e até estimulam as Fake News atribuindo a Bill Gates uma série de baboseiras típicas da Democracia Ciborgue.


Vamos brincar um pouco de detetive:


Alphabet Inc. (GOOG) – Isso é o Google.



https://br.financas.yahoo.com/quote/GOOG/holders/


O Vanguard Group é um consultor de investimentos americano registrado com sede em Malvern, Pensilvânia, com cerca de US $ 6,2 trilhões em ativos globais sob gestão, em 31 de janeiro de 2020. É o maior provedor de fundos mútuos e o segundo maior provedor de câmbio -traded funds (ETFs) no mundo após os iShares da BlackRock . Além de fundos mútuos e ETFs, a Vanguard oferece serviços de corretagem, anuidades variáveis ​​e fixas, serviços de contas educacionais, planejamento financeiro, gestão de ativos e serviços fiduciários. Vários fundos mútuos administrados pela Vanguard são classificados no topo dolista de fundos mútuos dos Estados Unidos por ativos administrados . Junto com Blacrock e State Street, Vanguard é considerado um dos três grandes fundos de índice que dominam a América corporativa.


O fundador e ex-presidente John C. Bogle é creditado pela criação do primeiro fundo de índice disponível para investidores individuais e foi o proponente e o principal facilitador de investimentos de baixo custo por indivíduos. A Vanguard pertence aos fundos administrados pela empresa e, portanto, aos seus clientes. O Vanguard oferece duas classes da maioria de seus fundos: ações de investidores e ações do Admiral. As ações da Admiral têm taxas de despesas ligeiramente mais baixas, mas exigem um investimento mínimo mais alto, geralmente entre US $ 3.000 e US $ 100.000 por fundo. A sede corporativa da Vanguard é em Malvern, Pensilvânia, um subúrbio da Filadélfia. Possui escritórios satélites em Charlotte, Carolina do Norte e Scottsdale, Arizona. A empresa também possui escritórios no Canadá, Austrália, Ásia e Europa.


https://en.wikipedia.org/wiki/The_Vanguard_Group


Pesquisando alguns dos clientes pessoas jurídicas do Vanguard:


http://vanguard.net/about-us/clients/


Você já tem a noção de quem comanda o Google e consegue controlar as pessoas e as informações que o Google controla. Mas o Vanguard é apenas um dos fundos e não temos as pessoas físicas e nem de onde elas são disponíveis.

Mas temos evidências:


Vanguard International Growth Investor (VWIGX)

Este investe principalmente em internacionais ações incluindo mercados emergentes. As participações incluem Alibaba, TenCent Holdings, Baidu e TAL Education Group.


https://www.listenmoneymatters.com/vanguard-funds/


Você pode fazer a mesma coisa com o Facebook, Amazon, Twitter e Apple e chegara a resultados similares.


Eu propositadamente não utilizo fontes de “esquerda ou direita” para fugir da ideologia e subjetividade destas. Mas eu poderia aprofundar muito as análises e conclusões como este exemplo: https://www.esquerdadiario.com.br/Lava-Jato-por-tras-de-Moro-e-da-grande-midia-se-escondem-alguns-dos-donos-do-mundo.


Estou sendo raso para estimular que você procure e forme suas próprias opiniões.

A minha você já sabe sobre a Democracia Ciborgue comandando a tecnologia, economia e política. Somos apenas uma dos peões, num tabuleiro cheio deles, onde as peças nobres são deles, assim como o próprio tabuleiro e a regras.

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, dos autores.

Estocastico Logo Menor.png
M3D_Oficial.png
Titulo.png