TPHD TRANSMITIDO PELAS REDES SOCIAIS!

Agora que vocês já conhecem a tríade sombria digital: Big Data, Machine Learning e Deep Learning, vamos começar a falar sobre as novas patologias digitais que resultam dos abusos das redes sociais sobre as pessoas. A primeira delas é o TPHD, transtorno de personalidade histriônica digital. Este será nosso primeiro texto abordando personalidades digitais.


Cabe ressaltar que a nossa análise não é clínica. Estamos usando o DSM-IV-TR 301.50 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) para estabelecer uma analogia entre doenças mentais do mundo real e comportamentos de pessoas no mundo virtual. Buscamos na psicologia e psiquiatria científicas fontes análogas para explicar o comportamento virtual de pessoas normais, nas redes sociais, que pode ou não migrar ou fazer parte da vida real destas pessoas.


Cabe aqui ressaltar que, em razão dos alcances da Inteligência Artificial, podemos inclusive estar avaliando comportamentos da mesma através de suas ações nas redes sociais. É um mundo novo e ainda muito pouco conhecido e menos ainda estudado. Podemos ser ainda superficiais e talvez equivocados nas nossas avaliações e conclusões, mas este é o risco do pioneirismo.


Principalmente nos perfis nas bolhas da Democracia Ciborgue e Pós-Verdade, ressonando nas câmaras de eco das redes sociais encontramos perfis que possuem este comportamento histriônico virtual.


Vamos conhecer o TPHD.


Estes perfis são caracterizados por um padrão de emocionalidade excessiva e necessidade de chamar atenção para si mesmo, incluindo a procura de aprovação e comportamento inapropriadamente sedutor, normalmente a partir do início da idade adulta. Tais indivíduos são vívidos, dramáticos, animados, flertadores e alternam seus estados entre entusiásticos e pessimistas. Podem ser também inapropriadamente provocativos sexualmente, expressarem emoções de uma forma impressionada e serem facilmente influenciados por outros. Entre as principais características relacionadas estão egocentrismo, desorganização egóica, autoindulgência, anseio contínuo por admiração, e comportamento persistente e manipulativo para suprir suas próprias necessidades.

Pessoas com este transtorno, em geral, não são capazes de conviver normalmente, e às vezes, nem de alcançar sucesso profissional, com baixo índice de sucesso social.


Indivíduos com transtorno de personalidade histriônica geralmente possuem bons dotes sociais em um círculo restrito de pessoas, e tendem a usá-los para manipular os outros para tornarem-se o centro das atenções. Mais além, acabam por afetar tais relacionamentos sociais, profissionais ou românticos, assim como sua habilidade em lidar com perdas ou fracassos.


Esses indivíduos começam bem relacionamentos, porém tendem a hesitar quando profundidade e durabilidade são necessários, alternando entre extremos de idealização e desvalorização. São pessoas caraterizadas pela infidelidade contumaz e inconsequente em relações amorosas. Com o fim de relações românticas, podem buscar tratamento para depressão, embora isto não seja de forma alguma uma caraterística exclusiva a este transtorno. Inicialmente, o TPHD pode ser confundido com a mitomania digital.


Frequentemente, não conseguem visualizar sua própria situação pessoal de forma realista e tendem, ao invés disso, a dramatizar e exagerar suas dificuldades. Podem passar por frequentes mudanças de motivação no trabalho, pois entediam-se facilmente e têm problemas em lidar com frustração e críticas. Por costumarem ansiar por novidades e excitação, podem colocar-se em situações de risco. Todos esses fatores podem aumentar o perigo de desenvolvimento de depressão.


Entre os sintomas principais estão:


· Comportamento exibicionista;

· Busca constante por apoio ou aprovação;

· Dramatização excessiva com demostrações exageradas de emoção, tais como abraçar alguém que acabou de conhecer ou chorar incontrolavelmente durante um filme ou música triste;

· Sensibilidade excessiva frente a críticas ou desaprovações;

· Orgulho da própria personalidade, relutância em mudar e qualquer tentativa de mudança é vista como ameaça;

· Aparência ou comportamento inapropriadamente sedutor;

· Sintomas somatoformes, e utilização destes sintomas como meio de chamar atenção;

· Necessidade de ser o centro das atenções;

· Baixa tolerância à frustração ou a demora por gratificação;

· Angústia provocada pela alternância de crença nas próprias mentiras insustentáveis (mitomania);

· Rápida variação de estados emocionais, que podem parecer superficiais ou exagerados a outrem;

· Tendência em crer que relacionamentos são mais íntimos do que na realidade o são;

· Decisões precipitadas;

· Difamação de pessoas que competem com sua atenção (cônjuges de pessoas próximas, p. ex.).


Os perfis TPHD têm este comportamento nas redes sociais, ou seja: virtual, mas não são necessariamente assim em suas vidas reais. Existe um aspecto emocional envolvido, que muitas vezes está relacionado ao recalque e resignação destas pessoais com suas vidas. Motivadas por algoritmos que as modulam acabam fazendo os seus perfis virtuais verdadeiros personagens de um reality show / videogame interativo ficcional.


Segundo o DSM-IV-TR 301.50 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4ª ed., DSM IV-TR) se define o transtorno de personalidade histriônica pelos seguintes padrões:


1. Desconforto em situações em que não são o centro das atenções;

2. Interação com os outros caracterizada por sedução sexual inapropriada ou comportamento provocador;

3. Rápidas alterações e superficialidade na expressão emocional;

4. Uso da aparência física para chamar a atenção;

5. Discurso excessivamente impressionista e com pouco pormenor;

6. Auto dramatização, teatralidade e exagero na expressão emocional;

7. Sugestionabilidade, Influenciáveis facilmente pelos outros ou pelas circunstâncias;

8. Considerar muito íntimas relações que não o são.

A CID-10 da Organização Mundial da Saúde lista o transtorno de personalidade histriônica sob o código F60.4, sendo caracterizado por pelo menos três dos seguintes:

1. Dramatização, teatralidade, e expressão exagerada de emoções;

2. Sugestionabilidade, facilmente influenciável por outrem ou ambientes;

3. Afetividade superficial e instável;

4. Busca contínua por excitação e atividades clínicas onde o paciente é o centro das atenções;

5. Sedução inapropriada em aparência ou comportamento;

6. Busca de vários parceiros simultâneos;

7. Desprezo por diagnósticos, críticas e sugestões que não coincidam com seu comportamento;

8. Preocupação excessiva com aparência física, vestimenta e acessórios.

9. Em casos extremos, pode insinuar-se para depois ser receptiva ao assédio do sexo oposto, mesmo que de pessoas com pouca ou nenhuma intimidade;

10. Inconformismo com o fim de relacionamentos, seguido de TOC -Transtorno Obsessivo Compulsivo com prevalência à obsessão pelo Déjà-vu na busca de reeditar relacionamentos que já não existem mais.

Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (4ª edição, DSM IV-TR), pela sua sugestionabilidade e pelas suas caraterísticas fenomenológicas, o paciente portador de TPH é manipulador, mas deve ser convencido pelo terapeuta que, por explicitar estas caraterísticas, pode também ser facilmente manipulado de forma ardilosa por outrem, provocando a satisfação de suas dependências patológicas (manipulação egoica) como assédios constantes, elogios a sua aparência e comentários que a façam sentir-se o centro das atenções. O manipulador cativa a portador de TPH para depois atingir seus objetivos escusos. Existe também uma abordagem de terapia cognitivo-comportamental voltada para o tratamento de transtornos de personalidade conhecida como Terapia do esquema, desenvolvida por Jeffrey Young em 1995. Nesta psicoterapia, o psicólogo ensina o paciente a:

1. Perceber os prejuízos e sofrimentos que seu esquema mal adaptativo resulta em sua vida e na dos outros, caraterizado por Transtorno de Personalidade Dissocial (Código: F60.2);

2. Identificar os desencadeadores de seus comportamentos não saudáveis de agir;

3. Identificar os danos a sua própria imagem;

4. Desenvolver testes para verificação de crenças irrealistas;

5. Desenvolver comportamentos alternativos mais saudáveis e eficientes.


Um recurso bastante comum nos TPHD é a utilização de perfis anônimos, com imagens de outras pessoas ou iconológicas com o seu personagem virtual. São os “Trolls”, perfis fakes ou MAV (milicianos anônimos virtuais) quando encampam uma pauta política ideológica dentro da Democracia Ciborgue. Neste caso além de propagarem a Pós-Verdade, estes perfis são uma personificação da Pós-Verdade. Também encontramos perfis de pessoais reais, públicos, que apresentam estas características TPH, ou partes delas em conjunto com a personalidade da tríade negra psicológica.

Comorbidades são comuns, particularmente outros transtornos de personalidade (antissocial, borderline, narcisista), sugerindo que esses transtornos compartilham uma vulnerabilidade biológica ou lançando dúvidas sobre se o transtorno de personalidade histriônico é um transtorno separado. Alguns pacientes também têm transtorno de sintoma somático, que pode ser a razão pela qual eles se apresentam para avaliação. Transtorno depressivo maior, distimia e transtorno de conversão também podem coexistir.


Ao contrário de outras pessoas que sofrem de transtornos de personalidade, histriônicos são mais rápidos a procurar tratamento, exageram seus sintomas, gostam de contar suas dificuldades e problemas, apreciam a atenção provocada e gostam de ser observados e examinados por médicos e psicólogos. Nesses casos, o terapeuta não deve se permitir ser a tela branca para as projeções do paciente. Comportamentos autodestrutivos e ameaças de suicídio devem ser levadas a sério, cabendo ao terapeuta fazer um acordo para que o paciente telefone antes de cometer atos seriamente irresponsáveis ou autodestrutivos. O terapeuta frequentemente deve ser cético, racional e paciente, estimulando o paciente a também desenvolver essas qualidades. Como estes pacientes também tendem a ter baixa autoestima e ser mais emocionalmente carentes, muitas vezes desenvolvem vínculos fictícios afetivos e íntimos com médicos, psicólogos e psiquiatras, agendando consultas desnecessárias e tornando-se relutantes em iniciar e depois em encerrar a terapia. Outro elemento muito importante, sempre presente no tratamento de pacientes portadores de TPH e com ampla repercussão no funcionamento mental deles, é a luta (preconsciente) contra a própria (e frequentemente também do ambiente) estigmatização. Essa empreitada costuma gerar sintomas secundários, como a dissimulação e a mitomania, para atender uma certa necessidade de se mostrar normal.


Estas novas situações de transtornos, quando ficarem apenas no mundo, se anônimas, são de difícil identificação e tratamento, já que as IAs fracas vão simplesmente modular e ressonar estes comportamentos. O que as Ias fortes podem fazer então?


Quando a pessoa apresenta variações comportamentais também no mundo real é preciso uma psicoterapia com um profissional com atuação / conhecimento em redes sociais para cuidar tanto da pessoa quanto do personagem. Mas e as pessoas que permanecem anônimas nas redes sociais com estes transtornos digitais?


Esse é um dos novos paradigmas para nossos psicólogos resolverem!

Copyright © 2020 de Jair Lorenzetti Filho. Todos os direitos reservados. Este site ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor.

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