TEORIA DO CONFLITO BOLSOLAVISTICO!


Em empresas familiares, as conhecidas empresas de dono, cada vez mais raras no mundo atual, os proprietários utilizam muito a “Teoria do Conflito”, travestida de “meritocracia”, para manter sobre controle seus colaboradores. Na prática nunca funciona, pois acaba criando milícias dentro da empresa, em continua guerra de quadrilhas, aumentando o turn over e facilitando desvios e perdas. Mas empresários de ontem, com conceitos de anteontem ainda fazem isso.

E por falar em gente obsoleta chegamos ao bolsolavismo. Mas antes é necessária uma pequena parada para apresentação do conceito.


Teoria do Conflito Realístico


A teoria do conflito realístico, também conhecida como conflito grupal realista ou RCT (do inglês w:en:Realistic conflict theory) é um modelo psicológico social de conflito intergrupal e explica como a hostilidade intergrupal pode surgir como resultado de um conflito de interesses e competição por recursos limitados, além de oferecer uma explicação para os sentimentos de preconceito e discriminação do endogrupo em relação ao exogrupo.


Ressentimentos, atitudes negativas e antagônicas podem surgir em situações de competição onde apenas um grupo pode obter o recurso desejado. Assim as relações positivas só podem ser restabelecidas se ambos os grupos tiverem um mesmo objetivo a ser alcançado.


Grande parte da elaboração elegante da teoria tem a ver com o curso dos conflitos, com as formações de alianças, com as melhores estratégias em conflito, com relativas recompensas. Muitas outras características, mais descritivas do que dedutivas talvez, são de alta relevância:


A incompatibilidade e divergência de interesses entre os indivíduos de grupos diferentes provocam os conflitos intergrupais.


Um choque de interesses intergrupal evidente, ativo ou um conflito passado entre esses grupos, nos quais há a presença de indivíduos ameaçadores, competitivos e hostis, podem ser coletivamente chamados de “ameaça real”, e proporcionam essa percepção.

A verdadeira ameaça causa hostilidade em direção à fonte de ameaça. Tal princípio é muitas vezes deixado implícito por ser considerado óbvio demais, mesmo sendo uma proposição característica da teoria do conflito realista. Sherif estabelece que isso ocorre devido à aversão entre o que ele identifica como exogrupo e endogrupo, e a percepção de uma ameaça causada por um deles.


A ameaça causa solidariedade entre indivíduos do mesmo grupo, aumenta o etnocentrismo e a consciência/percepção da própria identidade dos integrantes;

A ameaça aumenta a proximidade entre as fronteiras e limite do grupo, sobre um ponto de vista figurativo de manutenção da distância social, reduz a extinção ou abandono dos integrantes do grupo, aumenta a punição e a rejeição dos desertores e cria punição e rejeição para anormais pervertidos.


A falsa percepção de uma ameaça vinda de um grupo em relação a outro grupo causa o aumento da solidariedade do endogrupo e hostilidade em direção ao exogrupo, ou seja, os ameaçados se solidarizam uns com os outros e se unem contra os ameaçadores.

O estudo feito por Muzafer Sherif representa uma das demonstrações mais conhecidas da teoria. Conhecido como a experiência da caverna dos ladrões, foi realizado durante três semanas em um acampamento de verão no Parque Estadual Robbers Cave, Oklahoma, com foco no comportamento intergrupal.


O autor reuniu vinte e dois garotos que seguiam um padrão: brancos, norte-americanos de classe média, entre 11 e 12 anos, bons alunos e com bom comportamento. A proposta foi a de que esse grupo passasse duas semanas em um acampamento de verão, participando de atividades, sem saber que seu comportamento estava sendo observado todo o tempo. O grupo foi dividido em dois: os Águias e os Cascavéis. O objetivo desse experimento era investigar de que maneira uma oposição de interesses provocava o conflito intergrupal.


A primeira fase do estudo durou uma semana e produziu alto grau de união entre os indivíduos de cada grupo. Tanto a chegada ao acampamento quanto o alojamento dos meninos foram feitos separadamente, de modo que seus chalés tivessem uma distância razoável. Sendo assim, integrantes de um mesmo grupo interagiriam muito, enquanto que os dois grupos em si pouco se relacionavam.


Foram propostas diversas atividades em equipe a fim de desenvolver o senso de cooperação entre os integrantes de um mesmo grupo, tais como cozinhar, escavar um buraco para construir uma piscina e participar de vários jogos. Os garotos trabalhavam juntos, dividiam as tarefas e ao mesmo tempo se divertiam, criando um sentimento cada vez mais solidário entre si mesmo e individualista perante o outro grupo.


Na segunda fase, Sherif e seus colegas iniciaram a indução do conflito entre os dois grupos por meio de um torneio de jogos como beisebol, futebol, cabo-de-guerra e caça ao tesouro. Somente o vencedor ganharia prêmios neste torneio, ou seja, um grupo só atingiria seus objetivos se o outro fracassasse.


No início o espírito esportivo estava presente, entretanto, o sentimento de competição tornou-se um “temos que vencer a qualquer preço”. Com o passar do tempo, os meninos passaram a se referir aos seus rivais como “covardes” ou “trapaceiros”, entre outros termos pejorativos. Após uma derrota marcante em um dos jogos, os Águias queimaram uma faixa deixada pelos Cascavéis, e quando estes descobriram o ato, confrontaram os adversários, dando início a uma briga de socos. Esse antagonismo não só persistiu, como piorou no dia seguinte, se tornando frequente. Quando os pesquisadores questionaram os meninos a respeito da índole e do caráter dos adversários, as avaliações foram negativas e ao final do torneio os participantes recusaram-se a ter qualquer tipo de contato com os integrantes do outro grupo.

A teoria do conflito realístico oferece uma explicação para as atitudes negativas em relação à integração racial e os esforços para promover a diversidade. Isto é ilustrada nos dados recolhidos na pesquisa Michigan National Election Studies. De acordo com a pesquisa, a maioria dos brancos mantinha atitudes negativas em relação às tentativas dos distritos escolares de integrar as escolas através do transporte escolar na década de 1970.


Nestas pesquisas, havia uma ameaça geral percebida que os brancos tinham de afro-americanos. Pode-se concluir que o desprezo pela integração racial foi devido à percepção dos negros como um perigo para estilos de vida, metas e recursos valorizados, ao invés de racismo simbólico ou atitudes preconceituosas formuladas durante a infância.


A teoria também pode explicar por que a competição por recursos limitados nas comunidades pode apresentar consequências potencialmente nocivas ao estabelecer uma diversidade organizacional bem-sucedida. No local de trabalho, isso é representado pelo conceito de que o aumento da heterogeneidade racial entre os funcionários está associado à insatisfação no trabalho entre os membros da maioria.


Desde que as organizações são afixadas nas comunidades a que seus empregados pertencem, a composição racial das comunidades dos empregados afeta atitudes para a diversidade no local de trabalho. À medida que a heterogeneidade racial aumenta em uma comunidade branca, os funcionários brancos aceitam menos a diversidade no local de trabalho. A teoria fornece uma explicação deste padrão porque em comunidades de raças misturadas, membros de grupos minoritários são vistos como competindo pela segurança econômica, poder e prestígio com o grupo maioritário.


A teoria pode ajudar a explicar a discriminação contra diferentes grupos étnicos e raciais. Um exemplo disto é mostrado em estudos interculturais que determinaram que a violência entre os diferentes grupos aumentasse em relação à escassez de recursos.

Quando um grupo tem a noção de que os recursos são limitados e só estão disponíveis para a posse de um grupo, isso leva a tentativa de remover a fonte da competição. Os grupos podem tentar remover sua competição aumentando as capacidades de seus grupos (por exemplo, treinamento de habilidades), diminuindo as habilidades da competição exogrupo (por exemplo, expressando atitudes negativas ou aplicando tarifas punitivas) ou diminuindo a proximidade ao exogrupo (por exemplo, negando o acesso do imigrante).


No Brasil, esse conceito foi estudado analisando-se, no interior do Estado da Paraíba, o contato entre um grupo de assentados e um grupo de pequenos proprietários rurais. Os proprietários rurais diziam que os assentados eram beneficiados pelo governo e os descreviam como invasores de terra, enquanto os assentados classificavam os proprietários como acomodados e desorganizados. Assim, o estudo identificou que as políticas governamentais de distribuição de terra não favoreciam a integração entre os grupos, impedindo ações colaborativas entre eles. Entretanto, essas políticas favoreceram a criação de estereótipos em relação ao grupo dos assentados, pois estes recebiam benefícios do governo que os demais grupos não recebiam.


Nos últimos estágios do estudo, Sherif e os pesquisadores tentaram reduzir o nível de antagonismo com diversas estratégias, as quais falharam inicialmente. Entretanto, depois introduziram importantes objetivos, os quais, para serem alcançados, demandavam a cooperação entre os dois grupos, a redução da rivalidade foi atingida.


Teoria do Conflito Bolsolavístico


Os histriônicos: Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro, filhos e bando, entre várias técnicas já abordadas em outros textos, utilizam continuamente a Teoria do Conflito em seus modus operandi. Um exemplo bastante evidente disto são as manifestações “missa” de domingo, que grupelhos de pessoas financiadas e lesadas, como em Brasília, com a participação do próprio Bolsancho Pança sobre um cavalo. Em São Paulo as filiais, como Direita SP, Avança Brasil, Nas Ruas e outras milícias protofascistas, inclusive com políticos em mandato, que participam dos grupelhos milicianos com a mesma psicopatia.


As manifestações de gárgulas bolsolavistas, com conteúdos e temas que além de anti democraticos, violam até a Constituição Federal, têm sido acompanhadas com indiferença pelas Polícias Militares, uma das classes mais privilegiadas pelo Bolsonarismo nas reformas e reajustes. Sem falar no curso gratuito das “caixas de orgônio” ou COF do Olavo de Carvalho. Mas temos que lembrar que milícias é uma especialidade do bolsonarismo mesmo antes do Olavo. Basta ver a carreira dos Bolsonaro com as polícias do RJ e crime organizado. Eles são experts no assunto. Estão transformando o Brasil no país das milícias, como o ídolo do Bolsonaro, Hugo Chaves, fez na Venezuela.


Alias não estranhem ver a direita alternativa criticando Venezuela, Rússia, China e companhia, são todos “posers”, já que boa parte do capital da Alt Right dos EUA veio de “investidores” russos e chineses. E não se espantem se não aparecer por ai o Maduro financiando o mesmo crime organizado que financia as milícias bolsonaristas.


Neste último final de semana pudemos presenciar cerca de cem manifestantes com a Direita SP na paulista novamente passando dos limites da democracia e da lei, protegidos pela PM-SP. Porém quando chegou um grupo bem maior, não financiado e não tão lesado, por um protesto pró-democracia a PM prontamente o “barricou”. Enquanto isso membros visivelmente perturbados (talvez com drogas, medicação restrita ou álcool), do diminuto grupo bolsonarista, partiram para cima do grupo democrático com provocações e até agressões físicas visando provocar a reação. Deram até a volta pelo quarteirão para se infiltrar no grupo democrático. A nossa já pessimamente afamada PM, sem razão e lógica, partiu para cima do grupo democrático que se defendia justa e ostensivamente dos agressores invasores bolsonaristas. E vimos os resultados.


É o resultado prático da teoria do conflito utilizada pelos bolsolavistas. Milícias profissionais financiadas, como a Direita SP, usando pessoas muito lesadas ou com distúrbios psiquiátricos que seguem teorias da conspiração pelas redes sociais. Antes das redes sociais, este perfil de idiotas “rodrigueanos” se restringia a bares de esquina e cabelereiras do bairro, onde vociferavam seus recalques, resignações, frustrações e inveja, resultantes da insânia ou parvoíce. Normalmente eram ignorados e algumas vezes se davam mal e tinham ir para a casa mais cedo. Porém eles se reuniram nas redes sociais, e conforme previu Umberto Eco, viraram todos “PHDs” em qualquer área de conhecimento. E eles são a matéria prima ideal para facínoras sicários como Olavo de Carvalho, Bolsonaro e malta manipularem com teorias da conspiração.


Precisamos do judiciário e legislativo, junto com a grande maioria da população, reunidos, para exorcizar esta gentalha da nossa história.

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.