TALENTOS PERDIDOS!

Atualizado: há 6 horas

Ao longo de minha carreira profissional, atuei muito pouco na empresa de minha família, que apesar das "italianices" foi a única empresa ética nacional que eu conheci.


Minha trajetória, onde tive diversas experiências e conquistas, se deu bem longe da família. Meu início profissional aconteceu basicamente o final dos anos oitenta, já quase noventa, pegando o Brasil dilacerado pelos governos Figueiredo e Sarney.


Neste período cheguei a conhecer o Brasil ainda industrializado, inclusive produzindo tecnologia própria. Isso acabaria logo em seguida com o curto Governo Collor, com uma abertura completamente sem planejamento, coisa que ocorreu inversamente ao mesmo tempo em países como China, Índia e Coréia do sul. A preocupação do tal Collor, na época, era acabar, por exemplo, com os carros "carroças" brasileiros, mesmo que custasse os empregos do setor industrial. Justamente os empregos de qualidade que empregam a mão de obra de qualidade.


Veio então Itamar (um enfeite) com FHC, depois 2 x FHC, onde adotamos o tripé macroeconômico, privatizamos muito para investidores estrangeiros que não produziam nada no Brasil, apenas prestavam serviços e por fim fizemos a substituição da produção por importação. Não acreditem nestas empresas de tecnologia brasileiras atuais, no máximo produzem aqui um projeto global, com componentes importados, montam ou apenas embalam importações. Basicamente são indústrias fakes, exceto as de commodities que tiram sua produção da terra e têm que processar por aqui antes de exportar na maioria dos casos.


No caso do setor financeiro, temos uma caso de agiotagem legalizada que comanda o país. Extremamente concentrado e poderoso junto aos três poderes, temos sempre os maiores juros do mundo e eles entram sempre para vencer ou para vencer, ninguém tem a menor chance contra este setor.


O Varejo e o setor de serviços dependem em grande parte de importações e tecnologia importadas, fora do setor de alimentação, já que voltamos a ser apenas exportadores de commodities.


Resumindo: atualmente somos um tipo de país "servo da gleba".


Os governos lulopetistas seguintes apenas seguiram a mesma receita e gozaram, por um período da estabilização dos anos FHC e de uma bolha econômica global que explodiu ainda no final do segundo governo Lula.


Habituado à prática de propinas, desde os tempos de sindicalismo e cercado pelos políticos do fisiológicos do eterno "centrão", o lulopetismo também, com sua política assistencialista sem planejamento econômico, adotou a solução de gastar ainda mais para vencer a crise econômica global. E de lá para cá tivemos uma Dilma e meia e meio Temer. Incapazes qualitativamente e politicamente de enfrentar a maior crise da história brasileira.


Mesmo aparentemente quando parecia ser possível piorar, elegemos um tal Bolsonaro, um sindicalista militar "caçado", que se encostou na vida política e produziu apenas polêmicas, durante toda ela no "centrão". Sem falar dos filhos, esposas e asseclas.


Tão ou mais incapaz economicamente, quanto os seus antecessores deste século, o bolsonarismo fez o mesmo que o lulopetismo, aparelhando o estado com sua turma, só que ao invés do sindicalismo a turma da caserna.


Para a geração de pessoas deste período que descrevi, a mão de obra qualificada, exceto os "baby boomers", das gerações X, Y e Z perderam ou estão perdendo suas carreiras ao longo de tantas lambanças políticas e econômicas cometidas no Brasil desde os anos oitenta. Provavelmente isto vai afetar também as duas gerações posteriores.


Não temos mais ensino de qualidade e muito menos empregos de qualidade. Fomos colocados num modelo de ensino FIES-EAD que apenas produz diplomas. Em termos de empregos de qualidade, encontramos somente fora do Brasil, pois por aqui predomina a "uberização" nos serviços e as vendas não técnicas. Empregos somente de baixa qualidade e, com raríssimas exceções, de média qualidade.


É claro que teve gente ganhando muito dinheiro neste período. Empresários desqualificados, sem ética e até publicamente desonestos, capitalistas e estado e de compadrio, fizeram a festa com o dinheiro público em "centenas" de "linhas" de crédito, sendo a mais famosa delas o BNDES e as empresas eleitas, onde absolutamente ninguém foi investigado menos ainda penalizado, todos ficaram bilionários e felizes para sempre.


Evidentemente estes empresários fakes, precisavam de executivos "aspones" para seus negócios, desta maneira privilegiando perfis tão ou mais desqualificados, sem ética e desonestos do que eles próprios.


Eu estive em empresas norte-americanas e europeias, onde não haviam empresários e executivos de pirita, mas também estive em grandes empresas nacionais onde encontrei apenas empresários rapineiros e executivos exatamente iguais a eles, sem exceções. Esta foi uma das razões que me afastei deste meio, indo para o setor das franquias, onde encontrei também outros modelos de grandes empresários rapineiros, mas estes vendiam pedras preciosas e entregavam pedregulhos.


É por esta razão que optei precocemente e me dedicar apenas a consultoria internacional, negócios familiares e pesquisas doravante. Todas as minhas experiências e conclusões estão ou estarão neste site. Doam a mquem doer.


Mesmo eu tendo conseguido sucesso profissional, no meio de gerações perdidas (pela economia e política), eu conheço muito bem pelo que tive que passar e suportar, para não me tornar um empresário ou um executivo rapineiro, como as centenas deles com os quais tive o desprazer de conviver.


Eu presenciei pessoalmente ótimos profissionais e pessoas perdendo suas carreiras, ao longo minha trajetória profissional, sendo preteridos por empresários rapineiros para desqualificados rapineiros, ocupando as posições de comando nas empresas. Esta gente que você não vê, fez este Brasil que você vê!


São os talentos perdidos do Brasil!










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